Álcool e drogas na adolescência: Um guia para pais e professores

A equipe de CPG através de sua coordenadora Maria Estela B. Zanini e do professor Cesar Pazinatto participaram da elaboração do livro “Álcool e drogas na adolescência: Um guia para pais e professores”.

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Cesar é co-autor com a Dra. Ilana Pinsky, psicóloga especialista em adolescentes. Estela como colaboradora detalhou algumas atividades desenvolvidas pela equipe de CPG durante as aulas.
O lançamento ocorrerá no dia 16 de outubro a partir das 18h30 na Livraria Cultura do Conjunto Nacional na Av. Paulista.

Clique aqui para ver o convite eletrônico

 

 

Aprendizado e angústia – Rosely Sayão

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O texto abaixo foi originalmente publicado no jornal “Folha de São Paulo” em 13 de agosto de 2013

ROSELY SAYÃO

Aprendizado e angústia

Com o incentivo de um adulto, a criança consegue encarar melhor o difícil processo de aprendizado

Ficar concentrado em algo que exige muito de nossa atenção tem sido cada vez mais difícil e doloroso. Vivemos num mundo que nos diz, incessantemente, que precisamos ter satisfação logo, que a dor precisa ser evitada e/ou suprimida, que a felicidade é a melhor escolha.

Quando tentamos nos concentrar em uma tarefa árdua, logo percebemos que as distrações presentes em nosso entorno são, quase sempre, bem mais sedutoras, não é verdade? Dá vontade de beliscar algo gostoso, de atender a um telefonema nada importante, de ler as mensagens que chegaram, de buscar algo na internet etc.

Pronto: está armada a cilada que tem como objetivo nos retirar da situação incômoda em que estávamos. Ter de realizar algo que não é nossa escolha no momento e que exige esforço e tempo de dedicação perturba, angustia, provoca insatisfação. E é disso que queremos fugir.

Claro que, ao agirmos assim, a situação irá se complicar porque, afinal, aquela tarefa precisará ser realizada mais cedo ou mais tarde. Aí é que entra o exercício da maturidade. Realizamos um esforço ainda maior para dar conta de nossa responsabilidade porque sabemos que ela é intransferível.

A criança sofre esse contexto muito mais do que o adulto. Imagine, caro leitor, uma criança ao fazer uma lição ou ao aprender algo que dizemos que ela precisa saber.

Certamente você já testemunhou uma cena desse tipo. Ela decide apontar o lápis, organizar seu material à mesa, pegar (dezenas de vezes) algo necessário na mochila… Além disso, sente fome e vontade de ir ao banheiro, olha para sua borracha e se lembra de uma outra que tanto queria mas não tem…. E assim ela segue, sem saber que o seu comportamento visa unicamente escapar da angústia que ela enfrenta.

Nós, que aqui estamos há muito mais tempo do que ela, fomos tão tomados por esse mesmo contexto, que nem sempre nos damos conta de que a criança precisa de nossa ajuda nesse momento. Ela precisaria saber, por nossa condução, que ela pode comer mais tarde, que não precisa de tanto material por perto, que a vontade de ir ao banheiro pode ser postergada etc.

Ao contrário, tratamos de atender a todas as suas solicitações na tentativa de “limpar” a situação para que a criança consiga, finalmente, se dedicar ao que precisa. Tudo o que conseguimos ao agir assim é estimular a criança a escapar de outros modos de sua missão.

Há um grupo de crianças que confunde a angústia que a toma nesse momento com dor. Dor física: dor de cabeça, dor de barriga, dor na mão, por exemplo, são reclamações frequentes de crianças que enfrentam a angústia de ter de aprender algo.

Como a lógica médica passou a reger nossas vidas, damos toda atenção a
tais dores, que não são inventadas pela criança, é bom ressaltar: são confundidas por ela.

Quase todas as escolas hoje têm enfermaria; a qualquer hora do dia, se você passar por lá, caro leitor, encontrará alguma criança com tal reclamação, tanto quanto muitas outras no banheiro, no bebedouro, vagando pelos corredores.

Elas deveriam ser encorajadas a ficar em classe e a enfrentar a angústia que o aprendizado provoca. Com nossa ajuda, com nosso apoio, com nossa firmeza e carinho, elas podem enfrentar tal desconforto por conta própria e seguir em frente.

O resultado seria o crescimento da autoestima, que se desenvolve à medida que a criança adquire confiança em sua capacidade de colocar em ato seu potencial.

Alunos dos 8.os anos elaboram painéis sobre qualidade de vida

Um dos objetivos do trabalho de prevenção às drogas é o fortalecimento do conceito de vida saudável. Assim, como fechamento do curso, os alunos dos 8.os anos realizaram uma produção sobre qualidade de vida: um cartaz que atribui cores (valores) aos aspectos do cotidiano: alimentação, escola, amigos, família, satisfação com o corpo. Verde representando algo muito bom, laranja/amarelo, algo que poderia melhorar e vermelho, indicando algo muito ruim.

A seguir, encontram-se alguns trabalhos. Esperamos que, a partir dessa apresentação, você também possa fazer uma reflexão sobre sua qualidade de vida.

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Prevenção às drogas: o papel da escola

Quando a escola deve iniciar um programa de prevenção às drogas? A resposta nem sempre evidente é esta: prevenção é uma tarefa educativa e se dá em dois níveis: a prevenção primária e a secundária. A primeira significa impedir o uso de todas as substâncias psicoativas, ou, pelo menos, retardar o seu início. A segunda se destina aos alunos que já experimentaram drogas (lícitas ou ilícitas), objetivando evitar evolução para usos mais frequentes e prejudiciais.

O trabalho de CPG nas duas situações preventivas tem os seguintes objetivos: conscientizar as pessoas sobre os riscos do uso de drogas; trabalhar o conceito de saúde física, psicológica e social; bem como colaborar para a construção da boa autoestima do jovem.

No programa de prevenção desenvolvido no Bandeirantes, o uso de drogas é discutido dentro de um contexto amplo de saúde, de qualidade de vida.

Para o sucesso do programa de prevenção têm contribuído vários fatores. O primeiro deles é o engajamento da Direção da Escola, na forma de apoio e investimento em infraestrutura adequada; o segundo elemento é o processo de capacitação constante dos professores envolvidos, tanto no que diz respeito ao preparo pessoal como a atualização constante sobre o assunto. O terceiro fator seria metodologia que conta com contribuições interdisciplinares para elaboração de estratégias variadas e adequadas à linguagem dos alunos, de acordo com sua faixa etária.

Por fim, o programa de prevenção deve ter grande alcance, por isso é importante sensibilizar a comunidade: corpo de professores e funcionários, pais, bem como trabalhar em parceria com o grupo de Orientação Educacional.

A avaliação contínua do trabalho é fundamental para identificar pontos fortes e fracos da prevenção.