Maior pesquisa global sobre drogas começou ontem no Brasil

O Levantamento Global de Drogas (Global Drug Survey – GDS) é a maior pesquisa online independente e neutra sobre consumo de substâncias no mundo. O estudo é organizado pelo pesquisador Adam Winstocke, do Kings College London, e conta com pesquisadores experts em dependência química e áreas afins ao redor do mundo, que colaboram para a sua realização. No Brasil, o estudo é organizado pela pesquisadora da UNIFESP Clarice Sandi Madruga, contando também com o apoio da Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas (UNIAD) e da Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina (SPDM).O Levantamento Global de Drogas é realizado há mais de uma década, com a participação de cada vez mais países ano a ano. Ele explora temas relacionados ao uso de substâncias que requerem atenção imediata, como, por exemplo, a evolução da penetração de novas drogas em cada nação, sua disponibilidade e efeitos. Embora não forneça dados representativos sobre toda a população de um país, é capaz de investigar de forma mais aprofundada esses temas, já que alcança os indivíduos do principal grupo de risco para consumo de substâncias: jovens das classes média e média/alta, residentes em centros urbanos.Por ser completamente sigilosa, a coleta de dados online permite que usuários se sintam seguros para responder o questionário, obtendo resultados mais fidedignos. Para países como o Brasil, com grande território, a coleta online também é uma forma mais acessível e barata de observarmos mudanças quanto ao acesso, consumo e efeitos comuns ao uso de substâncias no decorrer do tempo.

Em 2015 mais de 101 mil pessoas de mais de 50 países responderam o inquérito online anonimamente em 11 línguas e, pela primeira vez, o Brasil participou oficialmente, com uma amostra de 5749 participantes.
Os resultados de 2014 do Brasil já surpreenderam a equipe internacional de experts. Nosso país despontou dos demais nos seguintes temas:

  • Consumo muito acima da média mundial de cocaína.
  • Maior procura por serviços de emergência em decorrência ao uso de cocaína em comparação a todos os demais países, indicando maior potência da droga.
  • Consumo acima da média mundial de inibidores de apetite entre mulheres e de esteróides anabolizantes entre homens.
  • Consumo de álcool acima da média mundial e, para alguns indicadores, ficando abaixo somente da Irlanda.

Este ano o GDS está dando uma atenção especial para a entrada de novas drogas sintéticas nos países, para a compra de entorpecentes pela internet e o consumo de cigarros eletrônicos. Atualmente, o levantamento já é a fonte mais completa sobre o acesso, consumo e efeitos de novas drogas sintéticas ao redor do mundo, em especial sobre a cannabis sintética, gerando diversas publicações em revistas científicas de alto impacto e fornecendo dados para diversas instituições como o European Monitoring Centre for Drugs and Drug Addiction (EMCDDA) e United Nations Office on Drugs and Crime (UNODC).

A pesquisa também tem o intuito de educação e prevenção. Acredita-se que o acesso à informações precisas sobre o próprio consumo permite uma tomada de decisões mais inteligente, diminuindo os riscos relacionados ao uso de substâncias.

Para participar e colaborar com essa idéia bastam 30 minutos do seu tempo!
Conecte-se e responda o questionário. O GDS fará a coleta até dia 30 de Dezembro.
Divulgue!

www.globaldrugsurvey.com/gds2016/
Selecione a língua “Português do Brasil” e “Continue”


Mais sobre o GDS:

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Teens, Mídias Sociais e Tecnologia – 2015

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Pew Research Center divulgou uma nova pesquisa sobre o uso das mídias sociais e da tecnologia pelos jovens. Ela traz uma visão geral sobre o uso das mídias sociais e da tecnologia pelos adolescentes em 2015.
A principal conclusão é de que o advento dos smartphones e outros dispositivos móveis amplificou a presença online dos adolescentes. Segundo os pesquisadores, 24% deles estão online “quase constantemente” e 92% estão conectados diariamente.
Entre os de 13 e 17 anos, 56% afirmaram navegar na internet a partir dos “mobile devices” várias vezes ao dia, 12%, uma vez por dia.
Esses dados surgem de um universo onde cerca três quartos possuem “telefones inteligentes”, 30% ainda usam modelos básicos e 12% dizem não ter celular.

Outros dados:
O Facebook ainda é o preferido de 71% dos adolescentes.

Instagram e o Snapchat cresceram, mas ainda não superaram a rede social do Sr. Zuckerberg no uso frequente.

Entre jovens mais ricos a rede social de mais sucesso é o Snapchat

Garotas dominam as mídias sociais focadas em imagens, os garotos os vídeo games.

Veja mais detalhes da pesquisa aqui.

Em tempo: Dois anos atrás, uma outra pesquisa analisou como os jovens lidavam com a privacidade online.


Monitoring the Future – 2014

nida_mtf2014_infographic_sections_0_headerMonitoring the Future é uma pesquisa anual com alunos do 8º, 10º e 12º anos* conduzida por pesquisadores da Universidade de Michigan com  subsídio do NIH (National Institute on Drug Abuse dos EUA). Desde 1975, a pesquisa avalia o consumo de drogas, álcool e tabaco em alunos do último ano ensino médio e desde 1991, avalia-se alunos do 8º e 10º anos. No geral, 41.551 alunos de 377 escolas públicas e privadas participaram da pesquisa de 2014.
Mais detalhes no slideshow e no vídeo.

Clique aqui para ver outros dados.
*equivalente ao 8º ano do ensino fundamental e ao 1º e 3º ano do ensino médio no Brasil

International Resource Finder

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A Mentor International através do Prevention Hub lançou uma ferramenta para ajudar na busca de atividades para quem se preocupa com prevenção. Seja pai, mãe ou professor.

Chama-se International Resource Finder e é bem interativa.
Foi desenvolvida como parte de um projeto de curadoria de conteúdo sobre prevenção ao uso de drogas.
As fontes desse material são grandes organizações mundiais reconhecidas por sua seriedade no trabalho preventivo.
Ao clicar na aba “Parent/Family Member”, por exemplo, você escolhe a idade de filhos ou netos e a partir dai tem acesso a sites, publicações, folhetos sobre o tema.
Para professores o processo é o mesmo, mas nesse caso você encontra dicas de atividades como essa: “Youth Activities for the classroom & Beyond: Arts/Music”.
Os critérios utilizados para as indicações são:
  • Serem baseadas em evidências
  • Acessíveis ao público
  • Envolventes e relevantes em design e formato
  • Não terem custos
A ferramenta ainda está em desenvolvimento e recebe sugestões de material através do e-mail: update@mentorinternational.org

Taxas de prevalência de fumantes caem e menos jovens experimentam álcool

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A dica veio da Anna Monteiro, diretora de comunicação da ACTBr.

As taxas de tabagismo na Austrália continuam a cair, de acordo com novos resultados divulgados em julho pelo Instituto Australiano de Saúde e Bem Estar (Australian Institute of Health and Welfare – AIHW).

As descobertas da Pesquisa Nacional sobre Estratégias para Drogas 2013 mostraram que poucos australianos estão fumando no dia-a-dia, e as taxas caíram significantemente entre 2010 e 2013, de 15.1% para 12.8%, entre pessoas acima de 14 anos. “Isto significa que as taxas de fumo estão caindo desde 1991”, disse o porta-voz da AIHW Geoff Neideck. “Os fumantes também reduziram o número de cigarros que fumam semanalmente de 111 cigarros em 2010 para 96, em 2013”.

A pesquisa também demonstrou que os jovens estão começando a fumar mais tarde. A proporção de jovens entre 12 e 17 anos que nunca fumou continuou alta em 2013, em 95%, e a proporção daqueles entre 18-24 que nunca fumaram subiu significativamente entre 2010 e 2013 (de 72% para 77%).

A idade média da experimentação do primeiro cigarro completo subiu dos 14.2 anos para 15.9, entre 1995 e 2013.

A pesquisa também constatou que os jovens estão demorando mais para experimentar a primeira dose de bebida alcoólica. A idade média da experimentação passou dos 14.4 anos para 15.7, entre 1998 e 2013. “Menos  jovens entre 12 e 17 anos estão bebendo álcool, com proporção de abstêmios subindo de 64% para 72% entre 2010 e 2013”, disse Neideck. “Outra boa notícia é que, em comparação a 2010, menos pessoas beberam álcool em quantidade que excedem os riscos em 2013”.

Quase 5 milhões de pessoas acima de 14 anos (26%) relataram terem sido vítimas de incidentes relacionados ao consumo de álcool em 2013 – um declínio em relação a 2010, de 29%.

Mais informações: http://www.aihw.gov.au/alcohol-and-other-drugs/ndshs/

Global Drugs Survey(GDS) #GDS2014

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O Levantamento Global de Drogas(GDS) é a maior pesquisa sobre drogas que se conhece. Seu objetivo é mapear o consumo de substâncias ao redor do mundo. É online e confidencial.

O GDS é coordenado pelo professor Adam Winstock do Kings College de Londres e por uma equipe de especialistas mundiais. Conta com a participação de 33 países e pela primeira vez o Brasil está entre eles. Em nosso país, a Dra Clarice Sandi Madruga pesquisadora da UNIAD/INPAD é uma das colaboradoras.

Os dados obtidos ajudam a pensar políticas públicas de saúde e também no desenvolvimento de estratégias para serviços comunitários e instituições de ensino

O link para a pesquisa está aqui. Clicando na bandeira de Portugal é possível responder a pesquisa em português. Participando desse projeto, você contribuirá para aumentar o conhecimento sobre o consumo de substâncias em nosso país.

A pesquisa fica no ar por um mês. Nesta primeira semana atingiu mais de 20 mil participantes no mundo, porém só 200 no Brasil.

Vamos colaborar?

Os links abaixo ajudam a conhecer um pouco mais sobre o projeto

www.globaldrugsurvey.com

http://drugsmeter.com

www.drinksmeter.com

Álcool é droga

álcool é droga

Sem moderação, bebida provoca doenças crônicas e potencializa acidentes e violência

A matéria abaixo foi publicada no site da UNIAD(Unidade de Pesquisas em Álcool e Drogas). Ela trás algumas informações sobre o II Lenad (Levantamento Nacional de Álcool e Drogas). Clarice Sandi Madruga, coordenadora desse levantamento, apresentou alguns resultados durante o XXII Congresso da ABEAD em Búzios/RJ.

Vale acrescentar que neste congresso, realizado no início de setembro, o Colégio Bandeirantes recebeu elogios pelo trabalho desenvolvido nas aulas de CPG.

Álcool é droga

fonte: UNIAD – 6 de outubro de 2013

Cerveja, vinho, vodca, cachaça: bebidas vendidas e consumidas sem restrições, sob estímulo da mídia e com aceitação da sociedade. O que não está informado nos rótulos dessas garrafas e nas peças de publicidade com mulheres de biquíni e situações de descontração são os males associados ao seu consumo: doenças crônicas, dependência, acidentes de trânsito, violência urbana e doméstica. “O álcool não é percebido no imaginário social como droga”, alerta Edinilsa Ramos de Souza, pesquisadora do Centro Latino-Americano de Estudos de Violência e Saúde Jorge Carelli (Claves/Ensp/Fiocruz).

Cerca de 4% das mortes no mundo são atribuídas a bebidas alcoólicas, superando as causadas por HIV/aids, violência e tuberculose, de acordo com o Relatório Global sobre Álcool e Saúde da Organização Mundial da Saúde (OM S), de 2011. A OMS avalia que “o uso do álcool continua recebendo pouca atenção em termos de políticas públicas, incluindo as políticas de saúde”, apesar de ser o terceiro maior fator de risco para doenças e invalidez do mundo — em países em desenvolvimento, é o maior risco.

A bebida pode causar diretamente 60 tipos de doenças e lesões (cirrose, pancreatite, cânceres de cólon, reto, mama, laringe, fígado, esôfago, boca e faringe, transtornos mentais, epilepsia, hipertensão, diabetes, má formação de feto) e outras 200 indiretamente (é fator de risco para a transmissão de HIV/aids e tuberculose, por exemplo), além de estar associada a problemas sociais (homicídios, agressões, negligência contra crianças, acidentes de trânsito, faltas ao trabalho).

Bebendo mais e pior

Metade dos brasileiros consome bebidas alcoólicas, identificou o Levantamento Nacional de Álcool e Drogas 2012 (Lenad), realizado pelo Instituto Nacional de Políticas Públicas do Álcool e Outras Drogas (Inpad), da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). “O número de abstêmios se manteve estável, comparado com o do levantamento de 2006; o que vem mudando nesse período é a forma como os brasileiros bebem”, conta Clarice Sandi Madruga, coordenadora do Lenad.

A pesquisa, que ouviu 4.607 brasileiros acima de 14 anos em 149 municípios, registrou aumento de 20% na proporção de bebedores frequentes (que bebem uma vez por semana ou mais), de 45% em 2006 para 54% em 2012. As mulheres foram as que mais contribuíram para a subida do índice: 39% das bebedoras consumiam álcool com frequência em 2012, contra 29% em 2006.

Cresceu também o que os pesquisadores chamam de binge drinking, referindo-se à ingestão de grande quantidade de bebida alcoólica em curto espaço de tempo — quatro doses para mulheres e cinco doses para homens em até duas horas (uma dose é igual a uma lata de cerveja ou uma taça de vinho ou uma dose de destilado, por exemplo). Essa forma de beber foi relatada por 45% dos bebedores em 2006 e por 59% em 2012 — uma alta de 31%.

“Esse grupo é o que mais causa problemas à sociedade, por ser mais numeroso que o de dependentes. Não são doentes, mas adotam um padrão de uso do álcool associado a doenças crônicas e a comportamentos de risco, como dirigir embriagado”, comenta Clarice. A coordenadora do Lenad explica que a prática do binge drinking foi primeiramente detectada na Inglaterra: como os pubs fecham às 23h, os ingleses passaram a intercalar fermentado (cerveja) e destilado (vodca, tequila, uísque, licor) para sentir mais rapidamente o efeito entorpecente do álcool.

Mulheres são alvo

Novamente, o levantamento detectou aumento maior dessa forma de beber entre as mulheres, de 36% para 49% das bebedoras — salto de 36%. A hipótese da pesquisadora para explicar o crescimento do consumo frequente e nocivo por elas é a expansão do mercado de bebidas voltadas para o público feminino, entre elas o ice, mistura de vodca com água gaseificada sabor limão, laranja ou abacaxi. “Acredito que tenha muito a ver com as campanhas publicitárias da indústria destinadas ao sexo feminino”, diz.

A alta no binge drinking também foi mais acentuada nas classes C (43%), D (43%) e E (48%), beneficiadas pelo crescimento econômico dos últimos anos. “Os brasileiros não começam a beber quando têm mais dinheiro, mas os que já bebiam passam a beber mais assim que a situação financeira melhora”, relaciona Clarice.

A dependência ou abuso de álcool atinge 11 milhões de pessoas no país ou 6,8% da população — entre os homens, a taxa chega a 10,5%. “Essa questão deveria receber mais atenção do governo, afinal leva-se em média 11 anos para se estabelecer dependência. É possível identificar precocemente os casos de uso abusivo e existem técnicas para intervenção precoce”, avalia Ana Regina Noto, coordenadora do Núcleo de Pesquisa em Saúde e Uso de Substâncias (Nepsis), da Unifesp.

Custos para o SUS

O álcool bate à porta do SUS via emergência: 16,3% dos atendimentos por acidentes e violências em serviços públicos de urgência e emergência em 2011 envolviam pessoas embriagadas, segundo o Inquérito Viva (Vigilância de Violências e Acidentes), do Ministério da Saúde, que ouviu 47 mil pessoas em 71 hospitais de todas as capitais e do Distrito Federal. O estudo aponta que 49% dos pacientes atendidos por terem sofrido agressão haviam bebido — a maioria homens com idade entre 20 e 39 anos (ver matéria na pág. 19). Também estavam alcoolizados 36,5% dos atendidos por lesão autoprovocada e 21,2% dos atendidos por acidente de trânsito.

“Existe um equívoco em termos de política pública, com o estabelecimento de prioridade para o combate ao crack, enquanto se permite a propaganda de outra droga”, analisa Ana Regina, para quem a política de álcool deveria seguir o bem-sucedido exemplo do tabaco, que teve como efeito a diminuição significativa de fumantes no Brasil (Radis 131), a partir do aumento de preços e da proibição de propaganda, entre outras medidas.

“Políticas de álcool são praticamente inexistentes no Brasil e as poucas leis que existem para regular a indústria não são bem aplicadas”, complementa o coordenador do Centro de Referência em Pesquisa, Intervenção e Avaliação em Álcool e Outras Drogas (Crepeia), da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Telmo Ronzani.

A elaboração da política de drogas brasileira cabe à Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (Senad), ligada ao Ministério da Justiça. Uma busca no site da Senad pode indicar qual é a dimensão do álcool nessa política, o resultado chama a atenção: a palavra álcool leva a 42 textos; crack leva a 125. No Ministério da Saúde, a ação relativa ao consumo de álcool é o tratamento de dependentes, nos Centros de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (Caps AD).

“Há tolerância com o consumo de álcool no país, uma postura de aceitação, uma naturalização do beber, incorporado à nossa cultura”, observa o antropólogo Mauricio Fiore, pesquisador do Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre Psicoativos (Neip). “Metade da população brasileira consome bebidas alcoólicas com alguma frequência, sem que tenha percepção clara de que álcool também é droga: está no limiar entre droga, alimento e combustível da alegria”.

Fiore também cita as campanhas antitabagistas como exemplo a ser seguido: “O cigarro estava igualmente incorporado à cultura brasileira até o Estado começar a afirmar que era, sim, uma droga que provocava sérias consequências à saúde”. O antropólogo diz observar a construção de processo semelhante, de “desnaturalização do álcool”, no mundo. Mas ressalva que esse é mais lento do que o do tabaco, especialmente no Brasil. “Há alguma pressão por uma política pública mais clara, com limitação de venda e publicidade de bebidas, só que infelizmente não ganha velocidade”, diz.

Para a OMS, uma das maneiras mais efetivas de reduzir os problemas associados ao álcool é aumentar o preço das bebidas, a partir de taxação. “Análise recente de 112 estudos sobre o efeito do aumento de impostos nesse setor mostra que, quando as taxas aumentam, o consumo diminui, inclusive entre bebedores problemáticos e jovens”, informa o relatório global da organização. Outras medidas recomendadas são a implementação e a fiscalização de idade mínima para uso e de limites para beber e dirigir, juntamente com restrições à propaganda.

“O Brasil é um país desregulado nessa questão”, opina Clarice, ressaltando que a proibição de venda de álcool para menores de idade não é seguida e que falta regulação de pontos de venda e de publicidade. “Não à toa a AmBev (fabricante de bebidas) é a empresa que mais cresce no país, na ausência de limites para essa indústria”.

“Precisamos desnaturalizar, desbanalizar, tirar o consumo de álcool dessa posição de conforto, como parte da festa e da refeição, ingerido na frente de crianças e adolescentes como se não fosse uma droga”, defende Fiore. “Não se deve demonizar, porque isso não funciona, mas educar para o consumo com algum nível de controle, porque é uma droga”.

Autor: Bruno Dominguez, Elisa Batalha e Liseane Morosini

Adolescentes, mídias sociais e privacidade

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Reproduzimos aqui mais uma interessante pesquisa do Pew Research Center ligado a Universidade de Harvard.

No projeto Pew Internet & American Life, eles têm se especializado em divulgar estudos que mostram e avaliam o comportamento das pessoas no mundo virtual. Assinando a newsletter você recebe informações assim que sai um novo.

Em novembro do ano passado eles publicaram Parents, Teens, and Online Privacy que pode ajudar muito aos pais que ainda resistem em acompanhar a vida online dos filhos, por desinteresse ou desconhecimento.

A última, intitulada “Teens, Social Media, and Privacy”, foi conduzida por Mary Madden e sua equipe e traz um panorama muito interessante da relação entre os jovens e as redes sociais.

As duas mostram a realidade americana, mas em termos de presença online, uma situação muito parecida com a nossa.

Entre julho e setembro de 2012, por telefone fixo e celular, foram ouvidos 802 adolescentes entre 12 e 17 anos e o mesmo número de pais. Grupos focais com jovens no início de 2013 ajudaram a reforçar alguns achados da pesquisa.

Talvez sem muita novidade – principalmente para quem convive com adolescentes – descobriu-se que os jovens compartilham muito mais informações hoje do que em 2006, ano do primeiro estudo sobre esse assunto desenvolvido pelo mesmo grupo.

Mais da metade dos usuários do Facebook ouvidos pelos pesquisadores mantêm seu perfil privado, permitindo apenas a visualização dos amigos. Além disso, têm extrema confiança nas suas habilidades em manejar as configurações de privacidade.

Apenas 8% dos jovens pesquisados descreveram esse processo como “muito difícil”.

Outras informações valem o destaque:

  • 91% compartilham a própria foto. Em 2006, 79% faziam a mesma coisa.
  • 71% divulgam o nome da escola e a cidade onde vivem.
  • 53% informam o e-mail pessoal.
  • 20% não se importam em divulgar o próprio número de telefone celular. 2% faziam isso no estudo desenvolvido 7 anos antes.
  • Em média os adolescentes possuem 300 amigos no Facebook e 79 seguidores no Twitter.
  • 70% das garotas mantêm seu perfil privado, contra 50% dos garotos.
  • 20% dos garotos têm um perfil completamente público. Entre as garotas apenas 8% têm esse hábito.
  • Apenas 9% dos entrevistados demonstram preocupação com informações pessoais compartilhadas com amigos dos amigos.
  • Um em cada seis jovens que estão online disseram ter recebido pedidos de contato de pessoas desconhecidas.
  • Um em cada três foi exposto a uma propaganda inadequada para sua idade quando está online.

Abaixo você pode ver alguns gráficos com resultados da pesquisa.

Aqui você acessa o relatório completo.

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