Alunos dos 8.os anos elaboram painéis sobre qualidade de vida

Um dos objetivos do trabalho de prevenção às drogas é o fortalecimento do conceito de vida saudável. Assim, como fechamento do curso, os alunos dos 8.os anos realizaram uma produção sobre qualidade de vida: um cartaz que atribui cores (valores) aos aspectos do cotidiano: alimentação, escola, amigos, família, satisfação com o corpo. Verde representando algo muito bom, laranja/amarelo, algo que poderia melhorar e vermelho, indicando algo muito ruim.

A seguir, encontram-se alguns trabalhos. Esperamos que, a partir dessa apresentação, você também possa fazer uma reflexão sobre sua qualidade de vida.

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Campanhas de Prevenção às drogas 9.os anos 2011

Reunindo informação e criatividade os alunos fizeram, ao final do primeiro semestre, trabalhos para a Campanha de Prevenção às Drogas 2011, dentro das aulas de CPG. Depois de selecionados, estão abertos à comunidade, cumprindo sua função de conscientizar.

Clique aqui para apreciar os trabalhos, que foram separados por categoria: álcool, cigarro, drogas em geral.

Prevenção às drogas: o papel da escola

Quando a escola deve iniciar um programa de prevenção às drogas? A resposta nem sempre evidente é esta: prevenção é uma tarefa educativa e se dá em dois níveis: a prevenção primária e a secundária. A primeira significa impedir o uso de todas as substâncias psicoativas, ou, pelo menos, retardar o seu início. A segunda se destina aos alunos que já experimentaram drogas (lícitas ou ilícitas), objetivando evitar evolução para usos mais frequentes e prejudiciais.

O trabalho de CPG nas duas situações preventivas tem os seguintes objetivos: conscientizar as pessoas sobre os riscos do uso de drogas; trabalhar o conceito de saúde física, psicológica e social; bem como colaborar para a construção da boa autoestima do jovem.

No programa de prevenção desenvolvido no Bandeirantes, o uso de drogas é discutido dentro de um contexto amplo de saúde, de qualidade de vida.

Para o sucesso do programa de prevenção têm contribuído vários fatores. O primeiro deles é o engajamento da Direção da Escola, na forma de apoio e investimento em infraestrutura adequada; o segundo elemento é o processo de capacitação constante dos professores envolvidos, tanto no que diz respeito ao preparo pessoal como a atualização constante sobre o assunto. O terceiro fator seria metodologia que conta com contribuições interdisciplinares para elaboração de estratégias variadas e adequadas à linguagem dos alunos, de acordo com sua faixa etária.

Por fim, o programa de prevenção deve ter grande alcance, por isso é importante sensibilizar a comunidade: corpo de professores e funcionários, pais, bem como trabalhar em parceria com o grupo de Orientação Educacional.

A avaliação contínua do trabalho é fundamental para identificar pontos fortes e fracos da prevenção.

Chance de viver

A internação compulsória não é prisão, não é criminalização, tampouco é varrer o problema das drogas para debaixo do tapete; a questão é urgente

Andrea Matarazzo | FOLHA DE S. PAULO | Opinião

Tendências/Debates – 09/08/2011

Desde a época em que implantei as melhorias na infraestrutura da região da Luz, como então subprefeito da Sé e depois secretário das Subprefeituras de São Paulo, há seis anos, venho observando atentamente o flagelo dos dependentes químicos na cracolândia.

Posso afirmar: viver em completo estado de degradação não é uma escolha consciente. Ninguém que esteja gozando minimamente de sua vontade própria pode considerar como opção a realidade dessas pessoas que seguem, todos os dias, a única alternativa que a droga lhes proporcionou como uma dura sentença de morte.

Todos sabemos quão forte e destrutivo é o vício e quão difícil é sair dele. Nos últimos dias, a internação compulsória tem sido citada como uma possibilidade real de tratamento para quem chegou ao último estágio da dependência.

O tema surge envolto em polêmica e contraposto ao direito de escolha, que é e deve continuar sendo um direito sagrado; mas se tal liberdade já está tolhida pelo uso indiscriminado de drogas, não vejo como desconsiderar a prioridade do direito à vida.

Quando um dependente ainda tem a atenção de sua família, e esta tem condições para tanto, a internação compulsória é um ato de amor. No nível mais alto do flagelo causado pela droga, ele já abandonou a família ou foi abandonado por ela. Não pode também ser abandonado pelo poder público. A meu ver, isso é omissão de socorro.

Obviamente, a internação compulsória deve ser o último estágio de uma política pública baseada na prevenção e na repressão ao tráfico, e isso não se faz apenas com polícia. Enquanto estivemos na prefeitura, lavamos as ruas duas vezes ao dia, iluminamos a região da Luz, fechamos bares, hotéis, ferros-velhos e diversos estabelecimentos ilegais usados pelo crime.

Tudo isso inibiu a presença do traficante, mas em nada melhorou as condições de saúde daqueles que por lá vagavam acendendo seus cachimbos. Para mim, essa experiência deixou claro que se aquelas pessoas não fossem afastadas dali para tratamento adequado, nada seria capaz de salvar suas vidas.

A internação compulsória não é prisão, não é criminalização, tampouco é varrer o problema para debaixo do tapete. A questão é urgente. A Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) divulgou recentemente os resultados de uma pesquisa com 131 usuários de crack atendidos em uma enfermaria de desintoxicação em São Paulo.

Em 12 anos, dos 107 pacientes, 27 tinham morrido, a maior parte de morte violenta ou de AIDS; dois estavam desaparecidos; 13 foram presos e outros 22 continuavam usando a droga. Apenas 43 deles conseguiram se curar do vício. Número pequeno, mas que dá esperança.

Na edição da Folha de 31 de julho, o psicólogo americano Adi Jaffe, ele mesmo um ex-dependente, defendeu que “até a reabilitação feita à força é melhor do que nada”.

Jaffe foi tratado compulsoriamente, sobreviveu e retomou o controle sobre sua vida. Hoje, trabalha estabelecendo critérios para avaliar a qualidade do tratamento para dependentes químicos. Está vivo. Creio que todos deveriam ter a mesma chance.

*ANDREA MATARAZZO é secretário da Cultura do Estado de São Paulo. Foi secretário municipal de Coordenação das Subprefeituras de São Paulo e subprefeito da Sé (gestões Serra-Kassab), ministro-chefe da Secretaria de Comunicação da Presidência da República (1999-2001), embaixador do Brasil na Itália (2001-2002) e secretário de Energia do Estado de São Paulo (governo Covas).

Desobediência faz parte

Os mais novos transgridem mesmo: quando o processo de educação acontece, há sempre resistência

Rosely Sayão | FOLHA DE S. PAULO | Equilíbrio | 09/08/2011

Mães e pais andam espantados e/ou perplexos com a desobediência de filhos pequenos, maiores e até mesmo adolescentes. Que coisa, não? Por que será que esses pirralhos não entendem que precisam acatar o que seus pais lhes dizem?

Uma leitora conta que é uma mãe dedicada e consciente de que o seu maior compromisso na vida, hoje, é o de educar bem a filha, que tem cinco anos. Diz inclusive que, regularmente, assiste a palestras e lê coisas de qualidade a respeito do assunto.

O problema, segundo ela, é que mesmo assim se defronta com as birras que a filha faz, com manhas na hora de colocar a roupa ou comer e com pequenos escândalos – quando a garota quer ter ou fazer uma coisa que a mãe entende que não deve dar ou permitir naquele momento.

“Qual o meu erro?”, me pergunta essa responsável mãe. Certamente, muitos outros pais passam pela mesma situação e se fazem essa mesma pergunta.

Um pai, agora um tanto quanto desconsolado e assustado, enfrenta a adolescência do filho. O jovem quer sair sem hora para voltar e sem dar explicações. Além disso, o garoto sempre transgride as poucas regras que o pai tenta lhe impor.

Depois de dizer que sempre educou o filho de um modo democrático, esse pai confessa não saber o que fazer. “Será que vou ter de castigar meu filho, agora que ele cresceu?”, pergunta. Pelo menos ele não desistiu, como muitos pais de adolescentes têm feito… Qual é a questão, afinal? Por que os mais novos insistem na transgressão?

Será responsabilidade desse mundo tão transformado, da crise de valores, das escolas, das más companhias, das “famílias desestruturadas”, como muita gente gosta de afirmar?

Ou será que as crianças de hoje já nascem diferentes, mais ousadas e com “personalidade forte”? Ou, ainda, será que os pais já não sabem mais agir com autoridade?

Não, caro leitor, a questão é bem mais simples. Então, de largada vamos lembrar de um princípio básico: sempre que a educação acontece, há resistência ao processo.

Pronto: é simples assim. A relação da mãe e do pai com os filhos é sempre um pouco tensa. Por quê?

Porque os pais precisam introduzir o filho na dinâmica familiar, na convivência com os outros, na vida que a cada dia apresenta um pouco mais de desafios e, portanto, compromissos e responsabilidades, entre outras coisas. Ora, isso significa impor à criança uma determinada direção.

Comer determinados alimentos desta ou daquela maneira, tomar banho, vestir esta ou aquela roupa, ir para a escola, não comer em determinados horários, prestar contas aos pais, respeitar pessoas etc. etc. Por que a criança deveria aceitar isso de bom grado se o que ela quer é bem diferente?

Ela quer ficar vendo televisão, jogando videogame ou futebol, dormindo pela manhã ou acordada de madrugada e se colocar no centro do mundo… Isso é o que ela quer. O jovem quer se grudar ao grupo, ser plenamente aceito por seus pares, quer diversão sem fim… A juventude é curta, afinal.

Só isso já seria suficiente para nos fazer reconhecer que eles irão reclamar, resistir, usar todas as estratégias que têm à mão para demonstrar seu descontentamento. É só isso o que expressa a desobediência e a transgressão. Faz parte do jogo, não é verdade?

Mesmo tendo aprendido, eles irão insistir na transgressão. Não é assim no futebol, por exemplo? Por isso o jogo exige árbitros e penalidades para as faltas.

Então, vamos relaxar: os mais novos sempre irão transgredir, desobedecer. É um direito deles. É dever dos pais persistir com o processo educativo em curso, reafirmar posições, fazer valer o ensinado. E ter paciência.

Até quando essa situação persiste? Até a maturidade dos filhos, que deve chegar por volta dos 20 anos, se tivermos um pouco de sorte além do empenho investido.

ROSELY SAYÃO é psicóloga e autora de “Como Educar Meu Filho?” (Publifolha)

Conversando sobre sexo… com os pais

Maria Estela B. Zanini e Maria Helena Vilela

A conversa sobre sexo na família deveria ocorrer naturalmente e com uma freqüência adequada às necessidades de cada jovem, da mesma forma que se conversa sobre outros assuntos, como esporte, estudo ou lazer. No entanto, isso nem sempre acontece. Para muitos pais, falar sobre sexo ainda é uma dificuldade e, conseqüentemente, para os filhos, também. É um nó ainda muito bem atado por anos e anos, em que sexo era norteado por um padrão de comportamento social rígido – um tema que não se podia trazer à tona.

Hoje as circunstâncias são outras. Nos anos 60 e 70, os jovens conseguiram fazer da liberdade sexual uma bandeira e afrouxar gradativamente o nó da repressão, transformando a educação sexual, que antes era padronizada, em uma educação personalizada. E para tanto, a conversa sobre sexo em família é fundamental.

O valor dos pais

Nunca os jovens foram tão informados sobre sexo como agora. Jornais e revistas têm sempre um espaço exclusivo para o adolescente se informar sobre sexualidade. Canais de TV e emissoras de rádio investem em entrevistas com sexólogos e programas do tipo “Talking Show” (perguntas e respostas). As escolas abordam o tema em sala de aula, e se o adolescente ainda tiver dúvidas, há sites na Internet que falam dos mais variados assuntos da vida sexual. Mas, quando o adolescente não tem diálogo com os pais, toda informação não impede que o jovem ainda fique confuso e dividido diante de alguns temas, principalmente aqueles que se referem às escolhas pessoais, como por exemplo, virgindade, fidelidade, namoro. É que existe um espaço na educação sexual que só a família pode preencher – o acolhimento.

É na conversa com os pais que o jovem pode conquistar o respeito, a consideração e o abrigo para seus problemas sexuais, como também encontrar a referência de que precisa para tomar decisões. Não é à toa que as pesquisas mostram que os jovens que têm a oportunidade de conversar com os pais sobre sexo têm mais facilidade para tomar decisões assertivas como, por exemplo, prevenir-se de uma gravidez.

Início de conversa

O mais difícil é quebrar o silêncio; mas existem formas de se puxar uma conversa sem que isso gere um mal-estar ou um julgamento precipitado. Uma delas é comentar um caso ou situação divulgada na televisão ou nos jornais; outra é ler um artigo sobre o tema de sua escolha para os pais e pedir a opinião deles; ou ainda, perguntar como eles faziam para resolver determinado assunto (aquele do seu interesse) na sua adolescência. Não há nada mais gostoso para um pai ou uma mãe que perceber o interesse do(a) filho(a) pelas histórias de sua época. Assim, se você tem vontade de conversar sobre temas relacionados à sexualidade com seus pais, mas ainda não conseguiu tocar nesse assunto, estas sugestões podem ser um bom começo. Mas atenção! Inicie a conversa com temas que não levem ao constrangimento, seu ou de seus pais, e, gradativamente, à medida que perceber que há espaço, vá tornando este diálogo mais íntimo e de acordo com os seus interesses.

Conversar sobre sexualidade é uma experiência que vale a pena! Mesmo aqueles pais que os adolescentes acreditam ser “caretas”, muitas vezes, surpreendem positivamente.

Os quês e os porquês da Educação Sexual

Cândida V. Gancho e Maria Estela B. Zanini

A Educação Sexual pode ser informal ou formal. A primeira ocorre desde o nascimento, dentro da família, na escola, nos grupos sociais, bem como nas diversas mídias. É, portanto, fruto da cultura e define a visão de sexualidade e o conceito de saúde sexual, que varia no tempo e o espaço. Embora seja formadora do indivíduo, a educação sexual informal nem sempre é percebida pela consciência. Já a segunda é encarada como tarefa educativa e visa à reflexão sobre os valores associados à sexualidade, oriundos da família, da mídia, da religião.

Hoje a educação sexual formal tem por objetivo que crianças e adolescentes possam viver sua sexualidade com prazer e responsabilidade, mas nem sempre foi assim.

Do início do século XX até os anos 50, a educação sexual sofria a influência da medicina e da Igreja Católica. Era feita basicamente por meio de livros e publicações de médicos, sacerdotes e professores, destinadas aos homens, pois às mulheres não se devia falar de sexo, para garantir sua pureza. A principal preocupação nessa época eram os desvios sexuais, as perversões, a profilaxia das doenças sexualmente transmissíveis.

Só nos anos 60 e 70, a educação sexual passou a fazer parte do currículo de algumas escolas em São Paulo e no Rio de Janeiro e Belo Horizonte. Tinha então uma preocupação em ser menos moralista, mais democrática, que período anterior, porém era ainda de pouca abrangência.

A partir de 1996, com a criação dos Parâmetros curriculares Nacionais (PCNs), a educação sexual passou a ser reconhecida como integrante da ação educativa. Com o nome de “Orientação Sexual” propunha que a sexualidade fosse considerada do ponto de vista da saúde, mas também do prazer sexual. Seu objetivo principal é propiciar informações atualizadas do ponto de vista científico e promover o debate sobre os valores e comportamentos sexuais existentes na sociedade, de modo que o aluno possa desenvolver atitudes coerentes com os valores que ele próprio eleger como seus.

Embora a proposta de educação sexual dos PCNs seja indicativa para todas as escolas, convivem hoje modelos diversos:

Educação sexual religiosa (tradicional ou libertadora): é basicamente cristã, vincula sexo ao amor e à procriação. No caso da educação religiosa emancipatória, prega, como a outra, a obediência às normas religiosas, mas permite uma adaptação às modificações.

Educação sexual médica: relaciona sexualidade à díade saúde-doença e valoriza o fornecimento de informações científicas.

Educação sexual “pedagógica”: (que permeia os PCNs), defende que a sexualidade deve ser inserida no processo de ensino-aprendizagem .

Educação sexual política: encara a educação sexual como um meio de transformação social, portanto trabalha as questões de poder e discriminação que envolvem o exercício da sexualidade.

No trabalho de CPG, a Educação Sexual, alinhada com os PCNs, procura ser inclusiva, isto é, respeitar princípios religiosos e familiares, apresentar informações científicas atualizadas e propor uma reflexão ampla sobre o tema.

Referência: Formação de educadores sexuais, Mary Neide Damico Figueiró, Editora Mercado de Letras, de Campinas e EDUEL, Editora da Universidade Estadual de Londrina.

A crueldade do bullying

Cândida V. Gancho
Maria Estela B. Zanini

“Aos 8 anos me mudei para uma nova cidade. Acho que por não conhecer ninguém. Ficava sozinha e engordei. Aí começaram apelidos de baleia, bicho, dragão. Como era uma cidade pequena, tinha pouca gente na escola. Todo mundo sabia. As pessoas riam de mim. Os meninos falavam e outros achavam graça.

Uma vez, na aula de artes, a professora pediu para descreverem os colegas. O menino que mais tirava sarro de mim me descreveu. Escreveu todos meus apelidos. A sala toda virou para rir de mim. Saí correndo da sala. A professora não fez nada. Ela leu os apelidos que colocaram. Um dos meninos era filho da coordenadora da escola e ela não fazia nada. Falei para ela. Ela deu um sermão na sala e só. Não tinha coragem de contar para os meus pais. Queria parecer que era normal, que não acontecia nada.

Até hoje tenho vergonha de falar em público por isso, mas consegui ser oradora da minha turma na formatura de jornalismo e sou professora de inglês.”

Depoimento visualizado no site G1.globo.com/vestibular-e-educação, em 08/05/2011

Essa menina que sofreu tanto na infância e adolescência foi vítima de “bullying”. Você sabe o que é bullying? É um conjunto de atitudes agressivas intencionais e repetitivas que ocorrem sem motivação evidente, de forma velada ou explícita. Pode ser adotado por um ou mais indivíduos contra outro(s), mas a intenção é sempre causar o sofrimento da(s) vítima(s).

Brincadeiras e xingamentos entre crianças e adolescentes, à primeira vista, podem ser vistos como coisas normais e corriqueiras. O problema é quando isso vem acompanhado de preconceitos, apelidos horríveis, violência física e verbal gratuitas que ofendem, humilham e acabam traumatizando as vítimas desse mal-estar. Conhecido como bullying (termo que vem do inglês “bully”, que quer dizer “valentão”), esta prática de violência está se tornando cada vez mais frequente no dia a dia dos adolescentes.

Dois episódios recentes colocaram o termo bullying na mídia, com grande destaque: o vídeo postado no Youtube, que mostra um garoto australiano defendendo-se das agressões de um colega de escola e o assassinato de 12 adolescentes, ocorrido em 07 de abril, numa escola em Realengo, Rio de Janeiro. É preciso diferenciar as brincadeiras com os colegas de escola do comportamento deliberadamente malvado que afeta a autoestima da vítima, gerando graves consequências como a depressão e abandono da escola.

Os pré adolescentes e adolescentes são especialmente afetados por esse tipo de agressão. Por viverem um período de intensas mudanças corporais, sentem-se inseguros e são mais vulneráveis. Em geral, são as mudanças físicas o pretexto para as humilhações: o bigodinho, as espinhas, o cabelo, os seios desenvolvidos, enfim, o corpo em transformação.

Ao sofrer a violência do tipo bullying, as crianças e adolescentes, sozinhos, não têm como se defender. Os colegas, embora digam repudiar esse tipo de violência psicológica e sentirem pena de quem é agredido, declaram que nada podem fazer para defendê-lo, com medo de serem a próxima vítima. A educadora Cleo Fante, autora do livro “Fenômeno Bullying” (Editora Verus), desenvolveu intensas pesquisas sobre o tema e considera que a prática do bullying é banalizada, porque pais, escola e colegas são expectadores que, por não interferirem ou não perceberem a gravidade do problema, tornam-se cúmplices.

O bullying é condenável de todos os pontos de vista, não apenas porque a vítima sofre graves consequências, mas também porque torna o ambiente hostil e insuportável para todo o grupo. A escola é um importante espaço para o desenvolvimento do respeito e da tolerância.

O agressor que não está convencido da gravidade do problema e alega que a agressão é apenas uma “brincadeirinha” com o colega, deve refletir sobre isso: quando se trata de bullying, o agressor de hoje pode ser a vítima de amanhã.

Para mais informações e textos interessantes sobre bullying:
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/equilibrio/eq1005201114.htm
http://revistaescola.abril.com.br/crianca-e-adolescente/comportamento/cyberbullying-violencia-virtual-bullying-agressao-humilhacao-567858.shtml

A sexualidade no túnel do tempo

O mundo mudou muito nos últimos sessenta anos! Os jovens que “ficam” e namoram com liberdade nem imaginam como eram os tempos da vovó. Nos anos 50, chamados anos dourados, a distinção entre os papéis masculino e feminino era bem nítida: o homem era o chefe da casa e a mulher lhe devia respeito e obediência. Na família modelo dessa época, o homem sustentava o lar e a mulher se ocupava com os cuidados da casa e dos filhos. De acordo com esse modelo, as características próprias da feminilidade eram o instinto materno, a pureza, a resignação e a doçura. Em relação ao exercício da sexualidade, a moral favorecia as experiências masculinas e restringia as femininas ao casamento.

Ser mãe, esposa e dona de casa era considerado o destino natural das mulheres, por isso, desde cedo, a menina era educada para as prendas domésticas.

As revistas da época classificavam as jovens em duas categorias: moças de família e moças levianas. As primeiras tinham respeito social, a possibilidade de se casar e tornar-se a “rainha do lar”; as segundas eram alvo do desprezo social, que as considerava quase prostitutas.

As moças de família deviam se comportar bem para não ficarem “mal faladas”: respeitar os pais, preparar-se para o casamento e preservar sua virgindade. É claro que, para se casar, precisavam namorar, mas sempre “dando-se ao respeito”, isto é, controlando-se para não ceder ao desejo do namorado. Desse modo a educação feminina tinha ênfase no autocontrole, na capacidade de distinguir o certo e o errado que eram bem claros na vida social. A máxima da época era a seguinte: o que se oferece, não tem valor.

As levianas eram aquelas que os rapazes namoravam, mas com quem não casavam. As moças não virgens, que pretendiam casar, ou pelo menos conservar o respeito social, procuravam manter sua condição em segredo.

O namoro era considerado etapa preparatória para o noivado e o casamento. Embora a escolha matrimonial não coubesse mais aos pais, estes tinham muita influência sobre os namorados, aprovando, fiscalizando e controlando o tipo de namoro. O noivado era um compromisso formal com o matrimônio, um período de preparativos para a vida de casados. Os rapazes compravam a casa, os móveis e as moças preparavam o enxoval. Mesmo durante o noivado, as relações sexuais eram interditadas, uma vez que a noiva deveria manter sua virgindade até a noite de núpcias. No entanto, a sociedade “permitia” ao noivo que tivesse aventuras sexuais com outras, que eram as “levianas”.
De lá para cá, muita coisa mudou: as mulheres passaram a trabalhar fora de casa, houve uma revolução sexual e de costumes, o feminismo questionou os papeis tradicionais de homens e mulheres. Mas parece que ainda restam vestígios daquele tempo! Ainda é comum ouvirmos que uma menina é de família e a outra… (bem, os nomes mudaram, mas o sentido é o mesmo). Ainda se vê de maneira preconceituosa a garota que assume sua sexualidade e carrega, por exemplo, uma camisinha na bolsa.

É tempo de repensar os papeis de homens e mulheres, afinal o mundo mudou: surgiram o computador, o celular, a internet… E com eles relações mais livres de preconceitos e mais baseadas no afeto.

Adolescência: mais que uma fase, um estilo de vida

Faz parte do senso comum considerar a adolescência como um momento de mudanças físicas – em geral, definidas como “puberdade” – e mudanças psicológicas e sociais. No entanto pode-se perceber que a adolescência tornou-se um fenômeno sócio-cultural de grandes implicações, sobretudo a partir dos anos 60, quando deixou de ser considerada uma fase preparatória para a vida adulta para ser o estágio final do desenvolvimento.

Depois da Segunda Guerra Mundial, definiu-se, no mundo ocidental, uma cultura juvenil que até hoje influencia o mercado; dessa forma a adolescência passou a ser o grupo de consumo preferencial, que dita tendências; um exemplo disso sãos os jeans, adotados pelos jovens rebeldes dos anos 50 e que passaram a ser produzidos e consumidos como peças de grande relevância no mercado das confecções.

Desde então, a adolescência ganhou status de modelo cultural, com estilo de vida, gosto, linguagem, copiados pelas demais faixas etárias e veiculados pela indústria cultural e pela mídia. Por isso, todos querem ser adolescentes: os mais novos não vêem a hora de entrar nessa fase tão valorizada e os mais velhos fazem de tudo para parecer que ainda não saíram dela.

Narciso, por Caravaggio

Afinal o que há de tão interessante em ser adolescente? Segundo Octavio Paz, a imagem que simboliza o adolescente é a do personagem mitológico Narciso, o solitário, olhando seu reflexo no espelho de água, incapaz de sair desse estado de encantamento. Para sair dessa idade de solidão, seria preciso entregar-se ao mundo, amar, abraçar uma causa, sacrificar-se. Na realidade, porém, ser adolescente hoje é viver a vida com prazer, divertir-se, ter pouca ou nenhuma responsabilidade, enfim ser feliz…

Se o modelo de felicidade é ser adolescente, como sair desse mundo narcísico e se tornar adulto? Como fazer o mundo melhor, se todos nós desejamos ser eternamente jovens?

É inegável: há um lado encantador na adolescência, mas ela não dura para sempre, porque a vida adulta requer coragem e responsabilidade para enfrentar problemas. Cabe aos adultos (pais, professores…) ajudar os adolescentes a sair de seu momento mágico, guiando-os pelo caminho da vida saudável e ética.

Cândida Beatriz Vilares Gancho (professora de redação e CPG)