Maconha e cigarro cedo – Jairo Bouer

Maconha e cigarro cedo

Quem usa a droga antes dos 14 tem pior performance em testes cognitivos na vida adulta

Foto: Mark Blinch/Reuters –

Estatísticas recentes revelam que o consumo de maconha entre os jovens tem aumentado em boa parte do mundo ocidental

O primeiro trabalho mostra que adolescentes que iniciam o consumo de maconha antes dos 14 anos têm pior performance em testes cognitivos quando atingem o início da vida adulta, aos 20. Eles também apresentam pior memória de curto prazo e maior probabilidade de abandonar a escola. Em contrapartida, os jovens que entram em contato com maconha a partir dos 17 anos não apresentaram essas alterações.

Estatísticas recentes revelam que o consumo de maconha entre os jovens tem aumentado em boa parte do mundo ocidental. Um terço deles teria a primeira experiência com a droga antes dos 15. Mesmo nos países que legalizaram a maconha, ela é proibida antes dos 18, da mesma forma que o cigarro.

Os pesquisadores da Universidade de Montreal, no Canadá, acompanharam cerca de 300 garotos entre os 13 e os 20 anos. Desses, 43% experimentaram maconha em algum ponto da vida, a maioria apenas algumas vezes ao ano. Para os especialistas, as dificuldades cognitivas podem estar associadas tanto aos efeitos da droga como a mecanismo sociais, uma vez que, abandonando a escola ou tendo mais dificuldade para aprender, os jovens perderiam oportunidades de desenvolver toda sua capacidade intelectual. As informações foram divulgadas pelo jornal britânico Daily Mail.

Os cientistas lembram que é importante trabalhar dentro de uma perspectiva realista, ou seja, de que muitos jovens vão entrar em contato com maconha em algum ponto da vida, e que uma minoria terá problemas concretos. A atenção deve ser maior com aqueles que usam com maior frequência, em maior quantidade e com os que começam muito cedo. Na pesquisa, os que começaram aos 17 tiveram desempenho cognitivo semelhante ao dos que nunca experimentaram a droga.

O que vale para outras drogas também vale, provavelmente, para maconha. A fase antes dos 15 é muito importante para a formação da rede de neurônios, que vai determinar nossa capacidade intelectual. Nesse sentido, eventuais impactos negativos da droga no sistema nervoso central podem ser mais “poderosos” nesse momento.

Além disso, essa é uma fase crucial (tanto do ponto de vista biológico como emocional) para a determinação do padrão de uso da droga, que pode ser eventual ou frequente – neste caso, com maior risco de abuso. Não é à toa, por exemplo, que quase 90% dos fumantes de cigarro na vida adulta começaram antes dos 15 anos. 

Adolescentes grávidas.

Por falar em cigarro, nova pesquisa divulgada nos EUA revela aumento de 19% no número de adolescentes grávidas que fumam. Para os cientistas, a causa seria a maior regulação na venda de cigarros eletrônicos antes dos 18 anos. Sem alternativas para “largar” o cigarro tradicional, as garotas continuariam a fumar mesmo durante a gestação.

Em geral, ao engravidar, mulheres adultas e adolescentes tentam abandonar o cigarro. Mas, desde 2010, a tendência de aumento no número de garotas fumantes tem se intensificado, o que coincide com o maior controle na venda dos dispositivos alternativos de liberação de nicotina.

Os pesquisadores das universidades americanas de Princeton e de Cornell revisaram dados de 550 mil nascimentos fornecidos pelo Centro Nacional de Estatísticas em Saúde (NCHS) e informações dos Centros de Controle de Doenças (CDC) sobre as leis regulando a venda dos dispositivos eletrônicos.

Apesar de polêmicos, uma vez que ainda não estão claros os efeitos negativos dos cigarros eletrônicos para a saúde e para a gravidez, trabalhos sugerem que eles podem ser menos nocivos do que os cigarros tradicionais. É bom lembrar que nos últimos anos houve um aumento expressivo no uso dessas fontes alternativas de nicotina, principalmente entre os mais novos: 9 milhões de americanos e 2,5 milhões de britânicos já usam os dispositivos eletrônicos. Em 2014, eles ultrapassaram o número de usuários de cigarro tradicional nesses países. As informações são também do jornal Daily Mail. No Brasil, esse uso é ainda bem mais modesto.

*JAIRO BOUER É PSIQUIATRA

Maconha e o desempenho escolar

A matéria abaixo saiu no Portal G1

Estudo relaciona uso de maconha ao fracasso de adolescentes na escola

Menores de 17 anos têm risco 60% maior de não terminar ensino médio.Pesquisa foi publicada na revista científica ‘The Lancet’.

Os adolescentes que fumam regularmente maconha estão muito mais expostos ao fracasso escolar que os outros, segundo os resultados de um estudo publicados nesta quarta-feira na revista médica “The Lancet Psychiatry”. Os adolescentes de menos de 17 anos que fumam maconha todos os dias correm 60% a mais de riscos de não concluir o ensino médio do que aqueles que nunca fumaram a substância.

Além disso, aqueles que fumam diariamente têm sete vezes mais riscos de uma tentativa de cometer suicídio e oito vezes mais riscos de utilizar outras drogas posteriormente, destaca o estudo.

“Estes resultados aparecem no momento oportuno, já que vários estados americanos e países da América Latina tomaram o caminho da descriminalização da maconha, o que poderia tornar mais fácil para os jovens o acesso a esta droga”, afirmou Richard Mattick, da Universidade de Nova Gales do Sul (Austrália), um dos autores da pesquisa.

A maconha é a droga ilegal mais consumida no mundo. Estatísticas recentes indicam que em alguns países os jovens começam a usar a substância cada vez mais cedo. O estudo publicado na revista “The Lancet” tem como base dados obtidos por três pesquisas entre jovens da Austrália e Nova Zelândia.

Os cientistas tentaram traçar um paralelo da frequência do consumo de maconha entre os jovens com menos de 17 anos e seus comportamentos na vida posteriormente. Os critérios usados foram o êxito escolar, o uso de drogas ilegais, dependência da maconha, a depressão e as tentativas de suicídio.

Uma relação “clara e consistente” foi encontrada entre a frequência da utilização da maconha antes dos 17 anos e a maioria dos critérios citados, destaca a “Lancet”.

Para o doutor Edmund Silins, outro autor do estudo, os resultados demonstram “de maneira evidente” que a luta contra o consumo precoce da maconha entre os jovens representa “importantes benefícios em termos sociais e de saúde”.

Maconha e seus mitos por alunos do 8ª ano

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“Maconha não causa dependência”
“Maconha é uma droga leve”
“Todo mundo usa maconha”
“Maconha não faz mal tanto que é usada como remédio”

É comum ouvir afirmações como essa quando se discute o tema drogas.
Em praticamente qualquer ambiente.
Pensando nisso, a equipe do 8º ano dividiu as classes em grupos e os colocou para conversar sobre esses mitos.
Na primeira etapa os alunos trabalharam a partir de conhecimentos prévios.
Dados de pesquisas científicas foram as fontes de consulta na segunda etapa da discussão que tinha como objetivo confrontar afirmações de senso comum sobre a maconha.
Para ilustrar suas explicações e questionamentos sobre as frases, os alunos tiveram a liberdade de usar tablet ou smartphone para criar uma ilustração sobre o mito pesquisado pelo grupo.

Alguns dos resultados, você vê abaixo. Clique na imagem para assistir o vídeo ou ampliar a imagem.

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Álcool x Maconha: Qual é mais perigoso para os jovens?

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Os defensores da liberação da maconha costumam argumentar, entre outras coisas, que os efeitos da Cannabis não são mais prejudiciais do que os do álcool. O debate é intenso e, provavelmente, sem data para terminar. Uma pesquisa da Universidade de Nova York faz um interessante comparativo entre as duas substâncias e tenta ajudar nessa discussão.
Entre outras coisas o estudo descobriu que, para alunos do ensino médio, o consumo de álcool levou ao beber e dirigir e ao comprometimento nas relações entre colegas, Por sua vez o consumo de maconha afetou o relacionamento com professores, orientadores e também o desempenho acadêmico.
Clicando na imagem abaixo você tem acesso ao artigo completo. Está aberto até o dia 30 de setembro. Depois disso entre em contato que  disponibilizamos por e-mail.
Journal Reference:Joseph J. Palamar, Michael Fenstermaker,  Dimita Kamboukos, Danielle C. Ompad, Charles M. Cleland, Michael Weitzman.  Adverse psychosocial outcomes associated with drug use among US high school seniors: a comparison of alcohol and marijuana.  The American Journal of Drug and Alcohol Abuse, 2014; 1 DOI: 10.3109/00952990.2014.943371

Journal Reference:Joseph J. Palamar, Michael Fenstermaker,
Dimita Kamboukos, Danielle C. Ompad, Charles M. Cleland, Michael Weitzman.
Adverse psychosocial outcomes associated with drug use among US high school seniors: a comparison of alcohol and marijuana.
The American Journal of Drug and Alcohol Abuse, 2014; 1 DOI: 10.3109/00952990.2014.943371

Equipe CPG

O impacto da legalização das drogas – Dr. Kevin Sabet

No ultimo 23 de agosto, participamos da palestra e o debate promovido pela SPDM (Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina) no Palácio dos Bandeirantes.

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Dr. Kevin Sabet

 

Sabet foi conselheiro do Presidente Barack Obama e é um dos maiores especialistas nesse tema.

Ele apresentou dados importantes e inéditos sobre a experiência da legalização nos EUA.

Abaixo você assiste aos dois vídeos.

Aproveitamos também disponibilizar um outro link do site da SPDM: “O lado B maconha medicinal”

Equipe CPG

 

Maconha: Algumas coisas para pensar

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O site do NIDA(National Instituto on Drug Abuse) é obrigatório para quem quiser obter informações confiáveis sobre álcool, tabaco e outras drogas. E ainda mais obrigatório para quem trabalha com o tema.

Além de ser bem completo, nele você pode obter material específico para trabalhar o assunto com adolescentes.

Neste link você tem acesso ao material intitulado “Marijuana : Facts for Teens”.

Útil para pais, professores e para os próprios adolescentes. Em inglês e espanhol.

Você também pode baixar a versão para o seu leitor de ebooks ou para o Kindle.

Maconha vendida em São Paulo está mais potente, indica estudo

clique na imagem para ampliar

Análise encomendada pela Folha apontou alta no teor da principal substância psicoativa da droga De acordo com médico, maior potência da droga prolonga os seus efeitos e aumenta os riscos de danos para usuários

MORRIS KACHANIDE DA FOLHA DE SÃO PAULO

A maconha vendida em São Paulo está mais potente. Uma análise do Instituto de Criminalística em 35 amostras apreendidas entre julho e agosto na capital apontou uma média de 5,7% no nível de THC, a principal substância psicoativa da droga. O estudo foi feito a pedido da Folha. Análise semelhante realizada entre 2006 e 2007 mostrou uma média de 2,5%. “O resultado pode indicar uma certa tendência no aumento do princípio ativo da maconha vendida nas ruas, como se tem observado em alguns países desenvolvidos”, diz Mauricio Yonamine, professor de toxicologia da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP. O teor de THC aferido é maior do que a média na maconha apreendida no mundo: de 0,5 a 5%, de acordo com relatório da ONU. Na Holanda e nos Estados Unidos, onde a tecnologia do plantio da droga é mais avançada, essa escalada atinge níveis médios de 15% e 10%, respectivamente. A análise do IC mostrou também um baixo teor de canabidiol -0,6%, em média. A substância presente na planta Cannabis modula o efeito de THC, diminuindo a sensação de ansiedade. “Para reduzir a chance de delírio e alucinação, a proporção deveria ser de um para quatro”, explica Elisaldo Carlini, da Unifesp. Quanto mais potente a maconha, mais forte e prolongado é o seu efeito. “Se pensarmos no uso por adolescentes, os riscos seriam em princípio maiores [de alterações cognitivas, por exemplo]”, afirma o médico psiquiatra Dartiu Xavier, da Unifesp. De acordo com levantamentos feitos pela Senad (Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas) em 2010, 13,2% dos estudantes brasileiros entre 17 e 18 anos e 26,1% dos universitários já tinham fumado maconha pelo menos uma vez na vida.

RESSALVAS

Especialistas ouvidos pela reportagem apontam ressalvas com relação aos estudos, no que diz respeito à representatividade da amostragem e o tempo de armazenamento das apreensões. Mas a escassez de estudos mais aprofundados sobre o tema torna as medições relevantes. A análise feita agora e a anterior adotaram a mesma metodologia e protocolo de medição. O espaço amostral, porém, foi reduzido. Em 2006 e 2007, foram analisadas amostras de 55 apreensões, contra as 35 da investigação atual. Em ambos os estudos, a escolha das amostras foi aleatória e sem preocupação com o estado de conservação da droga. Foram analisados de cigarros prontos a tijolos de 500 gramas os mais, com apreensões feitas tanto no atacado como no varejo. Em função da decomposição natural, quanto mais antiga for a apreensão, menor o nível de THC. José Luiz da Costa, perito do Instituto de Criminalística e presidente da Sociedade Brasileira de Toxicologia, explica por que a interpretação de resultados com análise de maconha é mais complexa que a de outras drogas: “Ela é vegetal. Se eu plantar a mesma semente no pé do morro ou no alto da montanha, o resultado já vai ser diferente”, explica. “Mas a verdade é que a maconha é uma droga tão barata que não justifica você encontrá-la adulterada”, acrescenta Costa.

Paraguaia, droga vem com fungos e formigas

FOLHA DE SÃO PAULO

A maconha vendida em São Paulo é quase toda produzida no Paraguai. A droga aparece misturada a folhas, caules e outras plantas. “E também restos de insetos ou formigas, como em qualquer colheita rudimentar feita de forma clandestina”, explica o perito José Luiz da Costa, do Instituto de Criminalística. Em geral, a maconha paraguaia chega a São Paulo prensada e embalada em filme plástico ou alumínio, e adesivada. As condições de transporte são precárias -normalmente em caminhões, escondida entre outros produtos. Por uma questão econômica, ela não chega ao mercado totalmente seca. É que o tempo de secagem da colheita é relativamente longo (cerca de uma a duas semanas) e as folhas úmidas pesam mais, o que significa um ganho extra para o produtor. Uma monografia coordenada por Costa em 2011 apontou a presença de três tipos de fungos em maconha apreendida, alguns deles comumente encontrados em alimentos em estado de deterioração. Para Dartiu Xavier, da Unifesp, de forma geral, não há nada objetivo quanto ao risco para seres humanos. Os fungos podem causar alergia e intoxicação para pessoas hipersensíveis, como também doenças em indivíduos imunodeprimidos. As condições de embalagem e transporte da maconha prensada também podem favorecer a liberação de amônia, de acordo com Elisaldo Carlini, também da Unifesp. “Com o tempo, a maconha envelhece e se degrada. Pior ainda se estiver umedecida. Amônia na maconha é sinal de má conservação”, diz.

Análise

Desafios para ‘decifrar’ a droga começam antes do laboratório Na Europa, os testes usam milhares de amostras, colhidas regularmente ao longo do ano

TARSO ARAUJO ESPECIAL PARA A FOLHA

Em 2002, o czar antidrogas norte-americano, John Walters, disse ao “Washington Post” que “a maconha de hoje é diferente daquela de uma geração atrás, com potência 10 a 20 vezes mais forte”. Desde então, esse argumento alarmista tem sido usado com frequência nos debates. Ora, nenhum traficante quer vender maconha fraca. Logo, é previsível que o plantio se profissionalize. Assim como buscam tulipas de novas cores e raças de cão mais fortes, quem cultiva Cannabis quer mais THC, o principal psicoativo da planta. Hoje, para fazer isso, há luzes e métodos modernos, sementes selecionadas em décadas de cruzamentos. Tudo na internet. Mas é pequena a chance de camponeses do Paraguai usarem essa tecnologia na produção massiva de maconha. O que fazem é o tal “prensado”, e a prova de que ele não está tão potente assim é visível a olho nu: ele tem sementes. Maconha com muito THC raramente tem sementes, porque, para fabricá-las, a planta usa a energia que precisa para fazer a molécula psicoativa. No Brasil, só se faz maconha de “altos teores” em pequenas plantações caseiras. Esse cultivo “indoor” até tem crescido no país, por causa de usuários que não querem bancar o tráfico, mas sua produção é irrelevante. Logo, é preciso cautela na comparação dos resultados dos testes de 2006/2007 e 2012. Por mais corretas que sejam as análises químicas, a dosagem de THC tem desafios que começam bem antes do laboratório. Um fator crucial para medições confiáveis é ter uma amostragem representativa. Para medir a intenção de voto em São Paulo com algum valor estatístico, não basta entrevistar uns 50 cidadãos em Higienópolis. No caso da maconha: o THC se decompõe rapidamente exposto à luz e ao ar. Se a pesquisa de 2006/2007 usou uma droga colhida há meses, apreendida em “trouxinhas” ou “baseados”, sua baixa potência pode ser mera consequência da má conservação. Se a de 2012 usou amostras novas, lacradas, o THC estava bem preservado. Na Europa, onde se quantifica THC desde a década de 1990, os testes usam milhares de amostras, colhidas regularmente ao longo do ano, de várias fontes, para garantir representatividade. É preciso ter esse cuidado aqui, antes de disparar o alarme. E fazer testes todo ano, de modo padronizado. Não nos faltam bons peritos, apenas verba e vontade política.

TARSO ARAUJO é autor do Almanaque das Drogas e editor da revista “Galileu”

As capas de Veja

A Revista Veja do final do mês passado, chegou às bancas estampando mais uma vez o tema maconha em sua capa.

Inevitáveis os debates sobre a matéria no grupo de CPG. Da discussão surgiu a ideia de analisar todas as possíveis repercussões durante a semana seguinte e só depois publicar um post sobre a revista.

A capa desse ano causou certa polêmica, mas não mais que uma edição de 2000 que afirmava: “A questão não é mais saber se um jovem vai experimentar a erva. A pergunta é quando ele fará isso”. Relendo a matéria 12 anos depois fica evidente que os autores do texto retrataram uma preocupante tendência observada na época e que parece virou “modinha”. Quem convive com adolescentes, seja pai, mãe ou educador, percebeu ao longo desses anos um discurso cada vez mais favorável ao uso, mais liberalizante. Mesmo que os argumentos sejam os do século passado.

Marcha da maconha liberada, certas informações repassadas pela mídia e um vazio maniqueísta quando o assunto é a liberação das drogas têm colaborado bastante para essa postura. Sem falar na “ajudinha” do Presidente uruguaio querendo estatizar a maconha e da recentíssima aprovação do uso recreativo em dois estados norte-americanos.

Na matéria do dia 26 de julho de 2000, a revista já trazia dados sobre os efeitos da Cannabis sativa, principalmente na capacidade de aprendizado dos jovens que iniciam precocemente seu uso. Mesmo assim, na ocasião, a reportagem assustou mais do que esclareceu.

De lá para cá, a quantidade de trabalhos científicos e de pesquisa sobre o tema aumentou e foi possível ter acesso a dados ainda mais consistentes sobre os danos da maconha. O problema que nem sempre eles são divulgados além das revistas especializadas.

E é esse justamente o mérito apontado pela equipe de CPG ao ler a matéria do dia 31 de outubro de 2012 na mesma revista semanal.

Por sua constante capacitação, os professores já tinham conhecimento de muitas das informações divulgadas pela revista. A qualidade das atividades propostas e dos debates com os alunos é diretamente proporcional ao nível de atualização da equipe. Saber que os usuários de maconha têm duas vezes mais riscos de sofrer de depressão, cinco vezes mais chances de desenvolver transtornos de ansiedade e 60% deles têm dificuldades com a memória recente fazem parte de muitas de nossas discussões durante as aulas semanais de CPG.

Não se trata de apoiar uma publicação específica, mas sim avaliar o quanto informações cientificamente coletadas podem e devem ser divulgadas de maneira responsável.

Os dados apresentados podem ser questionados, mas jamais menosprezados em comentários pretensamente politizados ou, no que seria muito pior, experiências pessoais.

Principalmente diante de adolescentes.

O atual liberalismo em torno do consumo da droga está em descompasso com as pesquisas médicas mais recentes. As sequelas cerebrais são duradouras, sobretudo quando o uso se dá na adolescência”, afirma Adriana Dias Lopes.

A afirmação da autora da matéria reflete mais que a postura dos professores de Convivência em Processo de Grupo, reflete a postura da instituição que o acolhe.

Veja alguns dos trabalhos desenvolvidos com os alunos:

“Campanhas de Prevenção às drogas 9.os anos 2011″

“Campanhas de prevenção 9.os anos 2012″

“Prá que álcool se tem brigadeiro???”

Se você ainda não leu a matéria “Maconha Faz mal, sim” clique aqui

Equipe CPG

Maconha artificial

Estados Unidos tentam fechar cerco contra maconha artificial

Ingrid Tavares
Do UOL, em São Paulo

24/09/2012

Os Estados Unidos entram em uma nova fase na luta contra as drogas nesta semana. Após uma investigação que buscou provas em todo o país desde o Ano-Novo de 2012, as autoridades devem indiciar três pessoas pela produção e distribuição de maconha artificial.
“O spice [gíria em inglês para maconha artificial] é bem popular tanto nos Estados Unidos quanto no Reino Unido há alguns anos. O relatório de drogas da ONU, que é feito por um escritório bem formal e distante das ruas, começou a dar destaque para ele no fim da década passada, em 2009, mas é um fenômeno dos anos 2000”, explica o jornalista Tarso Araujo, autor do Almanaque das Drogas, da editora Leya.
Para driblar a legislação dos EUA, a droga extraída da planta Cannabis passou a ser também fabricada em laboratórios caseiros com um processo químico lucrativo e, até então, legalizado. A maconha artificial é uma mistura feita de ervas, incenso, grama, acetona e canabinoides sintéticos importados da China e da Índia.
Mas agora, Dylan Harrison, John Shealy e Michael Bryant, sócios da empresa Mr. Nice Guy, podem ficar até 30 anos atrás das grades por comercializar mais de cem pacotes com ervas medicinais “turbinadas” com elementos químicos por semana.
Brecha
Identificados por siglas alfa-numericas, esses químicos eram permitidos, pois imitavam os efeitos da droga sem trazer na sua composição o THC (tetrahidrocanabinol) ou outras substâncias psico-ativas proibidas da maconha. Quando a Justiça descobria qual o canabinoide sintético comercializado, os fabricantes mudavam a fórmula e vendiam uma nova droga no lote seguinte, mantendo-se sempre à frente da lei.
“Esses elementos são perigosos porque são mais potentes do que os canabinoides ‘naturais’ da maconha. Estudos apontam que eles se encaixam com mais intensidade nos receptores de canabinoides que existem em várias partes do nosso organismo – do hipocampo ao sistema gástrico, que regula nosso apetite”, afirma Araujo.
A maconha tem uma sigla menos conhecida, o CBD, mas que faz um importante contraponto no cérebro das pessoas aos males provocados pelos canabinoides. “O canabidiol [CBD] é outro componente da planta da maconha, mas que não traz esses efeitos nocivos, como ataques de ansiedade e esquizofrenia provocados pelo THC”, explica o neuropsicólogo Paulo Jannuzzi Cunha, pesquisador do IPq (Instituto de Psiquiatria) do Hospital das Clínicas. “Ele mimetiza o efeito de relaxamento, por exemplo, mas não chega a trazer o efeito mais danoso no cérebro que o THC carrega e que causa o ‘barato’ maior.”
A ausência do CBD na substância de laboratório pode explicar o porquê de a droga ser mais nociva (e preocupante) do que a “original”. Relatos médicos indicam que os usuários da maconha artificial apresentaram sérios transtornos psiquiátricos quando não ficavam catatônicos.
“Essas drogas têm dois aspectos que facilitam o uso e atraem os jovens para o consumo: o acesso fácil e também o fator de risco desconhecido, que se encaixa no perfil do jovem, que não se importa com as consequências”, lembra Cunha, especializado em dependentes químicos.
O imbróglio
A Justiça começou a combater o uso descontrolado da maconha sintética há dois anos, quando um ato proibiu o uso de cinco substâncias bastante populares, entre elas JWH-018, AM-2201 e HU-210, e, principalmente, seus análogos.
Mas os advogados dos três empresários de Miami alegam que eles comercializavam um composto bem diferente, fato que os protegeu até julho. Mas há dois meses, o presidente Barack Obama baniu todos os tipos de canabinoides artificiais, enquadrando o grupo de vez.
“UR-144 é um dos componentes estruturalmente diferente das substâncias banidas e muito difícil de ser enquadrado na lei dos análogos. Basicamente, eles mudaram uma molécula e a substituíram por um novo grupo químico. O produto com UR-144 não vai causar euforia, alterar a percepção nem mexer nas habilidades motoras, e isso não é uma mudança pequena”, alegam Thomas Wright e Spencer Siegel à imprensa norte-americana.
O escritório da dupla ficou especializada em prestar assessoria jurídica, ao custo mensal de US$ 3.500, a vários fabricantes e distribuidores de drogas sintéticas no país. O caso da empresa Mr. Nice Guy é um emblema contra a fragilidade do sistema jurídico que, segundo a dupla, não está preparado para entender a questão das drogas sintéticas.
“Além da proibição de novas drogas sintéticas não ter efeito prático, ela dá condições para o mercado negro. O movimento de proibir essas drogas gera substâncias em que o controle de qualidade é muito baixo e que não têm testes clínicos. É um tiro no pé, na minha opinião”, conclui o autor do Almanaque das Drogas.