Melhor não fumar nunca – Jairo Bouer

O artigo do Dr. Jairo Bouer saiu no Estadão do dia 7 de maio.
A imagem é da campanha contra o tabagismo da Cancer Patients Aid Association (CPAA) da India

smoking

Melhor não fumar nunca

Um novo estudo sugere que fumar um ou outro cigarro socialmente pode ser tão ruim para a saúde do coração quanto acabar com um maço todos os dias

Jairo Bouer – O Estado de São Paulo 07/05/2017

Um novo estudo sugere que fumar um ou outro cigarro socialmente pode ser tão ruim para a saúde do coração quanto acabar com um maço todos os dias. Mesmo o uso eventual elevaria os níveis da pressão arterial e colesterol e exporia a pessoa a maior risco de enfartes e AVCs (derrames). O trabalho da Universidade Estadual de Ohio (EUA) avaliou 40 mil participantes e apontou que 75%, tanto dos fumantes habituais como dos ocasionais, têm pressão arterial elevada. Metade dos consumidores dos dois grupos tem também taxas mais altas de colesterol. Os dados foram publicados no American Journal of Health Promotion e divulgados pelo jornal britânico Daily Mail.

Ao todo, 17% das pessoas avaliadas eram fumantes habituais. Outros 10% consumiam cigarros eventualmente e não se enxergavam como fumantes. A maioria é de homens abaixo dos 40 anos, que usam cigarros em algumas situações sociais, mas não apresentam sinais de dependência. Para os pesquisadores, o ideal seria não fumar nunca!

Bom lembrar que a pressão arterial elevada e as taxas altas de colesterol contribuem de forma importante para a instalação das doenças cardiovasculares, principal causa de morte de homens e mulheres em todo mundo.

Gene mais fraco. Outro estudo divulgado na última semana sugere que os fumantes correm maior risco de ter uma obstrução arterial porque o tabaco “enfraquece” um gene que protegeria os vasos sanguíneos.

Em artigo publicado na revista Circulation e divulgado pela agência de notícias AFP, investigadores da Universidade da Pensilvânia (EUA) sugerem uma base genética para a formação das placas que causam o endurecimento das paredes das artérias e podem levar à obstrução da passagem de sangue, origem de enfartes e derrames. Foram avaliados dados de 140 mil pessoas, com foco nas regiões do genoma sabidamente associadas com alto risco de acúmulo de placas nas artérias.

Para os pesquisadores, uma pequena variação em um gene do cromossomo 15, relacionado a uma enzima produzida nos vasos sanguíneos, reduziria o risco de obstrução das artérias em não fumantes. Já entre os fumantes esse efeito protetor seria reduzido pela metade, demonstrando a influência de um fator ambiental (cigarro) sobre o “trabalho” dos nossos genes.

Ainda um grande vilão. 

No início de abril, um estudo da Fundação Bill & Melinda Gates e da Bloomberg Philanthropies mostrou que, ainda hoje, uma em cada dez mortes do mundo acontece por causa do cigarro. Metade dessas mortes é em quatro países: China, Índia, EUA e Rússia. Pelo relatório, o Brasil é considerado um caso de sucesso por ter conseguido reduzir em 25 anos as taxas de fumantes de 29% para 12% entre homens e de 19% para 8% entre as mulheres. Os dados são da BBC Brasil. A queda expressiva é resultado da combinação de leis mais duras, impostos mais altos e ações educativas (como campanhas de esclarecimento e avisos sobre riscos do fumo nos maços). Mesmo assim, ainda são mais de 18 milhões de fumantes no País.

Na contramão desse avanço, a empresa Souza Cruz ingressou com uma ação na Justiça pedindo o fim das mensagens de advertência na parte frontal das embalagens, conforme noticiou o Estado.

Em um momento em que boa parte do mundo caminha para maços cada vez menos atrativos para os consumidores (neutros, sem cores, sem marcas estampadas, com grandes avisos sobre os riscos), é um absoluto retrocesso que se reveja essa medida que obriga as mensagens de advertência na frente do maço. Importante que a sociedade e os órgãos competentes, como a Anvisa, se articulem para barrar mais essa ação da indústria do tabaco, que vai contra tudo que se conseguiu em décadas de trabalho de prevenção.

Maconha e cigarro cedo – Jairo Bouer

Maconha e cigarro cedo

Quem usa a droga antes dos 14 tem pior performance em testes cognitivos na vida adulta

Foto: Mark Blinch/Reuters –

Estatísticas recentes revelam que o consumo de maconha entre os jovens tem aumentado em boa parte do mundo ocidental

O primeiro trabalho mostra que adolescentes que iniciam o consumo de maconha antes dos 14 anos têm pior performance em testes cognitivos quando atingem o início da vida adulta, aos 20. Eles também apresentam pior memória de curto prazo e maior probabilidade de abandonar a escola. Em contrapartida, os jovens que entram em contato com maconha a partir dos 17 anos não apresentaram essas alterações.

Estatísticas recentes revelam que o consumo de maconha entre os jovens tem aumentado em boa parte do mundo ocidental. Um terço deles teria a primeira experiência com a droga antes dos 15. Mesmo nos países que legalizaram a maconha, ela é proibida antes dos 18, da mesma forma que o cigarro.

Os pesquisadores da Universidade de Montreal, no Canadá, acompanharam cerca de 300 garotos entre os 13 e os 20 anos. Desses, 43% experimentaram maconha em algum ponto da vida, a maioria apenas algumas vezes ao ano. Para os especialistas, as dificuldades cognitivas podem estar associadas tanto aos efeitos da droga como a mecanismo sociais, uma vez que, abandonando a escola ou tendo mais dificuldade para aprender, os jovens perderiam oportunidades de desenvolver toda sua capacidade intelectual. As informações foram divulgadas pelo jornal britânico Daily Mail.

Os cientistas lembram que é importante trabalhar dentro de uma perspectiva realista, ou seja, de que muitos jovens vão entrar em contato com maconha em algum ponto da vida, e que uma minoria terá problemas concretos. A atenção deve ser maior com aqueles que usam com maior frequência, em maior quantidade e com os que começam muito cedo. Na pesquisa, os que começaram aos 17 tiveram desempenho cognitivo semelhante ao dos que nunca experimentaram a droga.

O que vale para outras drogas também vale, provavelmente, para maconha. A fase antes dos 15 é muito importante para a formação da rede de neurônios, que vai determinar nossa capacidade intelectual. Nesse sentido, eventuais impactos negativos da droga no sistema nervoso central podem ser mais “poderosos” nesse momento.

Além disso, essa é uma fase crucial (tanto do ponto de vista biológico como emocional) para a determinação do padrão de uso da droga, que pode ser eventual ou frequente – neste caso, com maior risco de abuso. Não é à toa, por exemplo, que quase 90% dos fumantes de cigarro na vida adulta começaram antes dos 15 anos. 

Adolescentes grávidas.

Por falar em cigarro, nova pesquisa divulgada nos EUA revela aumento de 19% no número de adolescentes grávidas que fumam. Para os cientistas, a causa seria a maior regulação na venda de cigarros eletrônicos antes dos 18 anos. Sem alternativas para “largar” o cigarro tradicional, as garotas continuariam a fumar mesmo durante a gestação.

Em geral, ao engravidar, mulheres adultas e adolescentes tentam abandonar o cigarro. Mas, desde 2010, a tendência de aumento no número de garotas fumantes tem se intensificado, o que coincide com o maior controle na venda dos dispositivos alternativos de liberação de nicotina.

Os pesquisadores das universidades americanas de Princeton e de Cornell revisaram dados de 550 mil nascimentos fornecidos pelo Centro Nacional de Estatísticas em Saúde (NCHS) e informações dos Centros de Controle de Doenças (CDC) sobre as leis regulando a venda dos dispositivos eletrônicos.

Apesar de polêmicos, uma vez que ainda não estão claros os efeitos negativos dos cigarros eletrônicos para a saúde e para a gravidez, trabalhos sugerem que eles podem ser menos nocivos do que os cigarros tradicionais. É bom lembrar que nos últimos anos houve um aumento expressivo no uso dessas fontes alternativas de nicotina, principalmente entre os mais novos: 9 milhões de americanos e 2,5 milhões de britânicos já usam os dispositivos eletrônicos. Em 2014, eles ultrapassaram o número de usuários de cigarro tradicional nesses países. As informações são também do jornal Daily Mail. No Brasil, esse uso é ainda bem mais modesto.

*JAIRO BOUER É PSIQUIATRA

Álcool na adolescência afeta, sim, o desenvolvimento cerebral.

Saiu no site de Veja.com último dia 5 de dezembro.

Álcool na adolescência afeta, sim, o desenvolvimento cerebral.

Um novo estudo sugere que abusar do álcool na adolescência pode afetar a memória, a tomada de decisões e o autocontrole. Algumas mudanças são irreversíveis.

A ingestão de bebida alcoólica na adolescência pode prejudicar o desenvolvimento cerebral. De acordo com um estudo recém-publicado no periódico científico Addiction, adolescentes que bebem em excesso tendem a ter menos massa cinzenta no cérebro, estrutura responsável por funções como memoria, tomada de decisões e autocontrole.

No estudo, pesquisadores da Universidade da Finlândia Oriental, na Finlândia, acompanharam 62 jovens durante dois anos. Nesse período, eles responderam questionários que incluíam questões sobre o consumo de bebida alcoólica.

Todos os voluntários haviam participado de um estudo finlandês sobre o bem-estar do jovem e haviam relatado seu consumo alcoólico durante a adolescência – aos 13 e aos 18 anos.

Os resultados mostraram que 35 deles abusavam do álcool – bebiam pelo menos quatro vezes por semana ou bebiam muito, com menor frequência – na adolescência. Os demais foram considerados bebedores moderados.

Exames de escaneamento cerebral mostraram que os jovens que abusaram do álcool tinham menores volumes de massa cinzenta, em comparação com aqueles que bebiam moderadamente.

“O uso de substâncias está conectado com a exclusão social, problemas de saúde mental e baixa escolaridade. Mudanças na estrutura do cérebro pode ser um dos fatores que contribuem para os problemas sociais e mentais entre os indivíduos que usam substâncias”, disse Noora Heikkinen, líder do estudo.

De acordo com Samantha Brooks, professora da Universidade da Cidade do Cabo, na África do Sul, e que não esteve envolvida no estudo, a seção frontal do cérebro, que desempenha um importante papel na tomada de decisões, continua se desenvolvendo até os 20 e poucos anos.

Essa região foi bastante afetada pela perda de massa cinzenta no cérebro das pessoas que abusavam do álcool. Embora nenhum dos participantes tenha demonstrado sintomas de depressão e as taxas de problemas como ansiedade, desordens de personalidade e uso de drogas fossem similares entre os dois grupos, os bebedores compulsivos tinham mais tendência a fumar.

Samantha explica que, durante esse período, os adolescentes estão mais aptos a terem problemas com o abuso de substâncias, já que estão em uma “janela de vulnerabilidade”.

Felizmente, segundo Noora, parar a ingestão de álcool a tempo pode aumentar o volume de massa cinzenta. “Entretanto, quando o uso for continuado por um longo período, algumas mudanças estruturais se tornam irreversíveis.”, afirmou.

Apesar dos resultados, como esse foi apenas um estudo observacional, os pesquisadores não podem afirmar se é o excesso de bebida que danifica o desenvolvimento cerebral ou se pessoas com menos massa cinzenta – por fatores genéticos ou outras causas – têm maior probabilidade de abusar do álcool.

Pais, filhos e o álcool

Na última terça-feira, 30 de agosto, a Folha de São Paulo publicou esse excelente artigo de Rosely Sayão. Nele ela comenta, a partir dos dados apresentados pela Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar(PeNSE) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística(IBGE), a relação dos jovens com a bebida alcoólica.

Equipe CPG

Pais podem e devem vetar consumo de bebidas pelos filhos menores de idade

Rosely Sayão  –  30 de agosto 2016 – Folha de São Paulo

Fazer e acontecer, ter fama e sucesso a qualquer custo, ser popular e feliz, estar por dentro de todas as ondas e consumir. São comandos socioculturais fortes que têm sido direcionados aos nossos jovens, diretamente ou mesmo de modo sutil. E eles têm atendido!

Tais comandos podem ser por eles entendidos em diversos contextos: das redes sociais reais que eles frequentam às redes virtuais em todas as suas formas; do pequeno grupo de amigos e colegas próximos à sala de aula ao grupo de amigos e colegas de toda a escola; das conversas presenciais às conversas via mensagens instantâneas.

E como conseguir alcançar essas metas que nossa sociedade faz com que almejem? Bem, aí reside um problema que vamos abordar hoje.

Muitos de nossos jovens, desde o início da adolescência, encontram na bebida alcoólica uma boa estratégia para sair-se bem nessas questões. Segundo dados de pesquisa do IBGE, realizada com 2,6 milhões de estudantes que cursaram o 9º ano do ensino fundamental em 2015, 55% deles já haviam consumido uma dose de bebida alcoólica alguma vez. E é bom saber que, desse grupo pesquisado, quase 90% deles tinham entre 13 e 15 anos na época que o estudo foi realizado.

Por que o álcool tem sido, para nossos jovens, uma boa estratégia para ajudá-los a encontrar o que eles buscam? É que, no início, os efeitos produzidos pela bebida alcoólica são a euforia e a desinibição no agir e no pensar. E isso é tudo o que eles querem e acham que precisam para “ficar de boa”, como eles dizem.

Nossa sociedade é tolerante quanto ao uso do álcool por menores. Não é pequeno o número de pais que permitem que seu filho beba em casa, antes de ir a festas com os amigos. E, da mesma maneira, é considerável a presença de bebidas em festas de menores de idade, promovidas pelos pais e com o aval deles.

Os jovens usam uma expressão bem conhecida para nomear o estado em que ficam quando bebem exageradamente: dizem “deu pt”, que seria o equivalente à perda total dos sentidos. É dessa maneira que eles se afastam do real sentido do estado em que caem: coma alcoólica. E, assim, permanecem afastados dos riscos do uso da bebida.

Por que muitos pais permitem e/ou não vetam que seus filhos bebam antes dos 18 anos? Pelo anseio de inserção social dos filhos, por minimizarem a questão da idade e, talvez, por falta de informação.

Muitos não consideram ou se esquecem de considerar e/ou não dão valor a tais informações, quais sejam: que o álcool afeta o senso de certo e errado, que é enorme o número de vítimas de acidentes de trânsito com envolvimento de bebidas alcoólicas e que a tolerância aos efeitos do álcool é menor entre as pessoas mais novas.

Mas qual a diferença entre beber aos 16, 17 anos e aos 18, você pode perguntar, caro leitor. E a melhor resposta é o respeito ao rito social.

Se os pais não permitem o uso de bebida alcoólica pelo filho menor, isso significa que ele não a usará?

Provavelmente não. Mas dá a ele um norte familiar e, se ele preza a família, é possível que beba menos para não desapontar os pais e não arcar com consequências familiares acordadas, por exemplo.

Para o bem dos filhos, os pais podem —e devem— vetar o uso de bebidas pelos filhos menores e também o uso abusivo pelos maiores.

roselycpg

The benefits of a good night’s sleep

sleep to remember

Já publicamos outros artigos sobre o benefício de uma boa noite de sono para os adolescentes e agora publicamos mais um.
Free Technology for Teachers, o blog de Richard Byrne é a fonte desse último.
Ele publicou o material a partir de uma área do TEDEd que mostra lições/aulas desenvolvidas por especialistas.
Vale a pena conhecer o TEDed.
A aula começa com o vídeo abaixo. Para aprofundar-se no assunto tem os links: “Think”, “Dig Deeper” e Discuss. Nesse último você pode debater com outras pessoas.

Acesse os outros links, clicando na imagem abaixo.

teded

A lição com mais de 1 milhão de visualizações foi criada pelo  Dr. Shai Marcu, educador, por Javier Saldeña, animador e Alex Gendler, editor.

Maconha e o desempenho escolar

A matéria abaixo saiu no Portal G1

Estudo relaciona uso de maconha ao fracasso de adolescentes na escola

Menores de 17 anos têm risco 60% maior de não terminar ensino médio.Pesquisa foi publicada na revista científica ‘The Lancet’.

Os adolescentes que fumam regularmente maconha estão muito mais expostos ao fracasso escolar que os outros, segundo os resultados de um estudo publicados nesta quarta-feira na revista médica “The Lancet Psychiatry”. Os adolescentes de menos de 17 anos que fumam maconha todos os dias correm 60% a mais de riscos de não concluir o ensino médio do que aqueles que nunca fumaram a substância.

Além disso, aqueles que fumam diariamente têm sete vezes mais riscos de uma tentativa de cometer suicídio e oito vezes mais riscos de utilizar outras drogas posteriormente, destaca o estudo.

“Estes resultados aparecem no momento oportuno, já que vários estados americanos e países da América Latina tomaram o caminho da descriminalização da maconha, o que poderia tornar mais fácil para os jovens o acesso a esta droga”, afirmou Richard Mattick, da Universidade de Nova Gales do Sul (Austrália), um dos autores da pesquisa.

A maconha é a droga ilegal mais consumida no mundo. Estatísticas recentes indicam que em alguns países os jovens começam a usar a substância cada vez mais cedo. O estudo publicado na revista “The Lancet” tem como base dados obtidos por três pesquisas entre jovens da Austrália e Nova Zelândia.

Os cientistas tentaram traçar um paralelo da frequência do consumo de maconha entre os jovens com menos de 17 anos e seus comportamentos na vida posteriormente. Os critérios usados foram o êxito escolar, o uso de drogas ilegais, dependência da maconha, a depressão e as tentativas de suicídio.

Uma relação “clara e consistente” foi encontrada entre a frequência da utilização da maconha antes dos 17 anos e a maioria dos critérios citados, destaca a “Lancet”.

Para o doutor Edmund Silins, outro autor do estudo, os resultados demonstram “de maneira evidente” que a luta contra o consumo precoce da maconha entre os jovens representa “importantes benefícios em termos sociais e de saúde”.

A Voz do Cigarro

De todas as variadas iniciativas para marcar o último 31 de maio, Dia Mundial sem Tabaco a divulgada pelo site B9, sem dúvida, foi a mais impactante.

Veja do que se trata na texto do próprio site. O post foi escrito por  .

“Para confrontar esse universo romantizado com a dura realidade de quem sobrevive aos impactos do vício prolongado, foi criada no Brasil a campanha A Voz do Cigarro, onde usuários do Twitter que postavam mensagens exaltando o prazer de fumar, recebiam um vídeo com seu texto lido por um fumante profundamente impactado por seu hábito.”

Dia 31 de maio – Dia Mundial sem Tabaco

10563-boy1Este ano, no Brasil, o tema para o Dia Mundial sem Tabaco será “Embalagem de cigarro: por que padronizar?”. Nosso país segue a proposta de campanha da OMS(Organização Mundial da Saúde) para esse ano.
A intenção primordial será mostrar que a padronização das embalagens pode ser uma importante estratégia para a redução do ato de fumar.
Segundo o INCA (Instituto Nacional do Câncer), três projetos de lei tramitam no Congresso e caso sejam aprovados obrigariam a todos os produtos derivados do tabaco a uma embalagem única, padronizada pelo governo.
O nome da marca seria mantido, mas forma, tamanho, modo de abertura, cor e fonte seriam iguais.

Proposta para a embalagem única de cigarro

O primeiro país a adotar essa estratégia, ainda em 2012, foi a Austrália. Este ano, o Departamento de Saúde informou que as embalagens padronizadas foram responsáveis por uma redução de 25% no número de fumantes.
Baseado na experiência australiana e no resultado de algumas pesquisas, o INCA explica as vantagens da padronização:
Com a tendência mundial de proibição de propagandas de produtos de tabaco nos meios de comunicação e de patrocínio de eventos culturais e esportivos por esses produtos, as embalagens tornaram-se uma ferramenta crucial para a indústria do tabaco atrair e manter os consumidores.
A não regulação das cores e imagens das embalagens contribui para criar percepções errôneas entre os consumidores de que certas marcas são mais seguras do que outras. A remoção de termos enganosos (tais como suave, light) e de cores (como prata, azul e vermelho) reduziria falsas crenças sobre os riscos dos cigarros à saúde.
Adultos e adolescentes percebem os cigarros contidos em embalagens padronizadas como menos apelativos, menos palatáveis, menos prazerosos e como de qualidade inferior quando comparados aos cigarros vendidos em embalagens comuns (antes da medida).
A padronização das embalagens contendo advertências sanitárias grandes e ilustradas com imagens (75% da face frontal da embalagem) reduz o apelo da embalagem e também fortalece o impacto das advertências sanitárias.
As principais constatações informam que a padronização
Reduz o apelo dos produtos de tabaco, principalmente entre jovens e adolescentes, uma vez que o tabagismo é uma doença pediátrica;
não leva ao aumento no consumo de cigarros contrabandeados;
encoraja a cessação do tabagismo.

Mais informações sobre a data e o evento no hotsite do Dia Mundial sem Tabaco.

Em Portugal, a Direção Geral de Saúde informa que houve uma diminuição no número de “jovens fumadores”, mas mesmo assim o Dia Mundial sem Tabaco vai focar esse público com uma campanha bem direta: “Larga a Chupeta. Fumar é Ridículo”.
Um dos cartazes da campanha ilustra o início desse texto.

Riscos entre jovens – Jairo Bouer

wordle 2O texto do psiquiatra Jairo Bouer saiu no jornal “O Estado de São Paulo” no domingo 15 de maio.

Risco entre Jovens

O fator de risco para doenças que mais cresceu entre os jovens nas duas últimas décadas foi o sexo sem proteção, que saltou da 13.ª para a 2.ª posição na faixa dos 15 aos 19 anos de 1990 a 2013. Esse é um dos dados mais importantes de um amplo estudo publicado na versão online do periódico médico The Lancet na última semana. Apesar do aumento vertiginoso da prática de sexo desprotegido, o álcool permaneceu no primeiro posto como fator de risco para doenças entre os mais jovens. Na faixa dos 20 aos 24 anos, é seguido pelo uso de outras drogas.

O trabalho foi feito por um consórcio de pesquisadores de diversas universidades e instituições globais a partir do relatório anual Global Burden of Disease, da Organização Mundial da Saúde (OMS). Os dados foram divulgados pelo jornal inglês Daily Mail e pelo site News Medical.

Há 1,8 bilhão de adolescentes e adultos jovens no mundo, cerca de um quarto da população, a maior geração da história. Dois terços vivem em países em desenvolvimento, onde problemas evitáveis como HIV/aids, gravidez precoce, acidentes e violência são ameaças diárias. Até 2032, o número de jovens no mundo vai subir para 2 bilhões. 

Sabe-se que na adolescência uma parte importante do desenvolvimento neuronal acontece, assim, fatores de risco que agem nessa fase podem marcar o comportamento e a saúde na vida adulta. Quanto mais cedo, por exemplo, se dá o contato com cigarro, álcool e outras drogas, maiores os riscos e padrões de uso mais complicados.

Do ponto de vista da saúde sexual, sem proteção, o jovem fica mais exposto a doenças que podem comprometer seu futuro reprodutivo e sua saúde. As taxas de HIV na população mais jovem, principalmente dos garotos que fazem sexo com outros homens, é hoje uma das maiores preocupações de quem trabalha com prevenção. Complicações decorrentes de gravidez na adolescência, tentativas de aborto e partos estão entre os principais impactos na vida das garotas.

Ainda de acordo com o relatório, os principais problemas, para ambos os sexos, são a saúde mental e os perigos nas ruas e estradas. Depressão, por exemplo, foi a doença mais comum em 2013, afetando mais de 10% dos jovens de 10 a 24 anos. Enquanto ela é mais prevalente entre as garotas, os acidentes são mais frequentes entre os rapazes.

Morte precoce. As principais causas de morte de jovens de 15 a 24 anos em 2013 foram acidentes, suicídio e violência. Existem algumas variações importantes entre os países e nas diferentes faixas etárias de jovens. No Reino Unido, por exemplo, nos jovens entre 15 e 24 anos, a principal causa de morte foram as drogas, com um aumento de 36% desde 1990. Já entre os jovens de 20 a 24 anos, o suicídio está na primeira posição. No Brasil, violência e acidentes são as principais causas, mas o suicídio tem crescido de forma preocupante nos últimos anos.

Questões de gênero e de direitos humanos, baixa escolaridade, desemprego, pobreza, desestruturação familiar, violência generalizada e legislação anacrônica e inconsistente são apontados como alguns dos principais entraves para o acesso dos jovens aos diversos recursos de saúde, de educação e de participação social. 

A escola é considerada para alguns dos especialistas um dos maiores fatores de proteção para a saúde dos mais novos. Segundo eles, para cada ano adicional que o jovem permanece na escola depois dos 12 anos, está associada uma diminuição progressiva das taxas de gestação na adolescência e do número de mortes precoces de garotos e garotas. Para um novo governo que começa, é bom lembrar que garantir recursos para educação e saúde na adolescência, mesmo em meio a atual crise econômica que atravessamos, faz, sim, toda diferença.