A sexualidade no túnel do tempo

O mundo mudou muito nos últimos sessenta anos! Os jovens que “ficam” e namoram com liberdade nem imaginam como eram os tempos da vovó. Nos anos 50, chamados anos dourados, a distinção entre os papéis masculino e feminino era bem nítida: o homem era o chefe da casa e a mulher lhe devia respeito e obediência. Na família modelo dessa época, o homem sustentava o lar e a mulher se ocupava com os cuidados da casa e dos filhos. De acordo com esse modelo, as características próprias da feminilidade eram o instinto materno, a pureza, a resignação e a doçura. Em relação ao exercício da sexualidade, a moral favorecia as experiências masculinas e restringia as femininas ao casamento.

Ser mãe, esposa e dona de casa era considerado o destino natural das mulheres, por isso, desde cedo, a menina era educada para as prendas domésticas.

As revistas da época classificavam as jovens em duas categorias: moças de família e moças levianas. As primeiras tinham respeito social, a possibilidade de se casar e tornar-se a “rainha do lar”; as segundas eram alvo do desprezo social, que as considerava quase prostitutas.

As moças de família deviam se comportar bem para não ficarem “mal faladas”: respeitar os pais, preparar-se para o casamento e preservar sua virgindade. É claro que, para se casar, precisavam namorar, mas sempre “dando-se ao respeito”, isto é, controlando-se para não ceder ao desejo do namorado. Desse modo a educação feminina tinha ênfase no autocontrole, na capacidade de distinguir o certo e o errado que eram bem claros na vida social. A máxima da época era a seguinte: o que se oferece, não tem valor.

As levianas eram aquelas que os rapazes namoravam, mas com quem não casavam. As moças não virgens, que pretendiam casar, ou pelo menos conservar o respeito social, procuravam manter sua condição em segredo.

O namoro era considerado etapa preparatória para o noivado e o casamento. Embora a escolha matrimonial não coubesse mais aos pais, estes tinham muita influência sobre os namorados, aprovando, fiscalizando e controlando o tipo de namoro. O noivado era um compromisso formal com o matrimônio, um período de preparativos para a vida de casados. Os rapazes compravam a casa, os móveis e as moças preparavam o enxoval. Mesmo durante o noivado, as relações sexuais eram interditadas, uma vez que a noiva deveria manter sua virgindade até a noite de núpcias. No entanto, a sociedade “permitia” ao noivo que tivesse aventuras sexuais com outras, que eram as “levianas”.
De lá para cá, muita coisa mudou: as mulheres passaram a trabalhar fora de casa, houve uma revolução sexual e de costumes, o feminismo questionou os papeis tradicionais de homens e mulheres. Mas parece que ainda restam vestígios daquele tempo! Ainda é comum ouvirmos que uma menina é de família e a outra… (bem, os nomes mudaram, mas o sentido é o mesmo). Ainda se vê de maneira preconceituosa a garota que assume sua sexualidade e carrega, por exemplo, uma camisinha na bolsa.

É tempo de repensar os papeis de homens e mulheres, afinal o mundo mudou: surgiram o computador, o celular, a internet… E com eles relações mais livres de preconceitos e mais baseadas no afeto.