Projeto “Álbum de família”

família

Sua mãe e eu,

Seu irmão e eu,

E os pais da sua mãe (…)

Lhe damos as boas vindas,

boas vindas…

(Boas vindas, Caetano Veloso)

Durante o primeiro bimestre deste ano, os alunos dos 7os anos do Colégio Bandeirantes participaram do Projeto “Álbum de família” que lhes apresentava um desafio: definir e compreender o conceito de família, assim como perceber a sua diversidade de tipos. O projeto desenvolvido também visava ajudar os alunos a perceber as influências positivas da família na formação da sua personalidade e a reconhecer-se como um dos seus membros influentes. O objetivo final foi a elaboração do “Álbum de Família” com registros e impressões pessoais dos alunos sobre o conceito trabalhado.

Como inicio do projeto, foram selecionadas letras de músicas que apresentam de forma diferenciada o tema “família”: Eu (Paulo Tatit), Boas vindas (Caetano Veloso) e Família (Titãs). Os estudantes puderam perceber a existência de diferentes formações familiares e iniciar o processo individual de identificação com a sua família. Em um segundo momento, resgataram a historia da sua origem e construíram a sua árvore genealógica.

Já nas aulas de Laboratório de Espanhol, em uma parceria interdisciplinar, realizaram oralmente a apresentação “Mi persona especial”, com a descrição e o reconhecimento da importância na sua vida de um parente escolhido por eles. Esta atividade também está presente por escrito no “Álbum de família”. Para finalizar, após assistirem a diferentes trechos de animações, cujos temas se referem à importância da família e à definição de seu conceito, os alunos chegaram às suas próprias definições e também as registraram por escrito.

Alguns exemplos das atividades desenvolvidas estão abaixo.

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O jovem e os transtornos emocionais

O aumento significativo dos transtornos emocionais em crianças e adolescentes, principalmente a depressão e a ansiedade tem gerado inúmeras preocupações. Fica difícil não nos perguntarmos por que isso estaria ocorrendo. Da mesma maneira como ocorre com os adultos, a depressão e a ansiedade em crianças e adolescentes gera alterações em seus pensamentos, emoções, comportamentos e também em seu organismo (alterações fisiológicas). Diante deste quadro, muitas vezes nos tornamos vulneráveis ao nos depararmos com dúvidas sobre qual a maneira mais correta de agir. É necessário, prioritariamente, que tenham conhecimento daquilo que está, efetivamente, acontecendo com crianças e adolescentes, a fim de conceituar adequadamente suas dificuldades e abordá-las de forma eficaz e efetiva. Além disso, também podemos nos perguntar: qual tem sido o nosso papel de educadores (pais e professores) diante do aumento e manutenção de transtornos emocionais, da depressão e da ansiedade, em crianças e adolescentes? Quais são os conceitos e idéias que passamos para eles?

De modo geral as pessoas entendem que são as situações que definem nossas emoções e comportamentos. Se uma criança ou adolescente falha numa atividade e fica triste desistindo de tentar novamente, atribuímos que foi a situação que gerou isso. O modelo cognitivo desenvolvido pelo médico psiquiatra Dr. Aaron Beck na década de 60, na Universidade da Pensilvânia, nos mostra que não é bem assim. Exaustivamente testado e apoiado por evidências empíricas, o modelo cognitivo mostra que não são as situações que definem nossas emoções e comportamentos, mas sim a forma como interpretamos e pensamos sobre as situações que nos levam a determinadas emoções e comportamentos. Vejam por exemplo, o caso da depressão: as crianças e os adolescentes deprimidos não apresentam pensamentos negativos por estarem deprimidos, mas estão deprimidos por apresentarem muitos pensamentos negativos sobre si mesmos, sobre os outros e sobre o mundo. E no caso da ansiedade: as crianças e os adolescentes não deixam de enfrentar as situações por não serem capazes, mas sim por apresentarem pensamentos que superestimam a situação que vêem como ameaçadora e subestimam seus recursos internos (habilidades de enfrentamento). Ter a ciência desta inversão muda tudo na forma de como devemos lidar com a criança. Como devemos então orientar nossas crianças e adolescentes? Primeiramente nos perguntando como nós educadores interpretamos as situações do nosso próprio cotidiano. Afinal as crianças e os adolescentes aprendem com os adultos. A forma como interpretamos as situações do dia-a-dia e as atribuições que fazemos das nossas conquistas e fracassos e os das crianças e adolescentes, vão ser aprendidas por eles.

O psicólogo Martin Seligman, em suas pesquisas, desenvolveu a teoria sobre o desamparo aprendido e os estilos explicativos, para a qual a forma como as crianças e adolescentes pensam sobre as causas dos sucessos e insucessos define o otimismo e o pessimismo.

Crianças e adolescentes, que apresentam um estilo explicativo pessimista, tendem a se sentirem desamparadas, a desistir mais facilmente das tarefas e desafios, além de ficarem deprimidos com maior freqüência. Já os com estilo explicativo otimista põem fim ao desamparo e acreditam que o insucesso é apenas um contratempo passageiro e específico. Além de apresentarem melhor desempenho, elevada auto-estima, boa saúde física, habilidades sociais e de resolução de problemas, facilidade para fazer amigos, essas crianças e adolescentes lidam com os conflitos, respeitam as diferenças e apresentam metas claras e objetivas.

Por isso, é de extrema importância nos preocuparmos com a forma como transmitimos as idéias e os conceitos de sucesso e insucesso para as crianças e adolescentes.

O estilo explicativo é aprendido. É nosso papel desenvolver nas crianças e adolescentes um estilo explicativo otimista realista.

Mas afinal o que é ser otimista? É estar sempre feliz?  Sabemos que no nosso cotidiano temos que lidar com sentimentos negativos. Será que somente frases ou imagens positivas conseguem eliminar esses sentimentos?

Pesquisado através dos anos constatou-se que frases positivas, apenas, não surtem qualquer efeito. Seligman, 1942, definiu que o importante diante do fracasso é a forma como você pensa sobre esse fracasso, usando o “pensamento não-negativo”. É de Seligman a frase – “mudar as coisas destrutivas que você se diz quando sofre os reveses que a vida reserva a todos nós é a principal capacidade do otimismo”.

Portanto, Seligman, também conhecido como o “Doutor Felicidade”,  define: as bases do otimismo não estão assentadas nas frases positivas ou imagens de vitórias, mas na maneira como nós pensamos sobre as causas, sejam do sucesso ou do fracasso por que passamos.

Por isso, a diferença entre o otimista e o pessimista está na diferente forma como explicam as causas de eventos ruins ou positivos que lhes acontecem no cotidiano, ou seja, como é o seu “estilo explicativo”.

Vejam como exemplo: os otimistas entendem as situações de sucesso como mérito próprio, além de serem eventos capazes de permanecer e influenciar todas as áreas de suas vidas. Já as situações de insucesso são entendidas como situações passageiras e específicas à aquele evento, onde as causas foram provocadas por circunstâncias desfavoráveis. Os pessimistas explicam as situações de sucesso como algo passageiro e específico àquela situação, onde as causas são provocadas por circunstâncias externas. E as situações de insucesso são entendidas como eventos capazes de permanecer e influenciar todas as áreas de suas vidas, sendo eles os únicos responsáveis pelas vicissitudes.

Acreditar que os infortúnios da vida vão durar para sempre e que vão determinar tudo na vida, faz com que a criança ou o adolescente desista de tentar. A permanência e difusão de eventos ruins deixam a criança ou o adolescente sem esperanças; e isso já representa um passo rumo à depressão. Encontrar razões temporárias e específicas para os infortúnios da vida é a arte da esperança, já dizia Seligman.

Seligman, 1992, conclui que as metas “ser capaz” e “saber fazer bem” são mais facilmente operacionalizáveis e atingíveis, e que, quando atingidas, trazem inevitavelmente consigo o “sentir-se bem”, sugerindo que as metas, “ser capaz” e “saber fazer bem”, estão associadas a uma menor incidência de depressão.

Por isso, devemos estar alerta para identificar devidamente as atribuições que as crianças e os adolescentes fazem diante de seus sucessos ou fracassos, ajudando-os a desenvolver um estilo explicativo otimista realista, além de habilidades sociais e de resolução de problemas.

Serviram de fontes para esse texto:

Aprenda a ser otimista – Martin E.P Seligman – 2ª ed. Editora Nova Era – Rio de Janeiro 2005

Terapia Cognitiva. Teoria e Prática – Judith S. Beck – Editoras Artes Médicas – Porto Alegre 1997

Departamento de Orientação Educacional

Alunos dos 8.os anos elaboram painéis sobre qualidade de vida

Um dos objetivos do trabalho de prevenção às drogas é o fortalecimento do conceito de vida saudável. Assim, como fechamento do curso, os alunos dos 8.os anos realizaram uma produção sobre qualidade de vida: um cartaz que atribui cores (valores) aos aspectos do cotidiano: alimentação, escola, amigos, família, satisfação com o corpo. Verde representando algo muito bom, laranja/amarelo, algo que poderia melhorar e vermelho, indicando algo muito ruim.

A seguir, encontram-se alguns trabalhos. Esperamos que, a partir dessa apresentação, você também possa fazer uma reflexão sobre sua qualidade de vida.

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Desobediência faz parte

Os mais novos transgridem mesmo: quando o processo de educação acontece, há sempre resistência

Rosely Sayão | FOLHA DE S. PAULO | Equilíbrio | 09/08/2011

Mães e pais andam espantados e/ou perplexos com a desobediência de filhos pequenos, maiores e até mesmo adolescentes. Que coisa, não? Por que será que esses pirralhos não entendem que precisam acatar o que seus pais lhes dizem?

Uma leitora conta que é uma mãe dedicada e consciente de que o seu maior compromisso na vida, hoje, é o de educar bem a filha, que tem cinco anos. Diz inclusive que, regularmente, assiste a palestras e lê coisas de qualidade a respeito do assunto.

O problema, segundo ela, é que mesmo assim se defronta com as birras que a filha faz, com manhas na hora de colocar a roupa ou comer e com pequenos escândalos – quando a garota quer ter ou fazer uma coisa que a mãe entende que não deve dar ou permitir naquele momento.

“Qual o meu erro?”, me pergunta essa responsável mãe. Certamente, muitos outros pais passam pela mesma situação e se fazem essa mesma pergunta.

Um pai, agora um tanto quanto desconsolado e assustado, enfrenta a adolescência do filho. O jovem quer sair sem hora para voltar e sem dar explicações. Além disso, o garoto sempre transgride as poucas regras que o pai tenta lhe impor.

Depois de dizer que sempre educou o filho de um modo democrático, esse pai confessa não saber o que fazer. “Será que vou ter de castigar meu filho, agora que ele cresceu?”, pergunta. Pelo menos ele não desistiu, como muitos pais de adolescentes têm feito… Qual é a questão, afinal? Por que os mais novos insistem na transgressão?

Será responsabilidade desse mundo tão transformado, da crise de valores, das escolas, das más companhias, das “famílias desestruturadas”, como muita gente gosta de afirmar?

Ou será que as crianças de hoje já nascem diferentes, mais ousadas e com “personalidade forte”? Ou, ainda, será que os pais já não sabem mais agir com autoridade?

Não, caro leitor, a questão é bem mais simples. Então, de largada vamos lembrar de um princípio básico: sempre que a educação acontece, há resistência ao processo.

Pronto: é simples assim. A relação da mãe e do pai com os filhos é sempre um pouco tensa. Por quê?

Porque os pais precisam introduzir o filho na dinâmica familiar, na convivência com os outros, na vida que a cada dia apresenta um pouco mais de desafios e, portanto, compromissos e responsabilidades, entre outras coisas. Ora, isso significa impor à criança uma determinada direção.

Comer determinados alimentos desta ou daquela maneira, tomar banho, vestir esta ou aquela roupa, ir para a escola, não comer em determinados horários, prestar contas aos pais, respeitar pessoas etc. etc. Por que a criança deveria aceitar isso de bom grado se o que ela quer é bem diferente?

Ela quer ficar vendo televisão, jogando videogame ou futebol, dormindo pela manhã ou acordada de madrugada e se colocar no centro do mundo… Isso é o que ela quer. O jovem quer se grudar ao grupo, ser plenamente aceito por seus pares, quer diversão sem fim… A juventude é curta, afinal.

Só isso já seria suficiente para nos fazer reconhecer que eles irão reclamar, resistir, usar todas as estratégias que têm à mão para demonstrar seu descontentamento. É só isso o que expressa a desobediência e a transgressão. Faz parte do jogo, não é verdade?

Mesmo tendo aprendido, eles irão insistir na transgressão. Não é assim no futebol, por exemplo? Por isso o jogo exige árbitros e penalidades para as faltas.

Então, vamos relaxar: os mais novos sempre irão transgredir, desobedecer. É um direito deles. É dever dos pais persistir com o processo educativo em curso, reafirmar posições, fazer valer o ensinado. E ter paciência.

Até quando essa situação persiste? Até a maturidade dos filhos, que deve chegar por volta dos 20 anos, se tivermos um pouco de sorte além do empenho investido.

ROSELY SAYÃO é psicóloga e autora de “Como Educar Meu Filho?” (Publifolha)

Conversando sobre sexo… com os pais

Maria Estela B. Zanini e Maria Helena Vilela

A conversa sobre sexo na família deveria ocorrer naturalmente e com uma freqüência adequada às necessidades de cada jovem, da mesma forma que se conversa sobre outros assuntos, como esporte, estudo ou lazer. No entanto, isso nem sempre acontece. Para muitos pais, falar sobre sexo ainda é uma dificuldade e, conseqüentemente, para os filhos, também. É um nó ainda muito bem atado por anos e anos, em que sexo era norteado por um padrão de comportamento social rígido – um tema que não se podia trazer à tona.

Hoje as circunstâncias são outras. Nos anos 60 e 70, os jovens conseguiram fazer da liberdade sexual uma bandeira e afrouxar gradativamente o nó da repressão, transformando a educação sexual, que antes era padronizada, em uma educação personalizada. E para tanto, a conversa sobre sexo em família é fundamental.

O valor dos pais

Nunca os jovens foram tão informados sobre sexo como agora. Jornais e revistas têm sempre um espaço exclusivo para o adolescente se informar sobre sexualidade. Canais de TV e emissoras de rádio investem em entrevistas com sexólogos e programas do tipo “Talking Show” (perguntas e respostas). As escolas abordam o tema em sala de aula, e se o adolescente ainda tiver dúvidas, há sites na Internet que falam dos mais variados assuntos da vida sexual. Mas, quando o adolescente não tem diálogo com os pais, toda informação não impede que o jovem ainda fique confuso e dividido diante de alguns temas, principalmente aqueles que se referem às escolhas pessoais, como por exemplo, virgindade, fidelidade, namoro. É que existe um espaço na educação sexual que só a família pode preencher – o acolhimento.

É na conversa com os pais que o jovem pode conquistar o respeito, a consideração e o abrigo para seus problemas sexuais, como também encontrar a referência de que precisa para tomar decisões. Não é à toa que as pesquisas mostram que os jovens que têm a oportunidade de conversar com os pais sobre sexo têm mais facilidade para tomar decisões assertivas como, por exemplo, prevenir-se de uma gravidez.

Início de conversa

O mais difícil é quebrar o silêncio; mas existem formas de se puxar uma conversa sem que isso gere um mal-estar ou um julgamento precipitado. Uma delas é comentar um caso ou situação divulgada na televisão ou nos jornais; outra é ler um artigo sobre o tema de sua escolha para os pais e pedir a opinião deles; ou ainda, perguntar como eles faziam para resolver determinado assunto (aquele do seu interesse) na sua adolescência. Não há nada mais gostoso para um pai ou uma mãe que perceber o interesse do(a) filho(a) pelas histórias de sua época. Assim, se você tem vontade de conversar sobre temas relacionados à sexualidade com seus pais, mas ainda não conseguiu tocar nesse assunto, estas sugestões podem ser um bom começo. Mas atenção! Inicie a conversa com temas que não levem ao constrangimento, seu ou de seus pais, e, gradativamente, à medida que perceber que há espaço, vá tornando este diálogo mais íntimo e de acordo com os seus interesses.

Conversar sobre sexualidade é uma experiência que vale a pena! Mesmo aqueles pais que os adolescentes acreditam ser “caretas”, muitas vezes, surpreendem positivamente.