Conversando sobre sexo… com os pais

Maria Estela B. Zanini e Maria Helena Vilela

A conversa sobre sexo na família deveria ocorrer naturalmente e com uma freqüência adequada às necessidades de cada jovem, da mesma forma que se conversa sobre outros assuntos, como esporte, estudo ou lazer. No entanto, isso nem sempre acontece. Para muitos pais, falar sobre sexo ainda é uma dificuldade e, conseqüentemente, para os filhos, também. É um nó ainda muito bem atado por anos e anos, em que sexo era norteado por um padrão de comportamento social rígido – um tema que não se podia trazer à tona.

Hoje as circunstâncias são outras. Nos anos 60 e 70, os jovens conseguiram fazer da liberdade sexual uma bandeira e afrouxar gradativamente o nó da repressão, transformando a educação sexual, que antes era padronizada, em uma educação personalizada. E para tanto, a conversa sobre sexo em família é fundamental.

O valor dos pais

Nunca os jovens foram tão informados sobre sexo como agora. Jornais e revistas têm sempre um espaço exclusivo para o adolescente se informar sobre sexualidade. Canais de TV e emissoras de rádio investem em entrevistas com sexólogos e programas do tipo “Talking Show” (perguntas e respostas). As escolas abordam o tema em sala de aula, e se o adolescente ainda tiver dúvidas, há sites na Internet que falam dos mais variados assuntos da vida sexual. Mas, quando o adolescente não tem diálogo com os pais, toda informação não impede que o jovem ainda fique confuso e dividido diante de alguns temas, principalmente aqueles que se referem às escolhas pessoais, como por exemplo, virgindade, fidelidade, namoro. É que existe um espaço na educação sexual que só a família pode preencher – o acolhimento.

É na conversa com os pais que o jovem pode conquistar o respeito, a consideração e o abrigo para seus problemas sexuais, como também encontrar a referência de que precisa para tomar decisões. Não é à toa que as pesquisas mostram que os jovens que têm a oportunidade de conversar com os pais sobre sexo têm mais facilidade para tomar decisões assertivas como, por exemplo, prevenir-se de uma gravidez.

Início de conversa

O mais difícil é quebrar o silêncio; mas existem formas de se puxar uma conversa sem que isso gere um mal-estar ou um julgamento precipitado. Uma delas é comentar um caso ou situação divulgada na televisão ou nos jornais; outra é ler um artigo sobre o tema de sua escolha para os pais e pedir a opinião deles; ou ainda, perguntar como eles faziam para resolver determinado assunto (aquele do seu interesse) na sua adolescência. Não há nada mais gostoso para um pai ou uma mãe que perceber o interesse do(a) filho(a) pelas histórias de sua época. Assim, se você tem vontade de conversar sobre temas relacionados à sexualidade com seus pais, mas ainda não conseguiu tocar nesse assunto, estas sugestões podem ser um bom começo. Mas atenção! Inicie a conversa com temas que não levem ao constrangimento, seu ou de seus pais, e, gradativamente, à medida que perceber que há espaço, vá tornando este diálogo mais íntimo e de acordo com os seus interesses.

Conversar sobre sexualidade é uma experiência que vale a pena! Mesmo aqueles pais que os adolescentes acreditam ser “caretas”, muitas vezes, surpreendem positivamente.