Os quês e os porquês da Educação Sexual

Cândida V. Gancho e Maria Estela B. Zanini

A Educação Sexual pode ser informal ou formal. A primeira ocorre desde o nascimento, dentro da família, na escola, nos grupos sociais, bem como nas diversas mídias. É, portanto, fruto da cultura e define a visão de sexualidade e o conceito de saúde sexual, que varia no tempo e o espaço. Embora seja formadora do indivíduo, a educação sexual informal nem sempre é percebida pela consciência. Já a segunda é encarada como tarefa educativa e visa à reflexão sobre os valores associados à sexualidade, oriundos da família, da mídia, da religião.

Hoje a educação sexual formal tem por objetivo que crianças e adolescentes possam viver sua sexualidade com prazer e responsabilidade, mas nem sempre foi assim.

Do início do século XX até os anos 50, a educação sexual sofria a influência da medicina e da Igreja Católica. Era feita basicamente por meio de livros e publicações de médicos, sacerdotes e professores, destinadas aos homens, pois às mulheres não se devia falar de sexo, para garantir sua pureza. A principal preocupação nessa época eram os desvios sexuais, as perversões, a profilaxia das doenças sexualmente transmissíveis.

Só nos anos 60 e 70, a educação sexual passou a fazer parte do currículo de algumas escolas em São Paulo e no Rio de Janeiro e Belo Horizonte. Tinha então uma preocupação em ser menos moralista, mais democrática, que período anterior, porém era ainda de pouca abrangência.

A partir de 1996, com a criação dos Parâmetros curriculares Nacionais (PCNs), a educação sexual passou a ser reconhecida como integrante da ação educativa. Com o nome de “Orientação Sexual” propunha que a sexualidade fosse considerada do ponto de vista da saúde, mas também do prazer sexual. Seu objetivo principal é propiciar informações atualizadas do ponto de vista científico e promover o debate sobre os valores e comportamentos sexuais existentes na sociedade, de modo que o aluno possa desenvolver atitudes coerentes com os valores que ele próprio eleger como seus.

Embora a proposta de educação sexual dos PCNs seja indicativa para todas as escolas, convivem hoje modelos diversos:

Educação sexual religiosa (tradicional ou libertadora): é basicamente cristã, vincula sexo ao amor e à procriação. No caso da educação religiosa emancipatória, prega, como a outra, a obediência às normas religiosas, mas permite uma adaptação às modificações.

Educação sexual médica: relaciona sexualidade à díade saúde-doença e valoriza o fornecimento de informações científicas.

Educação sexual “pedagógica”: (que permeia os PCNs), defende que a sexualidade deve ser inserida no processo de ensino-aprendizagem .

Educação sexual política: encara a educação sexual como um meio de transformação social, portanto trabalha as questões de poder e discriminação que envolvem o exercício da sexualidade.

No trabalho de CPG, a Educação Sexual, alinhada com os PCNs, procura ser inclusiva, isto é, respeitar princípios religiosos e familiares, apresentar informações científicas atualizadas e propor uma reflexão ampla sobre o tema.

Referência: Formação de educadores sexuais, Mary Neide Damico Figueiró, Editora Mercado de Letras, de Campinas e EDUEL, Editora da Universidade Estadual de Londrina.