Cigarro eletrônico – Cuidado!

Piratas e clandestinos como seus primos tradicionais vindos do Paraguai, os cigarros eletrônicos podem ser considerados uma modinha ainda incipiente ou já são uma realidade entre os adolescentes brasileiros?

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Não se tem notícia de um levantamento confiável sobre a prevalência de uso desses aparelhos entre a nossa população, mas é possível observá-los com mais frequência entre os dedos dos fumantes de qualquer idade.

Também chamados de e-cigarros apresentam modelos que lembram os cigarros convencionais nas cores e no tamanho. Porém, trata-se de um dispositivo eletrônico alimentado por bateria e com uma espécie de vaporizador onde se coloca a nicotina líquida.

Algumas pessoas se surpreendem quando descobrem que no cigarro eletrônico também tem o princípio ativo do tabaco, responsável por causar dependência. Notícias de que esse tipo de aparelho poderia auxiliar no abandono do cigarro tradicional foram divulgadas com certo alarde. Bastaria diminuir gradativamente as doses de nicotina para que o usuário se visse livre do vício no cigarro tradicional. Mas a verdade é que esse tipo de “ajuda” pode não valer a pena.

Um estudo desenvolvido na Universidade da Califórnia, São Francisco (UCSF) nos Estados Unidos mostra que o costume tem se espalhado e com ele os motivos de preocupação.

Realizada em 2011 e 2012, com quase 40.000 estudantes do middle e do high school – o equivalente aos alunos do 7º, 8º e 9º ano do ensino fundamental e dos três anos do ensino médio aqui no Brasil – a pesquisa fez parte de um levantamento nacional realizado pelo departamento de controle e prevenção de doenças do governo norte-americano. Ela avalia a relação dos jovens com o tabaco e teve seus resultados divulgados na edição de março do JAMA Pediatrics.

Os pesquisadores da UCSF descobriram que os adolescentes que usaram os dispositivos eletrônicos eram mais predispostos a fumar cigarros convencionais e menos propensos a abandonar o hábito. Eles também descobriram que o uso dos cigarros eletrônicos entre os jovens do ensino fundamental e médio subiu de 3,1% para 6,5% no período pesquisado. Lauren Dutra, principal autora do estudo afirma: “Apesar das alegações de que os e-cigarros estão ajudando as pessoas a parar de fumar, descobrimos que os e-cigarros foram associados a um aumento e não a um consumo menor de cigarros entre os adolescentes. O e-cigarro pode ser a porta de entrada para a dependência da nicotina entre os jovens, abrindo todo um novo mercado para a indústria do tabaco”.

Outros achados do estudo: Maiores chances de progressão para o consumo frequente de cigarros convencionais; Adolescentes que usavam os dois tipos de cigarro fumavam mais do que aqueles que fumavam apenas os cigarros tradicionais.

O estudo não permitiu que os pesquisadores identificassem se a maioria dos jovens iniciou o hábito de fumar com cigarros convencionais ou com e-cigarros. Mas os autores observaram que, entre os que já tinham usado e-cigarros, cerca de 20% dos alunos do ensino médio e cerca de 7% dos estudantes do ensino médio não tinham fumado cigarros regulares anteriormente. Esse dado, para os autores do estudo, reforça que alguns adolescentes tomam contato com a nicotina através dos cigarros eletrônicos.

Um estudo coreano publicado no Journal of Adolescent Healthencontrou resultados semelhantes ao estudo norte-americano.

Ainda nos Estados Unidos

No estado de Minnesota, esse ano, cerca de 50 jovens apresentaram sintomas de envenenamento provocado pelo uso de cigarros eletrônicos. Dez vezes mais que em 2013.

Os sintomas de intoxicação por nicotina podem incluir náuseas, vômitos, diarreia, convulsões e / ou dificuldade em respirar. Uma dose fatal de nicotina para um adulto é de entre 50 e 60 miligramas. O refil para o e-cigarro pode conter entre 18 e 24 miligramas.