Dia 31 de maio – Dia Mundial sem Tabaco

10563-boy1Este ano, no Brasil, o tema para o Dia Mundial sem Tabaco será “Embalagem de cigarro: por que padronizar?”. Nosso país segue a proposta de campanha da OMS(Organização Mundial da Saúde) para esse ano.
A intenção primordial será mostrar que a padronização das embalagens pode ser uma importante estratégia para a redução do ato de fumar.
Segundo o INCA (Instituto Nacional do Câncer), três projetos de lei tramitam no Congresso e caso sejam aprovados obrigariam a todos os produtos derivados do tabaco a uma embalagem única, padronizada pelo governo.
O nome da marca seria mantido, mas forma, tamanho, modo de abertura, cor e fonte seriam iguais.

Proposta para a embalagem única de cigarro

O primeiro país a adotar essa estratégia, ainda em 2012, foi a Austrália. Este ano, o Departamento de Saúde informou que as embalagens padronizadas foram responsáveis por uma redução de 25% no número de fumantes.
Baseado na experiência australiana e no resultado de algumas pesquisas, o INCA explica as vantagens da padronização:
Com a tendência mundial de proibição de propagandas de produtos de tabaco nos meios de comunicação e de patrocínio de eventos culturais e esportivos por esses produtos, as embalagens tornaram-se uma ferramenta crucial para a indústria do tabaco atrair e manter os consumidores.
A não regulação das cores e imagens das embalagens contribui para criar percepções errôneas entre os consumidores de que certas marcas são mais seguras do que outras. A remoção de termos enganosos (tais como suave, light) e de cores (como prata, azul e vermelho) reduziria falsas crenças sobre os riscos dos cigarros à saúde.
Adultos e adolescentes percebem os cigarros contidos em embalagens padronizadas como menos apelativos, menos palatáveis, menos prazerosos e como de qualidade inferior quando comparados aos cigarros vendidos em embalagens comuns (antes da medida).
A padronização das embalagens contendo advertências sanitárias grandes e ilustradas com imagens (75% da face frontal da embalagem) reduz o apelo da embalagem e também fortalece o impacto das advertências sanitárias.
As principais constatações informam que a padronização
Reduz o apelo dos produtos de tabaco, principalmente entre jovens e adolescentes, uma vez que o tabagismo é uma doença pediátrica;
não leva ao aumento no consumo de cigarros contrabandeados;
encoraja a cessação do tabagismo.

Mais informações sobre a data e o evento no hotsite do Dia Mundial sem Tabaco.

Em Portugal, a Direção Geral de Saúde informa que houve uma diminuição no número de “jovens fumadores”, mas mesmo assim o Dia Mundial sem Tabaco vai focar esse público com uma campanha bem direta: “Larga a Chupeta. Fumar é Ridículo”.
Um dos cartazes da campanha ilustra o início desse texto.

Riscos entre jovens – Jairo Bouer

wordle 2O texto do psiquiatra Jairo Bouer saiu no jornal “O Estado de São Paulo” no domingo 15 de maio.

Risco entre Jovens

O fator de risco para doenças que mais cresceu entre os jovens nas duas últimas décadas foi o sexo sem proteção, que saltou da 13.ª para a 2.ª posição na faixa dos 15 aos 19 anos de 1990 a 2013. Esse é um dos dados mais importantes de um amplo estudo publicado na versão online do periódico médico The Lancet na última semana. Apesar do aumento vertiginoso da prática de sexo desprotegido, o álcool permaneceu no primeiro posto como fator de risco para doenças entre os mais jovens. Na faixa dos 20 aos 24 anos, é seguido pelo uso de outras drogas.

O trabalho foi feito por um consórcio de pesquisadores de diversas universidades e instituições globais a partir do relatório anual Global Burden of Disease, da Organização Mundial da Saúde (OMS). Os dados foram divulgados pelo jornal inglês Daily Mail e pelo site News Medical.

Há 1,8 bilhão de adolescentes e adultos jovens no mundo, cerca de um quarto da população, a maior geração da história. Dois terços vivem em países em desenvolvimento, onde problemas evitáveis como HIV/aids, gravidez precoce, acidentes e violência são ameaças diárias. Até 2032, o número de jovens no mundo vai subir para 2 bilhões. 

Sabe-se que na adolescência uma parte importante do desenvolvimento neuronal acontece, assim, fatores de risco que agem nessa fase podem marcar o comportamento e a saúde na vida adulta. Quanto mais cedo, por exemplo, se dá o contato com cigarro, álcool e outras drogas, maiores os riscos e padrões de uso mais complicados.

Do ponto de vista da saúde sexual, sem proteção, o jovem fica mais exposto a doenças que podem comprometer seu futuro reprodutivo e sua saúde. As taxas de HIV na população mais jovem, principalmente dos garotos que fazem sexo com outros homens, é hoje uma das maiores preocupações de quem trabalha com prevenção. Complicações decorrentes de gravidez na adolescência, tentativas de aborto e partos estão entre os principais impactos na vida das garotas.

Ainda de acordo com o relatório, os principais problemas, para ambos os sexos, são a saúde mental e os perigos nas ruas e estradas. Depressão, por exemplo, foi a doença mais comum em 2013, afetando mais de 10% dos jovens de 10 a 24 anos. Enquanto ela é mais prevalente entre as garotas, os acidentes são mais frequentes entre os rapazes.

Morte precoce. As principais causas de morte de jovens de 15 a 24 anos em 2013 foram acidentes, suicídio e violência. Existem algumas variações importantes entre os países e nas diferentes faixas etárias de jovens. No Reino Unido, por exemplo, nos jovens entre 15 e 24 anos, a principal causa de morte foram as drogas, com um aumento de 36% desde 1990. Já entre os jovens de 20 a 24 anos, o suicídio está na primeira posição. No Brasil, violência e acidentes são as principais causas, mas o suicídio tem crescido de forma preocupante nos últimos anos.

Questões de gênero e de direitos humanos, baixa escolaridade, desemprego, pobreza, desestruturação familiar, violência generalizada e legislação anacrônica e inconsistente são apontados como alguns dos principais entraves para o acesso dos jovens aos diversos recursos de saúde, de educação e de participação social. 

A escola é considerada para alguns dos especialistas um dos maiores fatores de proteção para a saúde dos mais novos. Segundo eles, para cada ano adicional que o jovem permanece na escola depois dos 12 anos, está associada uma diminuição progressiva das taxas de gestação na adolescência e do número de mortes precoces de garotos e garotas. Para um novo governo que começa, é bom lembrar que garantir recursos para educação e saúde na adolescência, mesmo em meio a atual crise econômica que atravessamos, faz, sim, toda diferença.