Sexualidade em pauta: Dia Mundial de Combate à Aids

No dia 1o. de dezembro, comemora-se o Dia Mundial de Combate à Aids, data escolhida pela Organização Mundial da Saúde. A mobilização mundial em relação ao tema acontece desde 1988. O objetivo principal de instaurar datas como essa é fazer com que o tema seja pautado nos diversos meios de comunicação, propiciando, assim, a discussão e a conscientização a respeito da doença.

O laço vermelho foi criado em 1991 pela Visual Aids, grupo de profissionais de arte de Nova Iorque que queriam homenagear amigos e colegas que haviam morrido ou estavam morrendo em decorrência da doença

O laço vermelho foi criado em 1991 pela Visual Aids – grupo de profissionais de arte de Nova Iorque que queriam homenagear amigos e colegas que haviam morrido ou estavam morrendo em decorrência da doença.

Nesse contexto, aproveitamos o ensejo deste dia para compartilhar um dos aspectos explorados por um dos pilares do trabalho de CPG, que é a sexualidade e a prevenção.

A Aids é uma doença causada pelo vírus HIV – transmitido através de relações sexuais desprotegidas, transfusões sanguíneas ou compartilhamento de objetos perfurocortantes. Portadores do vírus nem sempre manifestam a Aids, sendo ela um estágio da infecção no qual o sistema imunológico do indivíduo se encontra enfraquecido, possibilitando, assim, que adoecimentos secundários façam grandes estragos.

Nas décadas de 80 e 90, muito se falou sobre a Aids no Brasil – bastante temida e cercada por preconceitos. Provocava a morte de muitos indivíduos através das doenças oportunistas, já que a efetividade dos medicamentos para controle ainda não era das melhores. Os doentes eram muito estigmatizados e sofriam não apenas com os efeitos da doença, quase sempre fatais, mas também com os olhares preconceituosos daqueles que os cercavam.

Nesse período, propagandas assustadoras começaram a ser veiculadas nos meios de comunicação, enfatizando o caráter fatal da doença e advertindo a respeito da necessidade do uso de camisinha nas relações sexuais. A política do terror fez com que os casos de contaminação diminuíssem e a doença fosse razoavelmente contida. Ao mesmo tempo, o aperfeiçoamento das fórmulas dos coquetéis propiciou o controle da doença nos indivíduos já infectados pelo vírus HIV, permitindo que tivessem uma boa qualidade de vida sob os efeitos dos remédios.

Eis que chegamos, através do desenrolar dos anos, no momento atual em que vemos os casos de contaminação pelo vírus no Brasil aumentarem. Dados divulgados pelo UNAids em julho deste ano mostraram que o total de infecções por ano no Brasil aumentou em 3% entre 2010 e 2016. Esse dado vai na contramão da tendência mundial – em que a taxa de infecções por ano sofreu uma retração de 11% no mesmo período.

Ainda há resquícios no inconsciente coletivo do terror em relação à doença propagado nas décadas de 80 e 90, mas a nova geração, os nossos adolescentes de hoje, não viveram uma juventude marcada diretamente pela nódoa da “Aids que mata”. A Aids de hoje, controlada por medicamentos extremamente modernos, já não é tão fatal quanto no passado, mas continua sem cura nem cara, estando espalhada entre indivíduos de todas as classes sociais e opções sexuais.

A diminuição do uso de camisinha entre os jovens e a falta de reflexão a respeito do tema fez com que os casos da doença aumentassem e trouxessem à discussão a necessidade de campanhas de prevenção que explorem comportamentos de risco e conscientizem sobre métodos preventivos.

A equipe de CPG entende essa configuração atual da epidemia e discute com os alunos de Ensino Médio questões pertinentes à conscientização e prevenção, desmistificando preconceitos e crenças.

 

Campanha do Dia Mundial de Luta Contra a Aids – 1º de dezembro

Hoje comemora-se o Dia Mundial de Luta Contra a Aids. No Brasil a campanha deste ano visa conscientizar  jovens homossexuais de 15 a 24 anos das classes C, D e E. A ação discute as questões relacionadas à vulnerabilidade ao HIV/aids, na população prioritária, sob o ponto de vista do estigma e do preconceito. Além disso, a ideia é estimular a reflexão sobre a falsa impressão de que a aids afeta apenas o outro, distante da percepção de que todos estamos vulneráveis.

Na Organização Mundial da Saúde (OMS) a ênfase é por estender o tratamento anti- retroviral a todas as pessoas portadoras do HIV e com isso acabar com a epidemia de AIDS em uma geração.

World Aids Day: Getting to Zero é o mote da campanha.

Abaixo os infográficos que ilustram a campanha.

aids 1

aids 2

 aids 3

Fontes: http://www.aids.gov.br/pagina/dia-mundial-aids
http://www.who.int/campaigns/aids-day/2015/en/

A leveza e a alegria na Educação Sexual

Mary Neide Damico Figueiró

Trabalhar com Educação Sexual é um desafio que exige constante capacitação para lidar com os temas da sexualidade e também com as pessoas e seus valores e sentimentos. Assim, para o educador aprofundar-se nesses temas, não bastam leituras ou informações científicas; o educador deve  também refletir sobre si mesmo, sobre o mundo e seus valores. Aparentemente questionar tabus, conceitos e comportamentos parece ser tarefa difícil, penosa, porém o minicurso da Educadora Sexual, Mary Neide Damico Figueiró, da Universidade Estadual de Londrina, provou que é possível lidar com temas árduos de forma delicada e leve, sem perder o sentido da seriedade necessária à capacitação do educador.

No último dia 19 de maio, o grupo de CPG passou por uma capacitação com a Dra. Mary Neide e pôde reciclar informações, refletir sobre seu trabalho a partir de contribuições teóricas e também de atividades lúdicas e poéticas. Dessa forma o grupo reafirmou a importância da educação sexual, não apenas na escola, como também na vida. Dentre os muitos ganhos do minicurso, a palestrante brindou o grupo com poemas da poetisa paranaense, Helena Kolody. Neste poema a seguir, fica a mensagem de como o obstáculo pode servir de estímulo, tanto para vida, quanto para a educação:

 

Desafio

 

A vida bloqueada

instiga o teimoso viajante

a abrir nova estrada.

 

Direitos sexuais – Campanha dos alunos do 9º ano de 2011

“Efetivamente, a principal tarefa da educação sexual é substituir a monótona atitude de curiosidade pelas coisas do sexo por uma atitude nova, de respeito e Inteligência”. Naumi de Vasconcelos

A amostra do trabalho dos alunos do nono ano sobre Direitos Sexuais revela um olhar novo sobre a sexualidade na vida cotidiana. As campanhas iluminaram os preconceitos e os desconhecimentos, abrindo espaço para a reflexão inteligente, sem deixar de lado o humor e a sensibilidade.

Dentre os direitos sexuais, foram destacados o direito à privacidade, à igualdade, à educação.

Clique nas imagens para ver os trabalhos.

[youtube LZoDXvgMSR8]

[youtube fNhH5Ky3iiM]

A sexualidade no túnel do tempo

O mundo mudou muito nos últimos sessenta anos! Os jovens que “ficam” e namoram com liberdade nem imaginam como eram os tempos da vovó. Nos anos 50, chamados anos dourados, a distinção entre os papéis masculino e feminino era bem nítida: o homem era o chefe da casa e a mulher lhe devia respeito e obediência. Na família modelo dessa época, o homem sustentava o lar e a mulher se ocupava com os cuidados da casa e dos filhos. De acordo com esse modelo, as características próprias da feminilidade eram o instinto materno, a pureza, a resignação e a doçura. Em relação ao exercício da sexualidade, a moral favorecia as experiências masculinas e restringia as femininas ao casamento.

Ser mãe, esposa e dona de casa era considerado o destino natural das mulheres, por isso, desde cedo, a menina era educada para as prendas domésticas.

As revistas da época classificavam as jovens em duas categorias: moças de família e moças levianas. As primeiras tinham respeito social, a possibilidade de se casar e tornar-se a “rainha do lar”; as segundas eram alvo do desprezo social, que as considerava quase prostitutas.

As moças de família deviam se comportar bem para não ficarem “mal faladas”: respeitar os pais, preparar-se para o casamento e preservar sua virgindade. É claro que, para se casar, precisavam namorar, mas sempre “dando-se ao respeito”, isto é, controlando-se para não ceder ao desejo do namorado. Desse modo a educação feminina tinha ênfase no autocontrole, na capacidade de distinguir o certo e o errado que eram bem claros na vida social. A máxima da época era a seguinte: o que se oferece, não tem valor.

As levianas eram aquelas que os rapazes namoravam, mas com quem não casavam. As moças não virgens, que pretendiam casar, ou pelo menos conservar o respeito social, procuravam manter sua condição em segredo.

O namoro era considerado etapa preparatória para o noivado e o casamento. Embora a escolha matrimonial não coubesse mais aos pais, estes tinham muita influência sobre os namorados, aprovando, fiscalizando e controlando o tipo de namoro. O noivado era um compromisso formal com o matrimônio, um período de preparativos para a vida de casados. Os rapazes compravam a casa, os móveis e as moças preparavam o enxoval. Mesmo durante o noivado, as relações sexuais eram interditadas, uma vez que a noiva deveria manter sua virgindade até a noite de núpcias. No entanto, a sociedade “permitia” ao noivo que tivesse aventuras sexuais com outras, que eram as “levianas”.
De lá para cá, muita coisa mudou: as mulheres passaram a trabalhar fora de casa, houve uma revolução sexual e de costumes, o feminismo questionou os papeis tradicionais de homens e mulheres. Mas parece que ainda restam vestígios daquele tempo! Ainda é comum ouvirmos que uma menina é de família e a outra… (bem, os nomes mudaram, mas o sentido é o mesmo). Ainda se vê de maneira preconceituosa a garota que assume sua sexualidade e carrega, por exemplo, uma camisinha na bolsa.

É tempo de repensar os papeis de homens e mulheres, afinal o mundo mudou: surgiram o computador, o celular, a internet… E com eles relações mais livres de preconceitos e mais baseadas no afeto.