Melhor não fumar nunca – Jairo Bouer

O artigo do Dr. Jairo Bouer saiu no Estadão do dia 7 de maio.
A imagem é da campanha contra o tabagismo da Cancer Patients Aid Association (CPAA) da India

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Melhor não fumar nunca

Um novo estudo sugere que fumar um ou outro cigarro socialmente pode ser tão ruim para a saúde do coração quanto acabar com um maço todos os dias

Jairo Bouer – O Estado de São Paulo 07/05/2017

Um novo estudo sugere que fumar um ou outro cigarro socialmente pode ser tão ruim para a saúde do coração quanto acabar com um maço todos os dias. Mesmo o uso eventual elevaria os níveis da pressão arterial e colesterol e exporia a pessoa a maior risco de enfartes e AVCs (derrames). O trabalho da Universidade Estadual de Ohio (EUA) avaliou 40 mil participantes e apontou que 75%, tanto dos fumantes habituais como dos ocasionais, têm pressão arterial elevada. Metade dos consumidores dos dois grupos tem também taxas mais altas de colesterol. Os dados foram publicados no American Journal of Health Promotion e divulgados pelo jornal britânico Daily Mail.

Ao todo, 17% das pessoas avaliadas eram fumantes habituais. Outros 10% consumiam cigarros eventualmente e não se enxergavam como fumantes. A maioria é de homens abaixo dos 40 anos, que usam cigarros em algumas situações sociais, mas não apresentam sinais de dependência. Para os pesquisadores, o ideal seria não fumar nunca!

Bom lembrar que a pressão arterial elevada e as taxas altas de colesterol contribuem de forma importante para a instalação das doenças cardiovasculares, principal causa de morte de homens e mulheres em todo mundo.

Gene mais fraco. Outro estudo divulgado na última semana sugere que os fumantes correm maior risco de ter uma obstrução arterial porque o tabaco “enfraquece” um gene que protegeria os vasos sanguíneos.

Em artigo publicado na revista Circulation e divulgado pela agência de notícias AFP, investigadores da Universidade da Pensilvânia (EUA) sugerem uma base genética para a formação das placas que causam o endurecimento das paredes das artérias e podem levar à obstrução da passagem de sangue, origem de enfartes e derrames. Foram avaliados dados de 140 mil pessoas, com foco nas regiões do genoma sabidamente associadas com alto risco de acúmulo de placas nas artérias.

Para os pesquisadores, uma pequena variação em um gene do cromossomo 15, relacionado a uma enzima produzida nos vasos sanguíneos, reduziria o risco de obstrução das artérias em não fumantes. Já entre os fumantes esse efeito protetor seria reduzido pela metade, demonstrando a influência de um fator ambiental (cigarro) sobre o “trabalho” dos nossos genes.

Ainda um grande vilão. 

No início de abril, um estudo da Fundação Bill & Melinda Gates e da Bloomberg Philanthropies mostrou que, ainda hoje, uma em cada dez mortes do mundo acontece por causa do cigarro. Metade dessas mortes é em quatro países: China, Índia, EUA e Rússia. Pelo relatório, o Brasil é considerado um caso de sucesso por ter conseguido reduzir em 25 anos as taxas de fumantes de 29% para 12% entre homens e de 19% para 8% entre as mulheres. Os dados são da BBC Brasil. A queda expressiva é resultado da combinação de leis mais duras, impostos mais altos e ações educativas (como campanhas de esclarecimento e avisos sobre riscos do fumo nos maços). Mesmo assim, ainda são mais de 18 milhões de fumantes no País.

Na contramão desse avanço, a empresa Souza Cruz ingressou com uma ação na Justiça pedindo o fim das mensagens de advertência na parte frontal das embalagens, conforme noticiou o Estado.

Em um momento em que boa parte do mundo caminha para maços cada vez menos atrativos para os consumidores (neutros, sem cores, sem marcas estampadas, com grandes avisos sobre os riscos), é um absoluto retrocesso que se reveja essa medida que obriga as mensagens de advertência na frente do maço. Importante que a sociedade e os órgãos competentes, como a Anvisa, se articulem para barrar mais essa ação da indústria do tabaco, que vai contra tudo que se conseguiu em décadas de trabalho de prevenção.

Campanha do Dia Mundial de Luta Contra a Aids – 1º de dezembro

Hoje comemora-se o Dia Mundial de Luta Contra a Aids. No Brasil a campanha deste ano visa conscientizar  jovens homossexuais de 15 a 24 anos das classes C, D e E. A ação discute as questões relacionadas à vulnerabilidade ao HIV/aids, na população prioritária, sob o ponto de vista do estigma e do preconceito. Além disso, a ideia é estimular a reflexão sobre a falsa impressão de que a aids afeta apenas o outro, distante da percepção de que todos estamos vulneráveis.

Na Organização Mundial da Saúde (OMS) a ênfase é por estender o tratamento anti- retroviral a todas as pessoas portadoras do HIV e com isso acabar com a epidemia de AIDS em uma geração.

World Aids Day: Getting to Zero é o mote da campanha.

Abaixo os infográficos que ilustram a campanha.

aids 1

aids 2

 aids 3

Fontes: http://www.aids.gov.br/pagina/dia-mundial-aids
http://www.who.int/campaigns/aids-day/2015/en/

Fumo entre adolescentes

Quer prevenir o tabagismo entre adolescentes? Entenda por que eles fumam e como falar com seu filho adolescente sobre cigarros.

Fonte: Clínica Mayo e Blog da ACTbr(Aliança de Controle do Tabagismo)

Dez maneiras de ajudar o adolescente a manter-se longe do cigarro

1: Entenda a atração exercida pelo cigarro

O fumo entre adolescentes pode ser uma forma de rebeldia ou um modo de se sentir parte de um determinado grupo de amigos. Alguns adolescentes acendem o cigarro na tentativa de perder peso ou de se sentir melhor consigo mesmos. Outros fumam para parecer moderno, atual ou independente. Pergunte ao adolescente como ele(a) se sente sobre o tabagismo e se algum de seus amigos fumam. Reconheça as boas escolhas e fale sobre as consequências das más escolhas. Você também pode falar sobre como as empresas de tabaco tentam influenciar o modo como se vê o tabagismo – por exemplo, mostrando o fumo em filmes de forma atraente ou glamourosa, para criar a percepção de que fumar seria fascinante.

2: Diga não ao fumo entre adolescentes

Você pode sentir que o adolescente não ouve uma palavra que você diz, mas diga assim mesmo. Diga a seu filho adolescente que não é permitido fumar. Sua desaprovação pode ter mais impacto do que você pensa. Adolescentes cujos pais demonstram de forma clara suas restrições ao tabagismo na adolescência tendem a fumar menos do que aqueles cujos pais não estabelecem limites. O mesmo acontece no caso dos adolescentes que se sentem mais próximos de seus pais.

3: Dê um bom exemplo

O tabagismo é mais comum entre adolescentes cujos pais fumam. Se você não fuma, mantenha-se assim. Se você fuma, pare – agora. Quanto mais cedo você parar de fumar, menor a probabilidade de seu filho adolescente tornar-se um fumante. Pergunte ao seu médico sobre as formas de parar de fumar. Enquanto isso, não fume em casa, no carro ou na frente de seu filho adolescente, e não deixe os cigarros onde ele(a) possa encontrá-los. Explique o quão insatisfeito ou infeliz se sente por fumar, como é difícil parar e que você vai continuar tentando até largar o cigarro para sempre.

4: Apelo à vaidade

Fumar não é glamouroso. Lembre que fumar é sujo e malcheiroso. Fumar dá mau hálito e rugas. Faz as roupas e cabelo ficarem cheirando a cigarro, e os dentes ficam amarelados. Fumar pode provocar uma tosse crônica e menos energia para praticar esportes e outras atividades agradáveis.

5: Faça as contas

Fumar é caro. Ajude o adolescente a calcular o custo semanal, mensal ou anual de fumar um maço por dia. Compare o custo de fumar com o preço de aparelhos eletrônicos, roupas ou outros itens de interesse dele(a).

6: Considere a pressão dos colegas

Amigos que fumam podem ser convincentes, mas você pode ajudar o adolescente a lidar com situações sociais difíceis e discutir como recusar a oferta de cigarros. Pode ser algo tão simples como dizer: “Não, obrigado, eu não fumo.” Quanto mais o adolescente pratica esta recusa básica, maior a probalidade de dizer não no momento da verdade.

7: Leve a dependência a sério

A maioria dos adolescentes acredita que podem parar de fumar a qualquer hora. No entanto, adolescentes podem tornar-se tão dependentes do tabaco quanto os adultos – muitas vezes rapidamente e com doses relativamente baixas de nicotina. Uma vez dependente, é difícil parar de fumar.

8: Fale sobre o futuro

Adolescentes tendem a achar que coisas ruins só acontecem com os outros. Explique as consequências do tabagismo a longo prazo – como o câncer, ataque cardíaco

Only not. She and? This well geneticfairness and, the still but the ingredients.

e acidente vascular cerebral (derrame). Mencione exemplos de conhecidos, familiares ou celebridades que ficaram doentes por causa do fumo.

9: Pense além dos cigarros

Tabaco sem fumaça, cigarros de cravo ou com sabor doce às vezes são confundidos como menos prejudiciais ou viciantes do que os cigarros tradicionais. O narguilé (fumar tabaco através de uma tubulação de água) é também por vezes apresentado como seguro. Não deixe o adolescente ser enganado. Como os cigarros tradicionais, estes produtos são viciantes e podem causar câncer e outros problemas de saúde. Muitos têm concentrações até mais elevadas de nicotina, alcatrão e monóxido de carbono.

10: Participe

Tenha uma postura ativa contra o tabagismo na adolescência. Participe de campanhas anti-tabagismo na escola, apóie esforços para tornar os lugares públicos livres de fumo e o aumento de impostos sobre os produtos de tabaco, que são medidas que podem ajudar a reduzir as chances do adolescente tornar-se um fumante.

Caso o adolescente já tenha começado a fumar, evite ameaças ou ultimatos. Em vez disso, tente descobrir por que seu filho adolescente fuma – e discutir formas de ajudá-lo. Evitar fumar ou cessar o tabagismo é uma das melhores coisas que o adolescente pode fazer por sua vida e sua saúde.

“Prá que álcool se tem brigadeiro???”

Intrigado com o título?

A pergunta/provocação surgiu da imaginação de nossos alunos durante o trabalho desenvolvido nas aulas de CPG.

O curso do 7.o ano, no primeiro semestre, tem como tema central a formação da personalidade.  Assim, durante as aulas, os alunos discutiram sobre os principais fatores que influenciam sua formação, entre eles, a mídia, os amigos, a família e a escola.

Como trabalho de encerramento do segundo bimestre, os alunos foram estimulados a usar a criatividade para produzir frases e cartazes visando promover uma adolescência saudável. O público alvo do trabalho são os jovens da cidade de São Paulo.

Confira abaixo alguns resultados dessas aulas.

29 de agosto: Dia Nacional de Combate ao Fumo

29 de agosto: Dia Nacional de Combate ao Fumo

504 cigarros é o consumo per capita.

9,2% de meninos e 13,2% de meninas, entre 13 e 15 anos, são usuários.

185 milhões de dólares é o custo direto.

35,5% dos jovens entre 13 e os 15 anos são fumantes passivos em suas residências.

Os dados acima são referentes ao nosso País e junto com outros dados mundiais estão disponíveis na 4ª edição do “The Tobacco Atlas” publicado pela American Cancer Society em conjunto com a World Lung Foundation.

Tentando minimizar esses números, o Brasil, no dia 29 de agosto, comemora o Dia Nacional de Combate ao Fumo. Desde 1986, quando tiveram início, as campanhas são temáticas. A deste ano dá continuidade à estratégia do Dia Mundial sem Tabaco focando o impacto socioambiental da indústria do fumo. Principalmente no que diz respeito ao meio ambiente.

O público alvo são jovens e adultos entre os 16 e os 50 anos. Uma opção muito importante quando se sabe que a experimentação acontece entre os 13 e os 25 anos.

Em seu site, o Instituto Nacional do Câncer informa: “Além dos danos à saúde (como diferentes tipos de câncer, doenças cardiovasculares, doenças respiratórias, dentre mais de 50 doenças diretamente relacionadas ao tabagismo), ao longo da cadeia de produção do tabaco há fatores que afetam o meio ambiente e toda a sociedade: desmatamento, uso de agrotóxicos, agricultores doentes, incêndios e poluição do ar, das ruas e das águas”

Ainda segundo o INCA, a indústria do fumo atrapalha a vida escolar das crianças que vivem nas regiões produtoras. A colheita interfere em nosso desenvolvimento ao antecipar o final do ano letivo para poder se utilizar da mão-de-obra infantil.

Fumo passivo

600.000 fumantes passivos morreram em 2011. Na sua maioria, mulheres e crianças.

Pré adolescentes não fumantes, mas expostos ao fumo passivo podem desenvolver sintomas de dependência de nicotina.

Outros estudos revelam que pessoas expostas ao fumo passivo têm risco 30% maior de desenvolver câncer de pulmão, 30% mais risco de sofrerem doenças cardíacas e 25% a 35% mais riscos de terem doenças coronarianas agudas. Sem falar na propensão à asma e à redução da capacidade respiratória.

Pensando nisso, a Lei Federal 12.546/2011 aprovada pela presidente Dilma Roussef é um grande avanço, pois proibiu, em todo o País, o fumo em recintos coletivos fechados.

Desta forma o Brasil reforça sua intenção de cumprir artigo 8º da Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco (CQCT), que determina que os países que assinaram o documento adotem medidas para proteger a população dos riscos do tabagismo passivo em ambientes públicos, locais de trabalho e meios de transporte.

Mais alguns fatos sobre o tabaco:

No Brasil, pelo menos, 2.655 não-fumantes morrem a cada ano por doenças atribuíveis ao tabagismo passivo. O que equivale dizer que, a cada dia, sete brasileiros que não fumam morrem por doenças provocadas pela exposição à fumaça do tabaco.

50% dos fumantes morrem em consequência de problemas causados pelo hábito de fumar.

Segundo a OMS, a poluição tabagística ambiental, resultado da fumaça exalada pelo fumante, é a maior causa de poluição de ambientes fechados e a terceira maior causa de morte evitável no mundo.

A cada tragada o fumante inala cerca de 4.700 substâncias tóxicas.

O monóxido de carbono da fumaça do cigarro reduz o nível de oxigênio no sangue do bebê. A nicotina restringe o fluxo sanguíneo da mãe para a criança, acarretando baixo peso.

Um ano depois o hálito está impregnado de nicotina e alcatrão e, às vezes, dentes e dedos amarelados.

O fumante passivo, a curto prazo, apresenta irritação nos olhos, tosse, dor de cabeça e aumento de alergias.

Em 7 segundos a nicotina atinge o cérebro e inicia um processo de dependência semelhante ao da cocaína, da heroína e do álcool.

O ar poluído contém, em média, três vezes mais nicotina e monóxido de carbono, e até 50 vezes mais substâncias cancerígenas do que a fumaça que entra pela boca do fumante depois de passar pelo filtro do cigarro.

(Fontes: Ministério da Saúde, NIDA, OMS, Hospital das Clínicas, GREA)

 

 

O que os pais dos amigos de seu filho pensam sobre o uso de drogas?

Como eles se comportam em relação ao uso de álcool?

Eles se preocupam com o uso de tabaco e outras drogas ou acham “tudo normal”, apenas um momento passageiro?

Você já conversou com outros pais sobre isso?

Pesquisadores da The Pennsylvania State University acreditam que devemos pensar seriamente sobre como responder essas questões.

Cerca de 7.500 jovens, entre o 9º ano e o 1º ano do ensino médio, foram perguntados sobre suas relações de amizade, sobre como avaliavam a postura de seus pais e sobre o uso de álcool, tabaco e outras drogas. Os resultados da pesquisa foram publicados no Journal of Studies on Alcohol and Drugs.

Michael Cleveland e seu grupo sugerem que se os pais não forem muito consistentes quanto à disciplina o estrago na educação pode extrapolar os limites da própria casa e respingar no quintal do vizinho.

Já se sabe, há tempos, que os amigos podem ser fator determinante no abuso de substâncias por parte do jovem, mas a importância/influência dos pais desses amigos ainda não tinha sido adequadamente avaliada.

O questionário foi estruturado para permitir que os pesquisadores da PenState pudessem avaliar como os jovens percebem a disciplina imposta por seus pais e o que eles conheciam sobre seus hábitos e atitudes.

Jovens que percebem seus pais mais conhecedores de seus hábitos e atitudes e com uma disciplina consistente têm menor chance de se envolver com drogas. Por sua vez, famílias mais “displicentes” em relação à educação de seus filhos correm o risco de vê-los envolvidos em comportamentos de risco. Nestes casos há pouca novidade.

A importância da pesquisa do Dr. Cleveland é justamente mostrar que comportamentos dos pais podem influenciar, positiva ou negativamente, os filhos dos outros.

Abaixo, o abstract do trabalho.

Volume 73, 2012 > Issue 3: May 2012

Do Peers’ Parents Matter? A New Link Between Positive Parenting and Adolescent Substance Use

Michael J. Cleveland, Mark E. Feinberg, D. Wayne Osgood, James Moody

Objective: Although studies have demonstrated that an adolescent’s parents and friends both influence adolescent substance use, it is not known whether the parenting experienced by one’s friends also affects one’s own use. Drawing on conceptions of shared parenting and the tenets of coercion theory, we investigated the extent to which three domains of parenting behaviors (parental knowledge, inductive reasoning, and consistent discipline) influenced the alcohol, cigarette, and marijuana use of not only their own adolescent children but also of members of their adolescents’ friendship groups. Method: Analyses of friendship nominations within each of two successive ninth-grade cohorts in 27 Iowa and Pennsylvania schools (N = 7,439 students, 53.6% female) were used to identify 897 friendship groups. Hierarchical logistic regression models were used to examine prospective associations between 9th-grade friendship group–level parenting behaviors and adolescent self-reported alcohol, cigarette, and marijuana use in 10th grade. Results: Adolescent substance use in 10th grade was significantly related to parenting behaviors of friends’ parents, after controlling for adolescents’ reports of their own substance use and their own parents’ behaviors at the 9th grade level. These associations were particularly strong for parents’ knowledge about their children and use of inconsistent discipline strategies. Significant interaction effects indicated that these relationships were strongest when adolescents received positive parenting at home. Some, but not all, of the main effects of friends’ parents’ parenting became nonsignificant after friends’ substance use in ninth grade was included in the model. Conclusions: The findings suggest that the parenting style in adolescents’ friends’ homes plays an important role in determining adolescent substance use. Implications of the joint contribution of parents and peers for prevention and intervention are discussed. (J. Stud. Alcohol Drugs, 73, 423–433, 2012)

Friends’ parents, JSAD, 2012

Baixe o artigo completo aqui

Adolescentes mulheres bebem mais que os homens, diz estudo

A notícia saiu no portal do Globo essa semana e foi reproduzida no Blog Dependência Química.

O Globo

Unesp traz pesquisa sobre o uso de álcool por estudantes do ensino fundamental e médio. Amigos e classe social influenciam na bebida

Cibelle Brito

As meninas exageram mais na hora de beber que os meninos. A afirmação é de uma pesquisa realizada pela Faculdade de Medicina da Universidade Estadual de São Paulo (Unesp), que observou o uso de álcool pelos estudantes do ensino médio e fundamental das escolas públicas e privadas de Botucatu, no interior de São Paulo. Os 1507 estudantes entrevistados eram menores de 18 anos, e foram questionados sobre o consumo de álcool, drogas, comportamento violento e hábito de beber entre familiares e amigos.
De acordo com os dados, 38,8% dos estudantes do ensino fundamental (6 a 9 série), e 73,5% do ensino médio afirmaram ter bebido pelo menos uma vez na vida. O uso de álcool no último ano foi relatado por 8,5% dos estudantes do fundamental e 40,7% do ensino médio. O estudo é o trabalho de dissertação da assistente social Priscila Lopes Corrêa, aluna do núcleo de Saúde Coletiva da Unesp. A pesquisadora diz que o crescimento percentual ocorre devido a idade dos estudantes, mais velhos no ensino fundamental.

Para a pesquisadora, o dado que mais chamou atenção está relacionado às mulheres. As estudantes estão mais propensas a “beber com embriaguez”, termo que define o consumo igual ou superior a cinco doses para homens, e quatro doses ou mais para as mulheres. O fato, somado à pouca maturidade dos adolescentes, pode favorecer o comportamentos de risco, como a prática do sexo sem proteção.

Os principais fatores que influenciaram eram os amigos, a classe social, normalmente com melhor poder aquisitivo, e o jovens sem qualquer tipo de religião, diz a autora do texto.

Para a mestranda, o estudo demonstra a utilização e o contato de menores de idade com álcool, mesmo que isso seja proibido pela legislação brasileira.

Falta fiscalização nos estabelecimentos que vendem bebidas, estabelecer uma política clara sobre o uso do álcool para pessoas jovens, e programas para prevenir o uso com promoção de práticas de lazer mais saudáveis, esclarece.

Prevenção às drogas: o papel da escola

Quando a escola deve iniciar um programa de prevenção às drogas? A resposta nem sempre evidente é esta: prevenção é uma tarefa educativa e se dá em dois níveis: a prevenção primária e a secundária. A primeira significa impedir o uso de todas as substâncias psicoativas, ou, pelo menos, retardar o seu início. A segunda se destina aos alunos que já experimentaram drogas (lícitas ou ilícitas), objetivando evitar evolução para usos mais frequentes e prejudiciais.

O trabalho de CPG nas duas situações preventivas tem os seguintes objetivos: conscientizar as pessoas sobre os riscos do uso de drogas; trabalhar o conceito de saúde física, psicológica e social; bem como colaborar para a construção da boa autoestima do jovem.

No programa de prevenção desenvolvido no Bandeirantes, o uso de drogas é discutido dentro de um contexto amplo de saúde, de qualidade de vida.

Para o sucesso do programa de prevenção têm contribuído vários fatores. O primeiro deles é o engajamento da Direção da Escola, na forma de apoio e investimento em infraestrutura adequada; o segundo elemento é o processo de capacitação constante dos professores envolvidos, tanto no que diz respeito ao preparo pessoal como a atualização constante sobre o assunto. O terceiro fator seria metodologia que conta com contribuições interdisciplinares para elaboração de estratégias variadas e adequadas à linguagem dos alunos, de acordo com sua faixa etária.

Por fim, o programa de prevenção deve ter grande alcance, por isso é importante sensibilizar a comunidade: corpo de professores e funcionários, pais, bem como trabalhar em parceria com o grupo de Orientação Educacional.

A avaliação contínua do trabalho é fundamental para identificar pontos fortes e fracos da prevenção.