Álcool é droga

álcool é droga

Sem moderação, bebida provoca doenças crônicas e potencializa acidentes e violência

A matéria abaixo foi publicada no site da UNIAD(Unidade de Pesquisas em Álcool e Drogas). Ela trás algumas informações sobre o II Lenad (Levantamento Nacional de Álcool e Drogas). Clarice Sandi Madruga, coordenadora desse levantamento, apresentou alguns resultados durante o XXII Congresso da ABEAD em Búzios/RJ.

Vale acrescentar que neste congresso, realizado no início de setembro, o Colégio Bandeirantes recebeu elogios pelo trabalho desenvolvido nas aulas de CPG.

Álcool é droga

fonte: UNIAD – 6 de outubro de 2013

Cerveja, vinho, vodca, cachaça: bebidas vendidas e consumidas sem restrições, sob estímulo da mídia e com aceitação da sociedade. O que não está informado nos rótulos dessas garrafas e nas peças de publicidade com mulheres de biquíni e situações de descontração são os males associados ao seu consumo: doenças crônicas, dependência, acidentes de trânsito, violência urbana e doméstica. “O álcool não é percebido no imaginário social como droga”, alerta Edinilsa Ramos de Souza, pesquisadora do Centro Latino-Americano de Estudos de Violência e Saúde Jorge Carelli (Claves/Ensp/Fiocruz).

Cerca de 4% das mortes no mundo são atribuídas a bebidas alcoólicas, superando as causadas por HIV/aids, violência e tuberculose, de acordo com o Relatório Global sobre Álcool e Saúde da Organização Mundial da Saúde (OM S), de 2011. A OMS avalia que “o uso do álcool continua recebendo pouca atenção em termos de políticas públicas, incluindo as políticas de saúde”, apesar de ser o terceiro maior fator de risco para doenças e invalidez do mundo — em países em desenvolvimento, é o maior risco.

A bebida pode causar diretamente 60 tipos de doenças e lesões (cirrose, pancreatite, cânceres de cólon, reto, mama, laringe, fígado, esôfago, boca e faringe, transtornos mentais, epilepsia, hipertensão, diabetes, má formação de feto) e outras 200 indiretamente (é fator de risco para a transmissão de HIV/aids e tuberculose, por exemplo), além de estar associada a problemas sociais (homicídios, agressões, negligência contra crianças, acidentes de trânsito, faltas ao trabalho).

Bebendo mais e pior

Metade dos brasileiros consome bebidas alcoólicas, identificou o Levantamento Nacional de Álcool e Drogas 2012 (Lenad), realizado pelo Instituto Nacional de Políticas Públicas do Álcool e Outras Drogas (Inpad), da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). “O número de abstêmios se manteve estável, comparado com o do levantamento de 2006; o que vem mudando nesse período é a forma como os brasileiros bebem”, conta Clarice Sandi Madruga, coordenadora do Lenad.

A pesquisa, que ouviu 4.607 brasileiros acima de 14 anos em 149 municípios, registrou aumento de 20% na proporção de bebedores frequentes (que bebem uma vez por semana ou mais), de 45% em 2006 para 54% em 2012. As mulheres foram as que mais contribuíram para a subida do índice: 39% das bebedoras consumiam álcool com frequência em 2012, contra 29% em 2006.

Cresceu também o que os pesquisadores chamam de binge drinking, referindo-se à ingestão de grande quantidade de bebida alcoólica em curto espaço de tempo — quatro doses para mulheres e cinco doses para homens em até duas horas (uma dose é igual a uma lata de cerveja ou uma taça de vinho ou uma dose de destilado, por exemplo). Essa forma de beber foi relatada por 45% dos bebedores em 2006 e por 59% em 2012 — uma alta de 31%.

“Esse grupo é o que mais causa problemas à sociedade, por ser mais numeroso que o de dependentes. Não são doentes, mas adotam um padrão de uso do álcool associado a doenças crônicas e a comportamentos de risco, como dirigir embriagado”, comenta Clarice. A coordenadora do Lenad explica que a prática do binge drinking foi primeiramente detectada na Inglaterra: como os pubs fecham às 23h, os ingleses passaram a intercalar fermentado (cerveja) e destilado (vodca, tequila, uísque, licor) para sentir mais rapidamente o efeito entorpecente do álcool.

Mulheres são alvo

Novamente, o levantamento detectou aumento maior dessa forma de beber entre as mulheres, de 36% para 49% das bebedoras — salto de 36%. A hipótese da pesquisadora para explicar o crescimento do consumo frequente e nocivo por elas é a expansão do mercado de bebidas voltadas para o público feminino, entre elas o ice, mistura de vodca com água gaseificada sabor limão, laranja ou abacaxi. “Acredito que tenha muito a ver com as campanhas publicitárias da indústria destinadas ao sexo feminino”, diz.

A alta no binge drinking também foi mais acentuada nas classes C (43%), D (43%) e E (48%), beneficiadas pelo crescimento econômico dos últimos anos. “Os brasileiros não começam a beber quando têm mais dinheiro, mas os que já bebiam passam a beber mais assim que a situação financeira melhora”, relaciona Clarice.

A dependência ou abuso de álcool atinge 11 milhões de pessoas no país ou 6,8% da população — entre os homens, a taxa chega a 10,5%. “Essa questão deveria receber mais atenção do governo, afinal leva-se em média 11 anos para se estabelecer dependência. É possível identificar precocemente os casos de uso abusivo e existem técnicas para intervenção precoce”, avalia Ana Regina Noto, coordenadora do Núcleo de Pesquisa em Saúde e Uso de Substâncias (Nepsis), da Unifesp.

Custos para o SUS

O álcool bate à porta do SUS via emergência: 16,3% dos atendimentos por acidentes e violências em serviços públicos de urgência e emergência em 2011 envolviam pessoas embriagadas, segundo o Inquérito Viva (Vigilância de Violências e Acidentes), do Ministério da Saúde, que ouviu 47 mil pessoas em 71 hospitais de todas as capitais e do Distrito Federal. O estudo aponta que 49% dos pacientes atendidos por terem sofrido agressão haviam bebido — a maioria homens com idade entre 20 e 39 anos (ver matéria na pág. 19). Também estavam alcoolizados 36,5% dos atendidos por lesão autoprovocada e 21,2% dos atendidos por acidente de trânsito.

“Existe um equívoco em termos de política pública, com o estabelecimento de prioridade para o combate ao crack, enquanto se permite a propaganda de outra droga”, analisa Ana Regina, para quem a política de álcool deveria seguir o bem-sucedido exemplo do tabaco, que teve como efeito a diminuição significativa de fumantes no Brasil (Radis 131), a partir do aumento de preços e da proibição de propaganda, entre outras medidas.

“Políticas de álcool são praticamente inexistentes no Brasil e as poucas leis que existem para regular a indústria não são bem aplicadas”, complementa o coordenador do Centro de Referência em Pesquisa, Intervenção e Avaliação em Álcool e Outras Drogas (Crepeia), da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Telmo Ronzani.

A elaboração da política de drogas brasileira cabe à Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (Senad), ligada ao Ministério da Justiça. Uma busca no site da Senad pode indicar qual é a dimensão do álcool nessa política, o resultado chama a atenção: a palavra álcool leva a 42 textos; crack leva a 125. No Ministério da Saúde, a ação relativa ao consumo de álcool é o tratamento de dependentes, nos Centros de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (Caps AD).

“Há tolerância com o consumo de álcool no país, uma postura de aceitação, uma naturalização do beber, incorporado à nossa cultura”, observa o antropólogo Mauricio Fiore, pesquisador do Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre Psicoativos (Neip). “Metade da população brasileira consome bebidas alcoólicas com alguma frequência, sem que tenha percepção clara de que álcool também é droga: está no limiar entre droga, alimento e combustível da alegria”.

Fiore também cita as campanhas antitabagistas como exemplo a ser seguido: “O cigarro estava igualmente incorporado à cultura brasileira até o Estado começar a afirmar que era, sim, uma droga que provocava sérias consequências à saúde”. O antropólogo diz observar a construção de processo semelhante, de “desnaturalização do álcool”, no mundo. Mas ressalva que esse é mais lento do que o do tabaco, especialmente no Brasil. “Há alguma pressão por uma política pública mais clara, com limitação de venda e publicidade de bebidas, só que infelizmente não ganha velocidade”, diz.

Para a OMS, uma das maneiras mais efetivas de reduzir os problemas associados ao álcool é aumentar o preço das bebidas, a partir de taxação. “Análise recente de 112 estudos sobre o efeito do aumento de impostos nesse setor mostra que, quando as taxas aumentam, o consumo diminui, inclusive entre bebedores problemáticos e jovens”, informa o relatório global da organização. Outras medidas recomendadas são a implementação e a fiscalização de idade mínima para uso e de limites para beber e dirigir, juntamente com restrições à propaganda.

“O Brasil é um país desregulado nessa questão”, opina Clarice, ressaltando que a proibição de venda de álcool para menores de idade não é seguida e que falta regulação de pontos de venda e de publicidade. “Não à toa a AmBev (fabricante de bebidas) é a empresa que mais cresce no país, na ausência de limites para essa indústria”.

“Precisamos desnaturalizar, desbanalizar, tirar o consumo de álcool dessa posição de conforto, como parte da festa e da refeição, ingerido na frente de crianças e adolescentes como se não fosse uma droga”, defende Fiore. “Não se deve demonizar, porque isso não funciona, mas educar para o consumo com algum nível de controle, porque é uma droga”.

Autor: Bruno Dominguez, Elisa Batalha e Liseane Morosini

Adolescentes começam a beber em casa

Primeiro contato nas reuniões de família

Primeiro contato nas reuniões de família

74% dos adolescentes experimentaram bebida alcoólica em casa

Pesquisa do Instituto QualiBest com 183 jovens entre 13 e 17 anos aborda temas como consumo de álcool, drogas e sexualidade. 60% são contra a liberação da maconha

Fonte: Luisa Medeiros, do Mundo do Marketing e Exame.com

Rio de Janeiro – Mais da metade dos adolescentes brasileiros com idades entre 16 e 17 já experimentou bebida alcoólica. O primeiro contato acontece predominantemente em reuniões de família: 74% disseram beber espumantes e vinhos em datas comemorativas como Natal, Reveillon e Páscoa, segundo pesquisa do Instituto QualiBest, que ouviu 183 jovens na faixa etária entre 13 e 17 anos das classes A,B e C que analisou o comportamento nos temas álcool, drogas e sexo.

Quando perguntados sobre drogas, 60% dos entrevistados são contra a legalização da maconha. Entre as justificativas para o posicionamento disseram se tratar de um alucinógeno que induz seus usuários a agressividade e a perturbarem outras pessoas, além de causar problemas de saúde e efeitos colaterais.

Dentre os entrevistados, 89% disseram nunca ter experimentado nenhum tipo de droga. Daqueles que já tiveram algum contato, 59% utilizaram maconha. Para conversar sobre este assunto os amigos são os primeiros a serem procurados por 74% dos adolescentes, enquanto 21% procuram a mãe e 8% em média recorrem ao pai.

No quesito sexo, 19% dos entrevistados já tiveram a primeira relação, e 29% destes disseram ter acontecido aos 14 anos. Para se aconselhar sobre o assunto, 62% conversam com amigos e 22% optam por procurar os pais. Quando se tratam de adolescentes com os pais separados apenas 17% procuram o pai ou a mãe.

Na classe A, 39% procuram aconselhamento sobre sexualidade na família, contra 12% nas classes B e C. A escola aparece como fator importante na educação sexual, pois 76% disseram ter participado de algum programa voltado para o tema na escola. Entre os entrevistados de classe média, 20% procuram os professores para esclarecer dúvidas.

Fumantes morrem dez anos antes do que o restante da população – Revista Veja

Cigarro: Quem fuma vive, em média, uma década a menos do que as outras pessoas, diz estudo (Srdjan Zivulovic/Reuters)

 

Novos estudos mostram ainda que o risco de morte associada ao cigarro, antes maior entre os homens, agora é igual para ambos os sexos

Fonte: Revista Veja

Dois grandes estudos publicados nesta quinta-feira mostraram que homens e mulheres que fumam morrem, em média, dez anos mais cedo do que o restante da população. Além disso, segundo essas pesquisas, a probabilidade de fumantes falecerem por câncer de pulmão ou outras doenças relacionadas ao tabagismo, que antes era maior entre os homens, agora é equivalente para ambos os sexos. Esses trabalhos, feitos por especialistas americanos e canadenses, estão presentes na edição desta semana da revista The New England Journal of Medicine.

Uma dessas pesquisas, coordenada por Prabhat Jha, pesquisador do Centro para Pesquisa em Saúde Global de Toronto, no Canadá, analisou o histórico de 113.752 mulheres e 88.496 homens fumantes ou ex-fumantes que tinham mais do que 25 anos. Foram levados em consideração os registros dos participantes de 1997 a 2004. Segundo o estudo, o tabagismo tira dez anos de vida de um fumante adulto. No entanto, parte desses anos pode ser recuperada caso o indivíduo abandone o vício: a pesquisa revelou que parar de fumar entre 30 e 40 anos pode devolver até nove anos de vida um fumante. Caso o vício seja abandonado entre 40 e 50 anos de idade, são até seis anos de vida recuperados e, depois dos 65 anos, quatro anos de vida.

“Parar de fumar antes dos 40 pode devolver todos os anos perdidos com o cigarro. Mas isso não quer dizer que é seguro que uma pessoa fume até essa idade e depois abandone o vício, já que o risco de morte continua sendo maior do que o da população em geral”, diz Jha. Os resultados ainda mostraram que fumantes de 25 a 79 anos de idade têm o triplo de chance de morrer do que pessoas da mesma feixa-etária que as suas. Além disso, pessoas que nunca fumaram apresentam o dobro de chance de chegar aos 80 anos de idade do que fumantes.

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Mulheres que param de fumar antes dos 30 anos reduzem risco de morte prematura em até 97%

Igualdade entre sexos — A outra pesquisa divulgada no periódico britânico foi feita pela Sociedade Americana de Câncer. Os pesquisadores avaliaram 2,2 milhões de adultos com mais de 55 anos de idade e também o registro de mortes associadas ao cigarro em três períodos nos últimos 50 anos (de 1959 a 1965; de 1982 a 1988; e de 2000 a 2010). Eles descobriram que, se antes o risco de mortes por doenças associadas ao cigarro era maior entre homens, ele passou a ser igual entre ambos os sexos.

“A partir do momento em que as mulheres passam a fumar como os homens, o risco de morte também se torna igual”, diz Michael Thun, coordenador do estudo. De acordo com o pesquisador, o risco de morte por câncer de pulmão entre mulheres fumantes aumentou 23 vezes de 1960 para cá. “É preciso que se passe ao menos 50 anos para que uma epidemia realmente inicie, e nós estamos começando a observar o impacto do aumento do tabagismo no número de doenças e mortes entre mulheres apenas agora”, diz o autor.

Ferreira Gullar mais uma vez

Novamente não podemos deixar de reproduzir um artigo brilhante do poeta Ferreira Gullar. Saiu na Folha de São Paulo, neste domingo 13 de janeiro.

Em junho do ano passado, já havíamos publicado outro artigo dele chamado: “Drogas: qual a alternativa”?

Como na vez anterior, sua abordagem do tema é simples, direta e muito adequada.

Não deixe de ler.

FERREIRA GULLAR

Um confuso bate-boca

O fato mesmo é o seguinte: não há produção e venda de mercadoria alguma se não houver consumidor

Um novo projeto de lei, que deve ser votado pelo Congresso em fevereiro, trouxe de novo à discussão o problema das drogas: reprimir ou descriminalizar?

Esse projeto pretende tornar mais severa a repressão ao tráfico e ao uso de drogas, alegando ser esse o desejo da sociedade. Quem a ele se opõe argumenta com o fato de que a repressão, tanto ao tráfico quanto ao uso de drogas, não impediu que ambos aumentassem.

Quem se opõe à repressão considera, com razão, não ter cabimento meter na prisão pessoas que, na verdade, são doentes, dependentes, consumidores patológicos. Devem ser tratados, e não encarcerados. No entanto, quem defende o tratamento em vez da prisão se opõe à internação compulsória do usuário porque, a seu ver, isso atenta contra a liberdade do indivíduo.

Esse é um debate que não chega a nada nem pode chegar. Se você for esperar que uma pessoa surtada aceite ser internada para tratamento, perderá seu tempo.

Pergunto: um pai, que interna compulsoriamente um filho em estado delirante, atenta contra sua liberdade individual? Deve, então, deixar que se jogue pela janela ou agrida alguém? Está evidente que, ao interná-lo, faz aquilo que ele, surtado, não tem capacidade de fazer.

Mas a discussão não acaba aí. Todas as pessoas que consomem bebidas alcoólicas são alcoólatras? Claro que não. A vasta maioria, que consome os milhões de litros dessas bebidas, bebe socialmente. Pois bem, com as drogas é a mesma coisa: a maioria que as consome não é doente, consome-as socialmente, e muitos desses consumidores são gente fina, executivos de empresas, universitários etc..

Só que a polícia quase nunca chega a eles, pois estes não vão às bocas de fumo comprar drogas. Sem correrem quaisquer riscos, as recebem e as usam. Ninguém vai me convencer de que os milhões de reais que circulam no comércio das drogas são apenas dinheiro de pé-rapado que a polícia prende nas favelas ou debaixo dos viadutos.

Outro argumento falacioso dos que defendem a descriminalização das drogas é o de que a repressão ao tráfico e ao consumo não deu qualquer resultado positivo. Pelo contrário -argumentam eles-, o tráfico e o consumo só aumentaram.

É verdade, mas, se por isso devemos acabar com o combate ao comércio de drogas, deve-se também parar de combater o crime em geral, já que, embora o sistema judicial e o prisional existam há séculos, a criminalidade só tem aumentado em todo o planeta. Seria, evidentemente, um disparate. Não obstante, esse é o argumento utilizado para justificar a descriminalização das drogas.

A maneira certa de encarar tal questão é compreender que nem todos os problemas têm solução definitiva e, por isso mesmo, exigem combate permanente e incessante.

A verdade é que, no caso do tráfico, como no da criminalidade em geral, se é certo que a repressão não os extingue, limita-lhes a expansão. Pior seria se agissem à solta.

Quantas toneladas de cocaína, crack e maconha são apreendidas mensalmente só no Brasil? Apesar disso, a verdade é que cresce o número de usuários de drogas e, consequentemente, a produção delas. Os traficantes têm plena consciência disso, tanto que, para garantir a manutenção e o crescimento de seu mercado, implantam gente sua nas escolas a fim de aliciar meninos de oito, dez anos de idade.

Por tudo isso, deve-se reconhecer que o combate ao tráfico é particularmente difícil, já que, nesse caso, a vítima -isto é, o consumidor- alia-se ao criminoso contra a polícia. Ou seja, ela inventa meios e modos para conseguir que a droga chegue às suas mãos, anulando, assim, a ação policial.

O certo é que este bate-boca não leva a nada. O fato mesmo é o seguinte: não há produção e venda de mercadoria alguma se não houver consumidor.

Só se fabricam automóvel e geladeira porque há quem os compre. O mesmo ocorre com as drogas: só há produção e tráfico de drogas porque há quem as consuma. Logo, a maneira eficaz de combater o tráfico de drogas é reduzindo-lhe o consumo.

E a maneira de conseguir isso é por meio de uma campanha de âmbito nacional e internacional, maciça, mostrando às novas gerações -principalmente aos adolescentes- que a droga destrói sua vida.

 Fonte: “Folha de São Paulo”

Maconha vendida em São Paulo está mais potente, indica estudo

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Análise encomendada pela Folha apontou alta no teor da principal substância psicoativa da droga De acordo com médico, maior potência da droga prolonga os seus efeitos e aumenta os riscos de danos para usuários

MORRIS KACHANIDE DA FOLHA DE SÃO PAULO

A maconha vendida em São Paulo está mais potente. Uma análise do Instituto de Criminalística em 35 amostras apreendidas entre julho e agosto na capital apontou uma média de 5,7% no nível de THC, a principal substância psicoativa da droga. O estudo foi feito a pedido da Folha. Análise semelhante realizada entre 2006 e 2007 mostrou uma média de 2,5%. “O resultado pode indicar uma certa tendência no aumento do princípio ativo da maconha vendida nas ruas, como se tem observado em alguns países desenvolvidos”, diz Mauricio Yonamine, professor de toxicologia da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP. O teor de THC aferido é maior do que a média na maconha apreendida no mundo: de 0,5 a 5%, de acordo com relatório da ONU. Na Holanda e nos Estados Unidos, onde a tecnologia do plantio da droga é mais avançada, essa escalada atinge níveis médios de 15% e 10%, respectivamente. A análise do IC mostrou também um baixo teor de canabidiol -0,6%, em média. A substância presente na planta Cannabis modula o efeito de THC, diminuindo a sensação de ansiedade. “Para reduzir a chance de delírio e alucinação, a proporção deveria ser de um para quatro”, explica Elisaldo Carlini, da Unifesp. Quanto mais potente a maconha, mais forte e prolongado é o seu efeito. “Se pensarmos no uso por adolescentes, os riscos seriam em princípio maiores [de alterações cognitivas, por exemplo]”, afirma o médico psiquiatra Dartiu Xavier, da Unifesp. De acordo com levantamentos feitos pela Senad (Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas) em 2010, 13,2% dos estudantes brasileiros entre 17 e 18 anos e 26,1% dos universitários já tinham fumado maconha pelo menos uma vez na vida.

RESSALVAS

Especialistas ouvidos pela reportagem apontam ressalvas com relação aos estudos, no que diz respeito à representatividade da amostragem e o tempo de armazenamento das apreensões. Mas a escassez de estudos mais aprofundados sobre o tema torna as medições relevantes. A análise feita agora e a anterior adotaram a mesma metodologia e protocolo de medição. O espaço amostral, porém, foi reduzido. Em 2006 e 2007, foram analisadas amostras de 55 apreensões, contra as 35 da investigação atual. Em ambos os estudos, a escolha das amostras foi aleatória e sem preocupação com o estado de conservação da droga. Foram analisados de cigarros prontos a tijolos de 500 gramas os mais, com apreensões feitas tanto no atacado como no varejo. Em função da decomposição natural, quanto mais antiga for a apreensão, menor o nível de THC. José Luiz da Costa, perito do Instituto de Criminalística e presidente da Sociedade Brasileira de Toxicologia, explica por que a interpretação de resultados com análise de maconha é mais complexa que a de outras drogas: “Ela é vegetal. Se eu plantar a mesma semente no pé do morro ou no alto da montanha, o resultado já vai ser diferente”, explica. “Mas a verdade é que a maconha é uma droga tão barata que não justifica você encontrá-la adulterada”, acrescenta Costa.

Paraguaia, droga vem com fungos e formigas

FOLHA DE SÃO PAULO

A maconha vendida em São Paulo é quase toda produzida no Paraguai. A droga aparece misturada a folhas, caules e outras plantas. “E também restos de insetos ou formigas, como em qualquer colheita rudimentar feita de forma clandestina”, explica o perito José Luiz da Costa, do Instituto de Criminalística. Em geral, a maconha paraguaia chega a São Paulo prensada e embalada em filme plástico ou alumínio, e adesivada. As condições de transporte são precárias -normalmente em caminhões, escondida entre outros produtos. Por uma questão econômica, ela não chega ao mercado totalmente seca. É que o tempo de secagem da colheita é relativamente longo (cerca de uma a duas semanas) e as folhas úmidas pesam mais, o que significa um ganho extra para o produtor. Uma monografia coordenada por Costa em 2011 apontou a presença de três tipos de fungos em maconha apreendida, alguns deles comumente encontrados em alimentos em estado de deterioração. Para Dartiu Xavier, da Unifesp, de forma geral, não há nada objetivo quanto ao risco para seres humanos. Os fungos podem causar alergia e intoxicação para pessoas hipersensíveis, como também doenças em indivíduos imunodeprimidos. As condições de embalagem e transporte da maconha prensada também podem favorecer a liberação de amônia, de acordo com Elisaldo Carlini, também da Unifesp. “Com o tempo, a maconha envelhece e se degrada. Pior ainda se estiver umedecida. Amônia na maconha é sinal de má conservação”, diz.

Análise

Desafios para ‘decifrar’ a droga começam antes do laboratório Na Europa, os testes usam milhares de amostras, colhidas regularmente ao longo do ano

TARSO ARAUJO ESPECIAL PARA A FOLHA

Em 2002, o czar antidrogas norte-americano, John Walters, disse ao “Washington Post” que “a maconha de hoje é diferente daquela de uma geração atrás, com potência 10 a 20 vezes mais forte”. Desde então, esse argumento alarmista tem sido usado com frequência nos debates. Ora, nenhum traficante quer vender maconha fraca. Logo, é previsível que o plantio se profissionalize. Assim como buscam tulipas de novas cores e raças de cão mais fortes, quem cultiva Cannabis quer mais THC, o principal psicoativo da planta. Hoje, para fazer isso, há luzes e métodos modernos, sementes selecionadas em décadas de cruzamentos. Tudo na internet. Mas é pequena a chance de camponeses do Paraguai usarem essa tecnologia na produção massiva de maconha. O que fazem é o tal “prensado”, e a prova de que ele não está tão potente assim é visível a olho nu: ele tem sementes. Maconha com muito THC raramente tem sementes, porque, para fabricá-las, a planta usa a energia que precisa para fazer a molécula psicoativa. No Brasil, só se faz maconha de “altos teores” em pequenas plantações caseiras. Esse cultivo “indoor” até tem crescido no país, por causa de usuários que não querem bancar o tráfico, mas sua produção é irrelevante. Logo, é preciso cautela na comparação dos resultados dos testes de 2006/2007 e 2012. Por mais corretas que sejam as análises químicas, a dosagem de THC tem desafios que começam bem antes do laboratório. Um fator crucial para medições confiáveis é ter uma amostragem representativa. Para medir a intenção de voto em São Paulo com algum valor estatístico, não basta entrevistar uns 50 cidadãos em Higienópolis. No caso da maconha: o THC se decompõe rapidamente exposto à luz e ao ar. Se a pesquisa de 2006/2007 usou uma droga colhida há meses, apreendida em “trouxinhas” ou “baseados”, sua baixa potência pode ser mera consequência da má conservação. Se a de 2012 usou amostras novas, lacradas, o THC estava bem preservado. Na Europa, onde se quantifica THC desde a década de 1990, os testes usam milhares de amostras, colhidas regularmente ao longo do ano, de várias fontes, para garantir representatividade. É preciso ter esse cuidado aqui, antes de disparar o alarme. E fazer testes todo ano, de modo padronizado. Não nos faltam bons peritos, apenas verba e vontade política.

TARSO ARAUJO é autor do Almanaque das Drogas e editor da revista “Galileu”

As capas de Veja

A Revista Veja do final do mês passado, chegou às bancas estampando mais uma vez o tema maconha em sua capa.

Inevitáveis os debates sobre a matéria no grupo de CPG. Da discussão surgiu a ideia de analisar todas as possíveis repercussões durante a semana seguinte e só depois publicar um post sobre a revista.

A capa desse ano causou certa polêmica, mas não mais que uma edição de 2000 que afirmava: “A questão não é mais saber se um jovem vai experimentar a erva. A pergunta é quando ele fará isso”. Relendo a matéria 12 anos depois fica evidente que os autores do texto retrataram uma preocupante tendência observada na época e que parece virou “modinha”. Quem convive com adolescentes, seja pai, mãe ou educador, percebeu ao longo desses anos um discurso cada vez mais favorável ao uso, mais liberalizante. Mesmo que os argumentos sejam os do século passado.

Marcha da maconha liberada, certas informações repassadas pela mídia e um vazio maniqueísta quando o assunto é a liberação das drogas têm colaborado bastante para essa postura. Sem falar na “ajudinha” do Presidente uruguaio querendo estatizar a maconha e da recentíssima aprovação do uso recreativo em dois estados norte-americanos.

Na matéria do dia 26 de julho de 2000, a revista já trazia dados sobre os efeitos da Cannabis sativa, principalmente na capacidade de aprendizado dos jovens que iniciam precocemente seu uso. Mesmo assim, na ocasião, a reportagem assustou mais do que esclareceu.

De lá para cá, a quantidade de trabalhos científicos e de pesquisa sobre o tema aumentou e foi possível ter acesso a dados ainda mais consistentes sobre os danos da maconha. O problema que nem sempre eles são divulgados além das revistas especializadas.

E é esse justamente o mérito apontado pela equipe de CPG ao ler a matéria do dia 31 de outubro de 2012 na mesma revista semanal.

Por sua constante capacitação, os professores já tinham conhecimento de muitas das informações divulgadas pela revista. A qualidade das atividades propostas e dos debates com os alunos é diretamente proporcional ao nível de atualização da equipe. Saber que os usuários de maconha têm duas vezes mais riscos de sofrer de depressão, cinco vezes mais chances de desenvolver transtornos de ansiedade e 60% deles têm dificuldades com a memória recente fazem parte de muitas de nossas discussões durante as aulas semanais de CPG.

Não se trata de apoiar uma publicação específica, mas sim avaliar o quanto informações cientificamente coletadas podem e devem ser divulgadas de maneira responsável.

Os dados apresentados podem ser questionados, mas jamais menosprezados em comentários pretensamente politizados ou, no que seria muito pior, experiências pessoais.

Principalmente diante de adolescentes.

O atual liberalismo em torno do consumo da droga está em descompasso com as pesquisas médicas mais recentes. As sequelas cerebrais são duradouras, sobretudo quando o uso se dá na adolescência”, afirma Adriana Dias Lopes.

A afirmação da autora da matéria reflete mais que a postura dos professores de Convivência em Processo de Grupo, reflete a postura da instituição que o acolhe.

Veja alguns dos trabalhos desenvolvidos com os alunos:

“Campanhas de Prevenção às drogas 9.os anos 2011″

“Campanhas de prevenção 9.os anos 2012″

“Prá que álcool se tem brigadeiro???”

Se você ainda não leu a matéria “Maconha Faz mal, sim” clique aqui

Equipe CPG

Confira possíveis riscos do consumo de energéticos

Fonte: Portal Terra

Após cinco casos de mortes relacionadas ao consumo de energético, os Estados Unidos lançaram uma investigação sobre a segurança desse tipo de bebida. Embora esse produto garanta um bum de energia, ele possui uma grande quantidade de cafeína, açúcar e outros ingredientes que podem levar a sérios efeitos colaterais como insônia, aceleração ou irregularidade dos batimentos cardíacos, irritabilidade, agitação etc. O mesmo vale para pílulas de cafeína e outras substâncias que prometem energia imediata. Para saber quais os riscos desse das bebidas energéticas confira a lista organizada pelo Huffignton Post.

Cafeína

Geralmente as bebidas e outros produtos energéticos apresentam doses muito grande de cafeína, cerca de três vezes mais do que uma xícara de café, além de outras substâncias estimulantes. “Há dois problemas no consumo excessivo de cafeína. Ela afeta diretamente o sistema nervoso central e pode levar à desidratação e perda de nutrientes solúveis em água que tem efeito calmante no sistema nervoso. Esse efeito combinado pode causar agitação, problemas de sono e potencialmente leva ao desenvolvimento de ansiedade crônica”, explica K. Steven Whitining, da Phonenix Nutritional.

Ingredientes energéticos

A cafeína normalmente não é a única substância energética presente nesse tipo de bebida. Muitos desses produtos contêm ingredientes como guaraná, açaí, taurina, ginseng, arnitine, creatina, inositol, ginkgo biloba e outros com efeito estimulante, que em excesso também podem causar problemas para a saúde. Porém, nem sempre o consumo de energéticos é negativo. “Tem sido mostrado que a taurina tem capacidade de melhorar a performance atlética, o que pode ter sido responsável pela adição dela em diversas bebidas energéticas. A mistura dessa substância também pode melhorar o desempenho mental, mas as pesquisas sobre isso ainda são inconclusivas”, diz Amy Shapiro, da Real Nutrition.

Açúcar

O fato das bebidas energéticas terem grandes quantidades de açúcar também pode ser responsável por outros problemas de saúde, principalmente para crianças e pessoas com risco de diabetes. Mesmo para os não diabéticos a ingestão de altas doses de açúcar causa um pico de glicemia e, em seguida, traz uma exaustão ainda maior do que a sentida antes do consumo do produto. As versões sem açúcar contêm adoçantes artificiais, mas continuam a ter substâncias estimulantes e, portanto, não está isentas de riscos.

Consumo infantil

Com o apoio de personagens de desenho animado ou atletas famosos, as bebidas energéticas possuem grande apelo para crianças e adolescentes. “Os jovens realmente precisam ter cuidado com esse tipo de produto porque eles agem diretamente no sistema nervoso central, que no caso deles não está completamente desenvolvido. Por isso, o energético pode causar danos a longo prazo”, alerta Whiting. Então, converse com o médico de seu filho sobre qual é a quantidade aceitável de cafeína que ele pode consumir e garanta que ele entenda os riscos do consumo dos energéticos.

Mistura com bebida alcoólica

Quando a bebida energética é misturada a álcool pode gerar ainda mais efeitos colaterais. Por isso, alguns estados norte-americanos, incluindo Nova York, proibiram esse tipo de combinação, mesmo assim muitas pessoas continuam a usar os energéticos em drinks. “A combinação de cafeína e álcool pode causar efeitos adversos, uma vez que a cafeína aumenta a absorção do álcool aumentando o risco de intoxicação”, explica Shapiro. Embora muitas pessoas considerem que a cafeína irá eliminar o sono e deixá-las mais alerta quando alcoolizadas, ela não consegue mudar o efeito do álcool sobre o cérebro.

Shot energético

Alguns shots prometem uma explosão de energia que ajudaria a pessoa a se manter alerta durante o dia todo. No entanto, apesar de normalmente não possuírem muito açúcar, esse tipo de produto não costuma especificar a quantidade exata de cafeína. “O problema desses produtos é que ninguém sabe realmente o quanto é demais”, defende Whiting. Segundo ele não há nenhum estudo específico a respeito da dose apropriada de cafeína e outras substâncias estimulantes. Os energéticos raramente vêm acompanhados de avisos ou precauções necessárias.

Pastilha energética

As pastilhas com cafeína oferecem tantos riscos quanto bebidas energéticas, porém são vendidas também a adolescentes e pré-adolescentes. “Esse tipo de produto provavelmente é absorvido ainda mais rápido pelo organismo, pois vai direto para a corrente sanguínea através da língua”, informa Shapiro.

Cápsula de cafeína

O risco do consumo deste tipo de produto aumenta ainda mais quando combinado a outras substâncias energéticas. “O problema é que muitas vezes as pessoas consomem mais de uma espécie de energético para ficar acordado. Tomam uma cápsula de cafeína, uma xícara de café, depois uma bebida

Fumo entre adolescentes

Quer prevenir o tabagismo entre adolescentes? Entenda por que eles fumam e como falar com seu filho adolescente sobre cigarros.

Fonte: Clínica Mayo e Blog da ACTbr(Aliança de Controle do Tabagismo)

Dez maneiras de ajudar o adolescente a manter-se longe do cigarro

1: Entenda a atração exercida pelo cigarro

O fumo entre adolescentes pode ser uma forma de rebeldia ou um modo de se sentir parte de um determinado grupo de amigos. Alguns adolescentes acendem o cigarro na tentativa de perder peso ou de se sentir melhor consigo mesmos. Outros fumam para parecer moderno, atual ou independente. Pergunte ao adolescente como ele(a) se sente sobre o tabagismo e se algum de seus amigos fumam. Reconheça as boas escolhas e fale sobre as consequências das más escolhas. Você também pode falar sobre como as empresas de tabaco tentam influenciar o modo como se vê o tabagismo – por exemplo, mostrando o fumo em filmes de forma atraente ou glamourosa, para criar a percepção de que fumar seria fascinante.

2: Diga não ao fumo entre adolescentes

Você pode sentir que o adolescente não ouve uma palavra que você diz, mas diga assim mesmo. Diga a seu filho adolescente que não é permitido fumar. Sua desaprovação pode ter mais impacto do que você pensa. Adolescentes cujos pais demonstram de forma clara suas restrições ao tabagismo na adolescência tendem a fumar menos do que aqueles cujos pais não estabelecem limites. O mesmo acontece no caso dos adolescentes que se sentem mais próximos de seus pais.

3: Dê um bom exemplo

O tabagismo é mais comum entre adolescentes cujos pais fumam. Se você não fuma, mantenha-se assim. Se você fuma, pare – agora. Quanto mais cedo você parar de fumar, menor a probabilidade de seu filho adolescente tornar-se um fumante. Pergunte ao seu médico sobre as formas de parar de fumar. Enquanto isso, não fume em casa, no carro ou na frente de seu filho adolescente, e não deixe os cigarros onde ele(a) possa encontrá-los. Explique o quão insatisfeito ou infeliz se sente por fumar, como é difícil parar e que você vai continuar tentando até largar o cigarro para sempre.

4: Apelo à vaidade

Fumar não é glamouroso. Lembre que fumar é sujo e malcheiroso. Fumar dá mau hálito e rugas. Faz as roupas e cabelo ficarem cheirando a cigarro, e os dentes ficam amarelados. Fumar pode provocar uma tosse crônica e menos energia para praticar esportes e outras atividades agradáveis.

5: Faça as contas

Fumar é caro. Ajude o adolescente a calcular o custo semanal, mensal ou anual de fumar um maço por dia. Compare o custo de fumar com o preço de aparelhos eletrônicos, roupas ou outros itens de interesse dele(a).

6: Considere a pressão dos colegas

Amigos que fumam podem ser convincentes, mas você pode ajudar o adolescente a lidar com situações sociais difíceis e discutir como recusar a oferta de cigarros. Pode ser algo tão simples como dizer: “Não, obrigado, eu não fumo.” Quanto mais o adolescente pratica esta recusa básica, maior a probalidade de dizer não no momento da verdade.

7: Leve a dependência a sério

A maioria dos adolescentes acredita que podem parar de fumar a qualquer hora. No entanto, adolescentes podem tornar-se tão dependentes do tabaco quanto os adultos – muitas vezes rapidamente e com doses relativamente baixas de nicotina. Uma vez dependente, é difícil parar de fumar.

8: Fale sobre o futuro

Adolescentes tendem a achar que coisas ruins só acontecem com os outros. Explique as consequências do tabagismo a longo prazo – como o câncer, ataque cardíaco

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e acidente vascular cerebral (derrame). Mencione exemplos de conhecidos, familiares ou celebridades que ficaram doentes por causa do fumo.

9: Pense além dos cigarros

Tabaco sem fumaça, cigarros de cravo ou com sabor doce às vezes são confundidos como menos prejudiciais ou viciantes do que os cigarros tradicionais. O narguilé (fumar tabaco através de uma tubulação de água) é também por vezes apresentado como seguro. Não deixe o adolescente ser enganado. Como os cigarros tradicionais, estes produtos são viciantes e podem causar câncer e outros problemas de saúde. Muitos têm concentrações até mais elevadas de nicotina, alcatrão e monóxido de carbono.

10: Participe

Tenha uma postura ativa contra o tabagismo na adolescência. Participe de campanhas anti-tabagismo na escola, apóie esforços para tornar os lugares públicos livres de fumo e o aumento de impostos sobre os produtos de tabaco, que são medidas que podem ajudar a reduzir as chances do adolescente tornar-se um fumante.

Caso o adolescente já tenha começado a fumar, evite ameaças ou ultimatos. Em vez disso, tente descobrir por que seu filho adolescente fuma – e discutir formas de ajudá-lo. Evitar fumar ou cessar o tabagismo é uma das melhores coisas que o adolescente pode fazer por sua vida e sua saúde.

Conheça os riscos do consumo excessivo de álcool

Portal de Paulínia e Blog Dependência Química

Aproximadamente dois bilhões de pessoas em todo o mundo ingerem bebidas alcoólicas.

Além de atuar no funcionamento cerebral (deprime as atividades do Sistema Nervoso Central), o álcool também age diretamente em diversos órgãos, como fígado, coração e parede do estômago, contribuindo para que seus efeitos na saúde sejam ainda mais complexos.

Aproximadamente dois bilhões de pessoas em todo o mundo ingerem bebidas alcoólicas. Foi indicado que o volume médio de álcool puro consumido por pessoa no Brasil equivale a 6,9 litros por ano, quantidade inferior aos padrões da Europa (13 litros), Estados Unidos (9,4 litros) e Canadá (9,8 litros), porém elevado.

Além do volume ingerido, é importante estar atento ao padrão de uso da substância, ou seja, a maneira ou circunstâncias em que isso ocorre.

Por exemplo, os padrões mais pesados de uso frequentemente expõem o consumidor a diversos tipos de problemas e ao desenvolvimento de transtornos relacionados ao consumo de álcool (abuso e dependência).

É o caso do beber pesado episódico (BPE, definido como a ingestão de cinco ou mais doses de álcool para homens e quatro ou mais doses para mulheres em um período de 2h), considerado um dos principais indicadores relacionados ao padrão de uso prejudicial desta substância, que tem um impacto significativo no cenário mundial.

Entre os principais prejuízos do BPE, destacam-se os danos à saúde física, sexo desprotegido, gravidez indesejada, infarto agudo do miocárdio, overdose alcoólica, quedas, violência (incluindo brigas, violência doméstica e homicídios), acidentes de trânsito, comportamento antissocial como, por exemplo, na família e trabalho além de queda no rendimento escolar e ocupacional, tanto em jovens como na população em geral.

Em contraste aos padrões de uso pesado, diversos estudos apontam que em pequenas quantidades as bebidas alcoólicas podem ser benéficas à saúde, estando associadas à diminuição no risco de doenças cardiovasculares, diminuição nas perdas cognitivas decorrentes da idade, redução de estresse e de ansiedade, promoção de bem-estar, entre outros fatores.

Entretanto, vale ressaltar que não existe um nível seguro para o consumo do álcool; se a pessoa bebe, já pode estar em risco de sofrer problemas de saúde e outros, principalmente, se ingerir mais de duas doses por dia e não deixar de beber pelo menos dois dias na semana.

Uma dose-padrão de bebida alcoólica (350 ml de cerveja, 150 ml de vinho ou 50 ml de destilado) contém, aproximadamente, 14 g de álcool puro.

Maconha artificial

Estados Unidos tentam fechar cerco contra maconha artificial

Ingrid Tavares
Do UOL, em São Paulo

24/09/2012

Os Estados Unidos entram em uma nova fase na luta contra as drogas nesta semana. Após uma investigação que buscou provas em todo o país desde o Ano-Novo de 2012, as autoridades devem indiciar três pessoas pela produção e distribuição de maconha artificial.
“O spice [gíria em inglês para maconha artificial] é bem popular tanto nos Estados Unidos quanto no Reino Unido há alguns anos. O relatório de drogas da ONU, que é feito por um escritório bem formal e distante das ruas, começou a dar destaque para ele no fim da década passada, em 2009, mas é um fenômeno dos anos 2000”, explica o jornalista Tarso Araujo, autor do Almanaque das Drogas, da editora Leya.
Para driblar a legislação dos EUA, a droga extraída da planta Cannabis passou a ser também fabricada em laboratórios caseiros com um processo químico lucrativo e, até então, legalizado. A maconha artificial é uma mistura feita de ervas, incenso, grama, acetona e canabinoides sintéticos importados da China e da Índia.
Mas agora, Dylan Harrison, John Shealy e Michael Bryant, sócios da empresa Mr. Nice Guy, podem ficar até 30 anos atrás das grades por comercializar mais de cem pacotes com ervas medicinais “turbinadas” com elementos químicos por semana.
Brecha
Identificados por siglas alfa-numericas, esses químicos eram permitidos, pois imitavam os efeitos da droga sem trazer na sua composição o THC (tetrahidrocanabinol) ou outras substâncias psico-ativas proibidas da maconha. Quando a Justiça descobria qual o canabinoide sintético comercializado, os fabricantes mudavam a fórmula e vendiam uma nova droga no lote seguinte, mantendo-se sempre à frente da lei.
“Esses elementos são perigosos porque são mais potentes do que os canabinoides ‘naturais’ da maconha. Estudos apontam que eles se encaixam com mais intensidade nos receptores de canabinoides que existem em várias partes do nosso organismo – do hipocampo ao sistema gástrico, que regula nosso apetite”, afirma Araujo.
A maconha tem uma sigla menos conhecida, o CBD, mas que faz um importante contraponto no cérebro das pessoas aos males provocados pelos canabinoides. “O canabidiol [CBD] é outro componente da planta da maconha, mas que não traz esses efeitos nocivos, como ataques de ansiedade e esquizofrenia provocados pelo THC”, explica o neuropsicólogo Paulo Jannuzzi Cunha, pesquisador do IPq (Instituto de Psiquiatria) do Hospital das Clínicas. “Ele mimetiza o efeito de relaxamento, por exemplo, mas não chega a trazer o efeito mais danoso no cérebro que o THC carrega e que causa o ‘barato’ maior.”
A ausência do CBD na substância de laboratório pode explicar o porquê de a droga ser mais nociva (e preocupante) do que a “original”. Relatos médicos indicam que os usuários da maconha artificial apresentaram sérios transtornos psiquiátricos quando não ficavam catatônicos.
“Essas drogas têm dois aspectos que facilitam o uso e atraem os jovens para o consumo: o acesso fácil e também o fator de risco desconhecido, que se encaixa no perfil do jovem, que não se importa com as consequências”, lembra Cunha, especializado em dependentes químicos.
O imbróglio
A Justiça começou a combater o uso descontrolado da maconha sintética há dois anos, quando um ato proibiu o uso de cinco substâncias bastante populares, entre elas JWH-018, AM-2201 e HU-210, e, principalmente, seus análogos.
Mas os advogados dos três empresários de Miami alegam que eles comercializavam um composto bem diferente, fato que os protegeu até julho. Mas há dois meses, o presidente Barack Obama baniu todos os tipos de canabinoides artificiais, enquadrando o grupo de vez.
“UR-144 é um dos componentes estruturalmente diferente das substâncias banidas e muito difícil de ser enquadrado na lei dos análogos. Basicamente, eles mudaram uma molécula e a substituíram por um novo grupo químico. O produto com UR-144 não vai causar euforia, alterar a percepção nem mexer nas habilidades motoras, e isso não é uma mudança pequena”, alegam Thomas Wright e Spencer Siegel à imprensa norte-americana.
O escritório da dupla ficou especializada em prestar assessoria jurídica, ao custo mensal de US$ 3.500, a vários fabricantes e distribuidores de drogas sintéticas no país. O caso da empresa Mr. Nice Guy é um emblema contra a fragilidade do sistema jurídico que, segundo a dupla, não está preparado para entender a questão das drogas sintéticas.
“Além da proibição de novas drogas sintéticas não ter efeito prático, ela dá condições para o mercado negro. O movimento de proibir essas drogas gera substâncias em que o controle de qualidade é muito baixo e que não têm testes clínicos. É um tiro no pé, na minha opinião”, conclui o autor do Almanaque das Drogas.