YouTube e o abuso de álcool

youtubr
Esse vídeo não vai carregar. E se carregasse não mostraria imagens agradáveis.

 A equipe do Dr. Brian Primack fez uma análise de 70 vídeos mais populares do YouTube tratando do abuso de bebida alcoólica. Criaram 42 códigos nas categorias: característica do vídeo, características socio-demograficas, descrições do produto, utilização, características associadas ao produto, consequências do uso.

A audiência da amostra ultrapassou os 300.000.000 de visualizações!

Outros achados:

  • Quase 90% dos vídeos envolvem homens.
  • O uso de destilados é mais frequente. Cerveja vinha em segundo.
  • 44% do vídeos faziam referência a alguma marca de bebida alcoólica.
  • Humor está presente em 79% dos vídeos.
A pesquisa também concluiu que raramente os vídeos mostram as consequências do abuso de álcool.

Clicando na imagem abaixo você pode ter acesso ao resumo.

youtube álcool

Em tempo. Uma busca rápida no YouTube vai mostrar vários vídeos com situações de intoxicação alcoólica. Inclusive o do estudante de engenharia da UNESP de Bauru que morreu em uma festa estudantil patrocinada por uma marca de cerveja.

Equipe CPG

Beber pesado e danos cerebrais

beberpesado

A dica veio do The Prevention Hub e do Science Daily.
Um estudo realizado com animais indicou que o beber pesado durante a adolescência pode levar a mudanças cerebrais importantes além de causar déficits de memória.
O estudo publicado The Journal of Neuroscience constatou
que, mesmo na idade adulta, os ratos que receberam acesso diário ao álcool durante a adolescência tinham reduzido os níveis de mielina – o revestimento gorduroso das fibras nervosas que acelera a transmissão de sinais elétricos entre os neurônios.
Clique na imagem abaixo para ler o resumo.
binge

Praticar esportes reduz o risco de consumo de álcool entre os jovens

blog esporte

Adolescentes que praticam exercícios regularmente têm menor probabilidade de se envolver no consumo abusivo de bebida alcoólica. O estudo comparou os níveis de exercício e o comportamento de beber de dois diferentes grupos de adolescentes: adultos jovens que, ou foram expulsos da escola ou se envolveram em atividades criminosas e um grupo de não-infratores. Os primeiros eram menos propensos a participar de esportes coletivos e abusavam do consumo de álcool. Os jovens adultos que começaram a práticar de esportes durante o estudo relataram beber menos. Este estudo destaca a importância de programas de prevenção e intervenção que incorporem a atividade física. 

A dica veio do Prevention Hub.

Ferreira Gullar mais uma vez

Novamente não podemos deixar de reproduzir um artigo brilhante do poeta Ferreira Gullar. Saiu na Folha de São Paulo, neste domingo 13 de janeiro.

Em junho do ano passado, já havíamos publicado outro artigo dele chamado: “Drogas: qual a alternativa”?

Como na vez anterior, sua abordagem do tema é simples, direta e muito adequada.

Não deixe de ler.

FERREIRA GULLAR

Um confuso bate-boca

O fato mesmo é o seguinte: não há produção e venda de mercadoria alguma se não houver consumidor

Um novo projeto de lei, que deve ser votado pelo Congresso em fevereiro, trouxe de novo à discussão o problema das drogas: reprimir ou descriminalizar?

Esse projeto pretende tornar mais severa a repressão ao tráfico e ao uso de drogas, alegando ser esse o desejo da sociedade. Quem a ele se opõe argumenta com o fato de que a repressão, tanto ao tráfico quanto ao uso de drogas, não impediu que ambos aumentassem.

Quem se opõe à repressão considera, com razão, não ter cabimento meter na prisão pessoas que, na verdade, são doentes, dependentes, consumidores patológicos. Devem ser tratados, e não encarcerados. No entanto, quem defende o tratamento em vez da prisão se opõe à internação compulsória do usuário porque, a seu ver, isso atenta contra a liberdade do indivíduo.

Esse é um debate que não chega a nada nem pode chegar. Se você for esperar que uma pessoa surtada aceite ser internada para tratamento, perderá seu tempo.

Pergunto: um pai, que interna compulsoriamente um filho em estado delirante, atenta contra sua liberdade individual? Deve, então, deixar que se jogue pela janela ou agrida alguém? Está evidente que, ao interná-lo, faz aquilo que ele, surtado, não tem capacidade de fazer.

Mas a discussão não acaba aí. Todas as pessoas que consomem bebidas alcoólicas são alcoólatras? Claro que não. A vasta maioria, que consome os milhões de litros dessas bebidas, bebe socialmente. Pois bem, com as drogas é a mesma coisa: a maioria que as consome não é doente, consome-as socialmente, e muitos desses consumidores são gente fina, executivos de empresas, universitários etc..

Só que a polícia quase nunca chega a eles, pois estes não vão às bocas de fumo comprar drogas. Sem correrem quaisquer riscos, as recebem e as usam. Ninguém vai me convencer de que os milhões de reais que circulam no comércio das drogas são apenas dinheiro de pé-rapado que a polícia prende nas favelas ou debaixo dos viadutos.

Outro argumento falacioso dos que defendem a descriminalização das drogas é o de que a repressão ao tráfico e ao consumo não deu qualquer resultado positivo. Pelo contrário -argumentam eles-, o tráfico e o consumo só aumentaram.

É verdade, mas, se por isso devemos acabar com o combate ao comércio de drogas, deve-se também parar de combater o crime em geral, já que, embora o sistema judicial e o prisional existam há séculos, a criminalidade só tem aumentado em todo o planeta. Seria, evidentemente, um disparate. Não obstante, esse é o argumento utilizado para justificar a descriminalização das drogas.

A maneira certa de encarar tal questão é compreender que nem todos os problemas têm solução definitiva e, por isso mesmo, exigem combate permanente e incessante.

A verdade é que, no caso do tráfico, como no da criminalidade em geral, se é certo que a repressão não os extingue, limita-lhes a expansão. Pior seria se agissem à solta.

Quantas toneladas de cocaína, crack e maconha são apreendidas mensalmente só no Brasil? Apesar disso, a verdade é que cresce o número de usuários de drogas e, consequentemente, a produção delas. Os traficantes têm plena consciência disso, tanto que, para garantir a manutenção e o crescimento de seu mercado, implantam gente sua nas escolas a fim de aliciar meninos de oito, dez anos de idade.

Por tudo isso, deve-se reconhecer que o combate ao tráfico é particularmente difícil, já que, nesse caso, a vítima -isto é, o consumidor- alia-se ao criminoso contra a polícia. Ou seja, ela inventa meios e modos para conseguir que a droga chegue às suas mãos, anulando, assim, a ação policial.

O certo é que este bate-boca não leva a nada. O fato mesmo é o seguinte: não há produção e venda de mercadoria alguma se não houver consumidor.

Só se fabricam automóvel e geladeira porque há quem os compre. O mesmo ocorre com as drogas: só há produção e tráfico de drogas porque há quem as consuma. Logo, a maneira eficaz de combater o tráfico de drogas é reduzindo-lhe o consumo.

E a maneira de conseguir isso é por meio de uma campanha de âmbito nacional e internacional, maciça, mostrando às novas gerações -principalmente aos adolescentes- que a droga destrói sua vida.

 Fonte: “Folha de São Paulo”

Drogas: qual a alternativa? – Ferreira Gullar


Mais um texto coerente e ponderado do poeta Ferreira Gullar.

Foi publicado na Folha de São Paulo no dia 10 de junho.

Drogas: qual a alternativa? – Ferreira Gullar

Volto a um assunto que tenho abordado aqui e o faço porque considero necessário discuti-lo sempre que possível e com total isenção: o problema da liberação das drogas. Agora mesmo, uma comissão de juristas submeterá ao Congresso um anteprojeto propondo descriminalizar o porte e o plantio de maconha.
Admito que, por alguma razão, pessoas de tanta responsabilidade entendam que a descriminalização é uma medida positiva.
Ainda assim, duvido da conveniência de uma tal medida, uma vez que, no meu modo de ver, o fator principal que sustenta o tráfico de drogas é o consumidor.
Volto ao argumento óbvio, conforme o qual não há mercado para mercadoria que não se consome. Logo, se o tráfico ganhou a dimensão que tem hoje, foi porque, a cada dia, um número maior de pessoas consome drogas. Um dos argumentos usados pelos defensores da liberação das drogas é o de que a repressão não deu os resultados esperados, uma vez que o tráfico, em lugar de diminuir, aumentou.
Já discuti esse argumento, que me parece descabido. Basta raciocinar: desde que a humanidade existe, combate-se a criminalidade e, não obstante, ela não acabou. Pelo contrário, aumentou. Devemos concluir, então, que a Justiça fracassou e que, por isso, o certo é acabar com ela? Claro que não. Se se praticasse semelhante insensatez, simplesmente poríamos fim à sociedade humana. O certo é entender que determinados problemas não têm solução definitiva, mas nem por isso devemos nos render a eles, sob pena de se tornar inviável o convívio humano.
A droga é um desses problemas. Exterminá-la definitivamente parece-nos impossível mas, por outro lado, aceitá-la é abrir mão de importantes valores que o homem conquistou ao longo de sua história. A droga é uma herança de tempos remotos, quando estava associada a uma concepção ingênua e mágica da existência.
A ciência demonstrou que os efeitos que ela provoca são resultados dos elementos alucinógenos que fazem parte de sua composição química. Ela se alimenta daquilo que, no ser humano, resiste à compreensão objetiva e racional da existência. Como talvez o ser humano jamais alcance um estado permanente de lucidez em face do mistério da vida, a droga continuará a ser necessária a uma parte da sociedade, que nela encontra compensação para suas ansiedades. Disso se valem e se valerão os produtores e vendedores de drogas.
As últimas apreensões de drogas ocorridas no Brasil indicam o crescente poderio econômico e técnico dos traficantes. São toneladas de maconha, cocaína e crack, o que pressupõe o crescimento progressivo de consumidores.
Acreditar que a legalização das drogas fará com que essas organizações clandestinas se tornem, de repente, empresas legais é excesso de boa-fé. E o que fazer com as drogas sintéticas que, por se multiplicarem rapidamente, gozam de legalidade, já que os órgãos de repressão sequer as conhecem? A legalização das drogas transformaria o Brasil num centro internacional de consumo, como é hoje a Holanda.
Outro ponto que os defensores da legalização parecem ignorar é o fato de que os consumidores de drogas -em sua maioria jovens- nem sempre dispõem de dinheiro para comprá-las e isso os leva a praticar roubos e assaltos.
Hoje, a maioria dos crimes está ligada, de uma maneira ou de outra, ao tráfico e ao consumo de drogas. Na verdade, o viciado é um aliado do traficante -já que têm interesses comuns- e o ajuda a burlar a repressão.
Amparado na lei, o viciado em drogas vai se sentir mais à vontade para consegui-la a qualquer preço, sem que a família tenha autoridade para impedi-lo, já que estará agindo dentro da legalidade.
A alternativa seria o Ministério da Saúde -que não consegue manter em funcionamento satisfatório os hospitais, por falta de verbas- passar a subvencionar o vício dos drogados?
Creio que tudo conduz à conclusão de que o caminho certo é batalhar para reduzir o número de consumidores de drogas, e isso só será possível se as autoridades, em nível nacional e internacional, se dispuserem a promover um trabalho sistemático de esclarecimento e educação dos jovens para mostrar-lhes que as drogas só os levarão à autodestruição.