31 de Maio – Dia Mundial Sem Tabaco

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Dia 31 de maio comemora-se o Dia Mundial sem Tabaco. A equipe de CPG apoia a campanha por compartilhar das ideias em relação aos malefícios causados pelo tabagismo e aproveita o momento para relembrar o trabalho realizado com os alunos em relação à prevenção ao uso de drogas, inclusive o tabaco.

O Dia Mundial sem Tabaco é promovido desde 1987 pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como uma forma de alerta em relação às mortes e doenças evitáveis derivadas do tabagismo – já que ele é considerado, pela própria OMS, a principal causa de morte evitável em todo o mundo. Segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA), responsável pela divulgação do Dia Mundial sem Tabaco no Brasil, o tabaco mata quase 6 milhões de pessoas por ano, sendo que 600 mil dessas mortes são de fumantes passivos. Estima-se que, se nada for feito, em 2030, o número de mortes por ano passará para 8 milhões.

Todos os anos, a campanha de 31 de maio conta com um tema norteador da discussão. Neste ano de 2017, o tema escolhido é “Tabaco: uma ameaça ao desenvolvimento”. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, a epidemia do tabagismo é a maior ameaça à saúde pública que o mundo enfrenta. No Brasil, um estudo de 2011 sobre o impacto econômico do tabagismo no SUS, mostrou que, naquele ano, gastou-se R$23 bilhões com o tratamento de algumas das doenças relacionadas ao tabagismo – entre elas, as cardiovasculares (infarto, angina), câncer e doenças respiratórias obstrutivas crônicas (enfisema e bronquite). Com o objetivo de trazer um panorama mais atualizado e completo a respeito do mesmo tema, uma das atividades previstas para o Dia Mundial sem Tabaco é a divulgação de uma pesquisa mais recente em relação ao impacto econômico do tabagismo no Brasil, considerando agora dados que não haviam sido contemplados anteriormente, como os custos indiretos derivados do tabaco (absenteísmo, perda de produtividade, gastos da família, entre outros).

Todavia, os danos provocados pelo tabaco ao desenvolvimento do país não estão restritos à esfera do consumidor, mas estendem-se também à sua cadeia produtiva – e geram graves consequências ambientais, sanitárias e sociais, principalmente no meio agrícola. Um exemplo bastante preocupante dessas consequências sociais é a violação de direitos humanos, uma vez que são recebidas constantes denúncias relativas ao trabalho infantil nas lavouras de tabaco, bem como sobre a incidência de doenças derivadas do trabalho nas lavouras. Entre elas, estão as doenças decorrentes do contato direto com agrotóxicos (como neurites crônicas incapacitantes e depressão tão intensa que pode levar ao suicídio) e com a própria folha do tabaco que pode gerar uma intoxicação aguda devido à nicotina absorvida pela pele.

No âmbito global, a campanha tem, este ano, os objetivos de dar visibilidade à ideia de que o tabagismo representa um entrave para o desenvolvimento sustentável de uma nação, apoiar os estados-membros e a sociedade civil no combate às interferências da indústria do tabaco em processos políticos que procuram reduzir o tabagismo, demonstrar como os indivíduos podem contribuir para gerar um mundo sustentável e livre de tabaco, entre outros.

Mostra-se fundamental a inserção da discussão do Dia Mundial sem Tabaco no ambiente escolar pois, segundo a OMS, o tabagismo é uma doença pediátrica, uma vez que a maioria dos fumantes se torna dependente até os 19 anos. Por isso, consideramos essencial o trabalho que realizamos em relação à prevenção às drogas. O trabalho de doutrinação já não funciona mais com o adolescente do século XXI, questionador e insaciável. Assim, considerando o perfil dos jovens que temos hoje na escola, adaptamos o trabalho de prevenção, buscando maneiras mais efetivas de atingi-los. Além da informação, oferecemos aos adolescentes um espaço de discussão e acolhimento para que eles se envolvam de maneira genuína e interessada com o trabalho de prevenção, nos permitindo acessá-los – e não criando mais barreiras ou tabus acerca do tema.

O Dia Mundial sem Tabaco insere-se nesse contexto, portanto, como uma oportunidade de resgatar o tema num momento em que ele está sendo tratado em escala global, abrindo espaço para discussão e conscientização. Somente por meio da reflexão e do envolvimento, é possível o desenvolvimento e o exercício de autonomia, alcançando, assim, uma vida sem tabaco, sem drogas e com mais liberdade.

13 Reasons Why – algumas reflexões

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13 Reasons Why é uma série de televisão americana, que vem causando muita polêmica entre os que a assistiram e os que não a viram (pelo menos inteira). É baseada no livro de 2007, de Jay Asher, e adaptado por Brian Yorkey para a Netflix.

A história acompanha Clay Jensen que, ao voltar da escola, encontra uma caixa misteriosa com seu nome na porta de casa. Dentro dela, encontram-se fitas-cassetes gravadas por Hanna Baker – sua colega de classe e paixão secreta – que cometeu suicídio duas semanas antes. Nas fitas, Hanna explica as treze razões que a levaram à decisão de acabar com a própria vida.

Aparentemente toda polêmica gira em torno do fato central que ancora a narrativa: o suicídio de Hanna, cujos motivos dão forma aos episódios, já que cada um seria uma das 13 razões (na verdade pessoas) para justificar o desfecho conhecido logo no início. No entanto há diversos outros temas que merecem atenção e que estão sendo colocados de lado nas conversas e nos posts na internet.

Alguns críticos chegaram ao extremo de recomendar que a série original do Netflix não fosse assistida pelo perigo que representa. Como se a “proibição” impedisse seu sucesso. Pelo contrário, parece ter efeito de aumentar a curiosidade. É preciso refletir que, por trás desse ponto de vista pode residir a crença de que a ficção incitaria ao suicídio na vida real. Mas há os que afirmam exatamente o contrário: a série teria contribuído para a prevenção do número de suicídios entre os jovens. Segundo o CVV, desde a estreia da série, os pedidos de ajuda ou de conversa enviados por e-mail aumentaram em mais de 100%.

O perigo é se apoiar numa crença de que a exposição de um tema difícil, penoso, na ficção ou mesmo numa aula, tenha poder de influência tão imediato e devastador. A mesma crença de que um filme sobre drogas pode induzir ao consumo, ou a educação sexual na escola pode despertar precocemente a sexualidade, ou levar à promiscuidade. Em nossa opinião, a história de Hanna não é uma apologia ao suicídio como insinuam alguns, mas a história de uma personagem vítima de uma série de sofrimentos que a levam à morte prematura. As próprias razões que Hanna apresenta são apenas a sua versão dos fatos, ora colocada como mentira, ora como distorção da realidade. Os personagens, incluindo Hanna são apresentados em sua dimensão humana, cheios de dúvidas, incertezas e inseguranças.

A série toca neste tema (o suicídio) e em outros espinhosos, como a falta de diálogo, o bullying, o abuso sexual, o desrespeito ao gênero, o estupro, os quais devem ser enfrentados com coragem por pais e educadores que desejam compreender melhor os adolescentes, para poder ajudá-los a enfrentar seus conflitos e sofrimentos. Não nos cabe aqui recomendar ou repudiar a série, que os adolescentes já estão vendo e discutindo, mas enfrentar sem medo os temas que já estão no mundo real.

A série apresenta com honestidade a dinâmica perversa da vida social dos jovens, em particular na escola, onde deveriam estar mais protegidos e nos leva a refletir sobre a importância de basear as relações entre as pessoas em valores como respeito, solidariedade e empatia.

A equipe de CPG do colégio Bandeirantes, há anos vem trabalhando na promoção do desenvolvimento de relações mais saudáveis na escola por meio de estratégias de aula que propiciam a discussão de dilemas éticos e de dinâmicas que estimulam a reflexão e a vivência de valores universais como justiça e respeito. Além disso, o colégio conta com assessoria da Dra. Telma Vinha (UNICAMP) e da Dra. Luciene Tognetta (UNESP) na formação de professores para o trabalho de ética e desenvolvimento moral e na implantação das rodas de diálogo entre alunos.

Para finalizar, lembramos que 13 Reasons Why é indicada para maiores de dezesseis anos. Se crianças e adolescentes mais novos desconsiderarem essa recomendação, o ideal é que assistam à série na companhia dos pais ou responsáveis, com quem possam dialogar e expressar seus medos e angústias diante de cenas fortes, que podem causar desconforto ou serem mal-entendidas.

Equipes de CPG e OE

https://www.somoscontraobullying.org/13-reasons-why